Reportagem

Especialistas buscam soluções para salvar as infra-estruturas

Amândio Clemente e Arão Martins | Lubango

O diagnóstico ao estado actual das infra-estruturas desportivas existentes no país, principalmente as erguidas pelo Estado Angolano, para acolher os diversos eventos acolhidos pelo país nos últimos anos, como são os casos dos Campeonatos Africanos de Andebol, Basquetebol e Futebol, e o Campeonato do Mundo de hóquei em Patins, vai ser efectuado pelo Minisitério da Juventude e Desportos, durante o Fórum Nacional sobre "Modelos de gestão e manutenção de infra-estruturas juvenis de desportivas, agendado para amanhã no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

Estádio Nacional 11 de Novembro em Luanda tem fissuras num dos postes de sustentação e os elevadores fora de serviço
Fotografia: Vigas da Purificação| EDIÇÕES NOVEMBRO

O Jornal de Angola faz uma abordagem sobre o estado das grandes infra-estruturas construídas pelo Estado nas províncias da Huíla, Huambo, Cabinda e Benguela, mas também traz uma pincelada sobre outras existentes em Luanda, principal centro de desenvolvimento desportivo do país.
Em todo o país, o cenário é quase idêntico. Infra-estruturas em acentuada degradação e outras completamente destruídas ou sem aproveitamento adequado. Em Cabinda, o quadro é desolador.  O Estádio Nacional do Tchiaze está totalmente votado ao abandono.  O capim tomou conta da relva, os balneários, camarotes vips, sala de imprensa foram totalmente saqueados e vandalizados. O Multiusos do Tafe sobrevive, mas caminha rapidamente para a degradação total. Apenas a teimosia dos utentes leva a que ainda tenha alguma serventia.
Na Huíla o cenário repete-se. O Estádio da Tundavala está inoperante, mas há esforços ténues para mudar o quadro, mas os pavilhões estão a \"cair aos pedaços\", apesar de continuarem a ser utilizados quando a \"chuva deixa\".  Em Benguela, o estádio de Ombaka ainda vai dando o ar da sua graça, mas são visíveis os sinais de degradação. Os recintos polidesportivos vão-se aguentando com remendos, mas insuficientes para travar a degradação. Tudo pode levar a crer que Luanda é a única província isenta destes problemas. Puro engano. O Estádio Nacional 11 de Novembro também apresenta vários sinais de degradação e há muito deixou de oferecer vários serviços. Que o digam os jornalistas que são obrigados a subir longos lances de escada, para chegarem à área que lhes é destinada, porque o elevador há muito  deixou de funcionar. Há também relatos de fissuras nalguns pontos, bem como a vandalização de alguns balneários, onde a louça sanitária deixou de fazer morada.  Mas não  são só espinhos. Também há rosas. Os Pavilhões erguidos para acolher o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, em Luanda, Namibe e Malanje, ainda estão impecáveis, mas a precisarem de manutenção mais especializada.
O Fórum que inicia amanhã vai procurar, certamente, encontrar as soluções para mudar o quadro negativo.              

Infiltração de águas acentua degradação



A infiltração de água no Pavilhão da Nossa Senhora do Monte, uma infra-estrutura erguida no complexo turístico e desportivo da Nossa Senhora do Monte, no Lubango, no âmbito do Campeonato Africano de Basquetebol (AFROBASKET), que o país albergou em 2008, continua a preocupar as autoridades locais, porque está a acentuar  cada vez mais a sua degradação.
Apesar de algumas reparações paliativas feitas pelo governo local, principalmente quando alberga eventos nacionais e internacionais, o Pavilhão Multiuso principal clama por uma reabilitação urgente e total, para evitar o pior.
O material utilizado para a construção da infra-estrutura, segundo especialistas, é inadequado para o clima local. Fruto disso e, em função das constantes infiltrações de água em todas as áreas, a infra-estrutura continua a degradar-se.
O pavilhão foi aberto ao público em Abril de 2017, no quadro do Afrobasket, que o país acolheu, e tem capacidade para 2.000 espectadores. A infra-estrutura apresenta actualmente um défice de portas, vidros quebrados e louça sanitária dos wc, que precisam de substituição urgente.
Para tornar seguro o acesso e a devida utilização do pavilhão nº 2, as autoridades locais colocaram  janelas e portas de ferro, para impedir a vandalização que se verificava anteriormente. Paulo João, praticante de andebol, disse que aumentou a segurança, mas em contrapartida, tornou o pavilhão mais escuro.

