Reportagem

Estrada entre Gabela e Quilenda pode trazer crescimento para a região

Edivaldo Cristóvão

Um percurso de 35 quilómetros, que antes era feito em quatro horas, hoje se faz em apenas 25 minutos, com a abertura da via que liga os municípios da Gabela e Quilenda, na província do Cuanza-Sul. A obra custou aos cofres do Estado 27 milhões de dólares.

Fotografia: EdIções Novembro

Inaugurada na segunda-feira pelo ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, o trajecto proporciona menos desgaste de viagem, maior conforto e segurança.
A estrada vai servir como eixo estruturante de integração entre os municípios circunvizinhos, de modo a contribuir para o desenvolvimento da agricultura e do comércio.
Manuel Tavares de Almeida disse que a província do Cuan-za-Sul é das que tem maior extensão de redes de estradas, com cerca de 2.916 quilómetros, desde as vias principais e secundárias, e lembrou que, até ao momento, a região já beneficiou de um perímetro de 1.190 quilómetros de estradas asfaltadas.
O programa de reabilitação das estradas, tem sido dedicado à conclusão de projectos iniciados nos anos an-teriores. "Não havia neces-
sidade de fazer novas estradas, sem recursos financeiros e deixar por concluir as que já estavam avançadas.”
O governante advertiu que, face às dificuldades na obtenção de recursos financeiros para concluir as estradas, os prazos nem sempre são cumpridos, por isso, pede a compreensão de todos os cidadãos.
Para o ministro, o Executivo está seguro de que a estrada inaugurada, que liga os municípios da Gabela/Quilenda, com a abertura da ponte, foi feita com a melhor qualidade possível e destacou o empenho das empresas envolvidas nesta empreitada, como a Carmon e a chinesa CR20.
"Penso que os trabalhos de fiscalização, coordenação souberam dar resposta positiva aos apelos do Executivo, por isso, vai o nosso agradecimento a todos que estiveram envolvidos”, precisou o ministro.
De acordo com Manuel Tavares de Almeida, a solução dos problemas das estradas do país passa pela manutenção das infra-estruturas rodoviárias e por uma programação de trabalhos contínuos. Reconheceu que a má utilização das vias, como o excesso de peso transportado por camiões, acaba por provocar a degradação e reduz o tempo de vida útil das estradas.
Com base nisso, apelou às autoridades locais, Polícia Nacional e à população no sentido de haver um melhor controlo da utilização das vias rodoviárias e recordou que o Executivo tem em vista um projecto de colocação de balanças nas principais vias do país.
Além das balanças, disse que há também a intenção da implementação dos postos de portagem, começando pelas fronteiras. Acrescentou que a decisão foi aprovada recentemente pelo Conselho de Ministros, num programa que vai exigir que os usuários paguem um valor que assegure a manutenção e conservação das estradas, para evitar a sua degradação.

Estradas com qualidade
O ministro da Construção e Obras Públicas reconheceu, por outro lado, que a maior parte das estradas construídas no país foi executada e obedeceu aos padrões internacionais, mas disse que é importante que se faça um controlo sobre a sua utilização, para que dure o tempo necessário.
“Quando percorremos pelas vias e sentimos a deformação do pavimento, não é pela sua qualidade, mas sim pelo re-flexo do excesso de peso que se impõe nela. Se estes crité-rios não forem respeitados, as estradas vão continuar a degradar-se”, apelou.
Neste momento, prosseguiu, o Executivo está empenhado em concluir a estrada número 100, por ser um eixo fundamental para a economia do país, apesar de reconhecer o atraso das obras, ten-
do em conta que o programa previa o fim dos trabalhos no ano passado.
O governante anunciou, para breve, a construção das vias que atravessam uma zona fundamental agrícola do Cuanza-Sul, que muito têm contribuído para a economia, entre as áreas de Quizeu, Gabela e Quilenda.

Mais desenvolvimento

A administradora municipal da Quilenda, Maria Domingos, manifestou-se satisfeita com a abertura da estrada, admitindo que vai contribuir para o desenvolvimento dos referidos municípios, sobretudo no escoamento dos produtos para o principal mer-
cado do país.
Com uma extensão territorial de 2.430 quilómetros quadrados, o município da Quilenda tem cerca de 109 mil habitantes. Na localida-de, existem outras vias alternativas que necessitam de intervenção urgente, além da montagem de energia eléctrica.
A administradora Maria Domingos considerou o município potencialmente agrícola, sobretudo na produção de laranja, limão, tangerina e outros, mas a grande dificuldade está no escoamento dos produtos.
Paulo Rodrigues, engenheiro da Carmon, respon-sável pela obra, informou que a empreitada durou quase 24 meses, dados os constrangimentos encontrados ao longo do percurso, desde o solo, clima e o traçado geométrico.
Superados os constrangimentos, explicou que daí em diante a obra decorreu sem sobressaltos, respeitando as normas técnicas e as exigências feitas pelo Ministério da Construção e Obras Públicas.
A estrada inaugurada conta com uma extensão de 35 quilómetros e uma espessura de 25 centímetros.

Cidadãos satisfeitos

Manuel Morais, 54 anos, vive há 43 anos na Quilenda, onde é professor, manifestou-se satisfeito com a abertura da estrada, que vai contribuir para o desenvolvimento económico da região.
O professor pediu a população para preservar a estrada, porque, para a sua construção, o Estado gastou somas de dinheiro e não se pode ignorar este esforço.
O mototaxista, Adelino José, 30 anos, reconheceu que, com a abertura da via, muita coisa vai mudar na região e lembrou o percurso entre Cassussa e Gabela que se fazia em 30 minutos e faz-se agora em 10.
A obra, sob a responsabilidade da empresa chinesa CR20 com empreitada da Carmon, gerou 350 postos de trabalho e teve um custo de 27 mi-
lhões de dólares.
A inauguração da estrada foi testemunhada pelo governador provincial do Cuanza- Sul, Job Castelo Capapinha, pelo secretário Estado da Construção, Molares de Abril e pelo coordenador da Comissão de Gestão do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), Henriques Victorino.

 

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