Cenário desolador
quando chove
As formações que disputam o campeonato nacional de andebol nas categorias de juniores em masculinos e femininos, que decorrem até dia 29 do corrente, reclamam das condições encontradas nos pavilhões.
O relógio marca 15h50. O jogo entre a Escolhinha do Huambo e o Pecadenc de Cabinda  é interrompido. Razão: a água da chuva que caiu fortemente sobre o Lubango.
O mesmo cenário aconteceu na partida que opôs o Petro de Luanda ao Maculusso, também interrompido vária vezes por causa da água das chuvas, que caía em vários pontos do piso do pavilhão. Tem sido sempre assim, quando chove no Lubango.
O administrador do Pavilhão, João Figueira, explicou que a maior preocupação é a infiltração de água a partir do tecto superior. “Quase em todos cantos cai água, o que tem embaraçado a prática de qualquer serviço, quando chove”, reconheceu.
No perímetro do Complexo Turístico e Cultural da Nossa Senhora do Monte, no Lubango, estão localizados três pavilhões. Manuel Artur “Manú” informou que, das três infra-estruturas desportivas existentes, o Multiusos principal, construído para o Afrobasket, é o único que ainda não mereceu qualquer reabilitação. “Estamos a completar 10 anos, e a infra-estrutura precisa de uma reabilitação total”, defendeu.

Actividades continuam
As actividades desportivas, apesar da necessidade de reabilitação, são permanentes no Pavilhão da Nossa Senhora do Monte, garantiu o gestor, que as considera prioritárias. Daí a existência de um plano para treinos e de jogos oficiais, onde se faz um enquadramento de todas as actividades das diversas modalidades.  Deste plano, salientou, constam o Clube Desportivo da Huíla (CDH), UDA Futsal, Inter Futebol Clube do Lubango, Administração Municipal Do Lubango, Colégio Anjo Gabriel, Ende Basquetebol, Grémio, Associação de Hóquei em Patins, Associação de Futsal, Associação de Andebol, Geração Formação de Futsal, Veteranos, Desportivo da Chela, Palácio Futsal, Império Voleibol, Estrelas do Palácio Voleibol, Faculdade de Medicina, Isced Educação Física, Isced Voleibol, Logos Andebol e Logos Futsal.


A inoperância do Estádio Nacional Tundavala construído no âmbito do Campeonato Africano das Nações (CAN) 2010, que o país albergou, faz da infra-estrutura o “gigante adormecido”, no bairro do Tchioco, arredores da cidade do Lubango, província da Huíla.
O estádio, uma das infra-estruturas desportivas de referência na região Sul que compreende as províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, está paralisado há mais de 4 anos.
Erguido numa superfície de 25.807 metros quadrados, com uma capacidade para albergar 21.060 pessoas sentadas, o Estádio Tundavala tem a sua infra-estrutura intacta.
Com a relva danificada, o estádio acolheu o último jogo em Junho de 2015, quando os Palancas Negras receberam e venceram, por 4-0, a selecção da Republica Centro Africana, em jogo referente ao apuramento ao CAN de 2017, realizado no Gabão.
O estádio tem três arquibancadas, cobertas por uma estrutura de chapas. Tem uma bancada central com 843 lugares, cabine de imprensa com 119 lugares, e para deficientes 108.
O seu letreiro chama a atenção de qualquer pessoa que se desloca ao estádio e a sua paralisação preocupa os amantes do futebol e não só.
O capim, que cobre os equipamentos que têm os letreiros gastos que sinalizam as áreas de estacionamento e acesso da imprensa, espectadores,funcionários federativos e na zona de acesso dos jogadores e árbitros, demonstra claramente o mau estado de conservação do estádio.
A vandalização e subtracção dos equipamentos da área de imprensa, o gerador e outros, são provas mais que evidentes de acções que contribuíram para o actual estado da infra-estrutura. o Jornal de Angola apurou que, recentemente, foram subtraídos na calada da noite mais cinco televisores plasmas, sem o arrombamento das portas de acesso! A acção está a ser investigada, para identificar os culpados.
O director do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos na Huíla, Osvaldo Lunda, disse que a questão do Estádio Tundavala está na primeira linha da agenda do governo local.
“Já conseguimos propostas para repor o sistema de rega e estamos apenas à espera da disponibilidade financeira, para o arranque dos trabalhos”.
Além disso, foram contactadas  as  várias associações com espaços cedidos no estádio, no sentido de    darem mais vida à infra-estrutura.
“Queremos que toda envolvente do estádio tenha actividades desportivas, turísticas e culturais da província”, defendeu.
Osvaldo Londa explicou que existe um projecto para a colocação de um tapete sintético no estádio para incentivar e expandir a prática do atletismo, onde é possível ser praticado.
Característico do estádio
O  Estádio Nacional Tundavala tem dois andares. A bancada do primeiro andar tem 9657 lugares. No primeiro andar existem 9 camarotes com 484 lugares, e  a bancada superior tem 9.006 lugares. Possui ainda 4 balneários, sala de conferências, sala para jornalistas, 7 postos de saúde, áreas VIP, uma unidade da Polícia, 14 lojas e um restaurante de grande dimensão e similares. O estádio era servido por um grupo de geradores com capacidade de 3.4 megawatts.  Foi erguido numa área de 25 mil metros quadrados, e para a sua edificação foram utilizados 29 mil metros cúbicos de betão tradicional, mais de 1.700 toneladas de pedra e 5 mil toneladas de aço. Conta com um parque de estacionamento para duas mil viaturas e custou aos cofres do Estado 69 milhões de dólares. As obras duraram 18 meses e estiveram a cargo da empresa de Construção Civil Chinesa, SINOHIDRO Corporation e a fiscalização coube a empresa angolana Nuclear, e participaram nelas mais de 750 trabalhadores chineses e 300 angolanos. Albergou jogos do Grupo B do CAN 2010, organizado por  Angola, onde afiguravam as selecções dos Camarões, Zâmbia, Tunísia e Gabão.
   Recuperação  é uma prioridade das autoridades da província da Huíla

O director provincial da Juventude e Desportos na Huíla, Osvaldo Londa, reconheceu que, na verdade, o estado actual do Estádio da Tundavala  continua preocupante, porque está paralisado há vários anos, o que pode influenciar cada vez mais a degradação dos principais serviços existentes.
“Temos outros sistemas eléctricos que já funcionavam em condições, como os elevadores, e alguns deles já estão paralisados por não funcionarem. Há um conjunto de serviços que podem ser perdidos. Caso não haja uma intervenção urgente, a recuperação do estádio pode custar muito mais caro do que se imagina”, reconheceu.
Os trabalhos preliminares, que visam recuperar a relva, decorrem com sucesso, garantiu recentemente o secretário de Estado para os Desportos, Carlos Almeida.
O governante, que recentemente visitou as infra-estruturas desportivas na cidade do Lubango, referiu na ocasião que, comparativamente à estadia  anterior, há evolução e o ministério continua a trabalhar com o governo provincial, para que a sua reactivação e utilização seja uma realidade.
“Temos feito um acompanhamento pormenorizado, e verifica-se evolução positiva nas acções que visam recuperar a relva e outras componentes, que permitam a sua utilização\" explicou. Informou que decorre um levantamento pormenorizado, solicitado pelo MINJUD ao governo da Huíla, fundamentalmente a nível das bombas de água para a rega da relva, e das baterias para os dois novos geradores .
Depois do desaparecimento “misterioso” do seu gerador principal, referiu, foram adquiridos e entregues dois geradores para colmatar a falta. “Queremos que os dois geradores entrem o mais rápido em funcionamento, para cobrir a necessidade nos momentos em que a rede pública estiver indisponível”, explicou.
No estádio foram criados mais três furos de água ainda insuficientes, em função da capacidade de rega que deve ser potenciada nesta infra-estrutura. Estão igualmente em curso a recuperação das bombas externas.
Sem adiantar datas, Carlos Almeida justificou que a trabalhar com orçamentos, em função do levantamento em curso, é preferível omitir a data para evitar erros de cálculo. Porém, a recuperação da relva vai ser efectivada no mais curto  espaço de tempo possível, garantiu. “Temos todo o interesse que a província da Huíla, principalmente o Estádio da Tundavala, a sua principal infra-estrutura da província, que ainda é tutelada pelo Ministério, tenha todas condições para que num curto espaço de tempo volte a servir o propósito pelo qual foi criado, que é albergar jogos oficiais, não só do Girabola, mas também partidas de carácter internacional”, disse.

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