Reportagem

Estradas degradadas atrasam desenvolvimento do turismo

Carlos Paulino | Menongue

O avançado estado de degradação das vias rodoviárias na província do Cuando Cubango tem afectado negativamente o desenvolvimento do turismo nesta região, que conta com uma das melhores faunas e floras de Angola.

A província tem uma vasta rede hoteleira que emprega centenas de trabalhadores sendo na sua maioria mulheres
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro - Menongue

O director provincial do Comércio, Hotelaria e Tu­rismo, Israel Dala, disse ao Jornal de Angola que a província conta ainda com muitos locais turísticos que não recebem visitantes devido ao mau estado das estradas, o que condiciona a circulação de viaturas, sobretudo para quem pretender chegar aos parques nacionais de Mavinga e do Luengue-Luiana. 
Os parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana foram criados ao abrigo da Lei n.º 38/11 de 29 de Dezembro, com base na necessidade da preservação da biodiversidade para a sustentabilidade do desenvolvimento, tendo em atenção as vastas regiões que a província integra no projecto transfronteiriço de conservação ambiental Ka­vango/Zambeze (KAZA).
A degradação das estradas dificulta em grande me­dida o desenvolvimento do projecto transfronteiriço Ka­vango/Zambeze na componente angolana, que abrange a província do Cuando Cu­bango, ao contrário dos outros países membros, como o Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe, que estão avançados na construção de infra-estruturas para a recepção e acomodação de turistas.
A implementação deste projecto vai contribuir significativamente para o aumento de receitas para os cofres do Estado, tendo em vista o gran­de potencial que a província do Cuando Cubango tem em termos de flora, fauna e rios navegáveis para a promoção do ecoturismo.
“Neste momento, os 87 mil quilómetros quadrados da área que abrange o projecto KAZA na componente angolana oferecem melho­res condições no que toca à enorme quantidade de espécies de animais, florestas e rios em comparação com o Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe, que estão a registar uma escassez de água que está afugentar os animais”, disse Israel Dala.
Actualmente, não se pode falar da implementação do projecto Kavango/Zambeze em Angola sem a construção ou reabilitação, numa primeira fase, de estradas, sobretudo nos municípios do Cuito Cuanavale, Mavinga, Rivungo e Dirico, que abrangem o KAZA. 
Nestes municípios só existem picadas com muito areal que dificultam até mesmo a circulação de viaturas de todo-o-terreno. Por esta razão, a construção e reabilitação de estradas constitui a principal aposta para alavancar o sector do turismo a nível da província do Cu­ando Cubango. 
Por este facto, o Governo Provincial tem estado a envidar esforços junto do Ministério de tutela para que o Cuando Cubango possa me­recer uma atenção especial nessa matéria sensível. É que, além de permitir uma melhor circulação de pessoas e mercadorias, seria uma mola impulsionadora para o aumento de receitas destinadas aos cofres do Es­tado, no quadro do projecto Kavango/Zambeze.

Locais turísticos 
A província do Cuando Cu­bango conta com mais de 50 zonas turísticas, mas a maioria encontra-se em estado avançado de degradação e carecem de uma intervenção para atrair os turistas nacionais e estrangeiros que visitam a região.
Entre estas zonas, destacam-se os parques nacionais de Mavinga e de Luengue-Luiana, ilhotas do Rio Cuebe, São Clemente, Kaquima, Soma Wambandje, Tchinguandja e Eventos, Montanha do Malova, quedas do Makulungungu, Linguela, Tchitchalala,  Katalala, do Rio Cutato e do Cacuni, os rápidos de Maleo, Makulungungu, Mpupa e Rudhiva.
Fazem ainda parte das atracções turísticas, as cascatas do Cuebe e do Tchipuco, lagoa de Dangane e Cassico, Meandros de Chicumbero, Alinhamento Dunares, tú­mulo e estátua do rei Mwene Vunongue, os montes de Minas Cantombi e do Tchawandjamba, Memorial dos Heróis da Batalha do Cuito Cuanavale, Monumento ao Massacre do Cuangar, Forte do Cuangar e Serpa Pinto e Campo Político das Ex-Ca­deias do Missombo.
A província tem uma rede hoteleira com 50 estabelecimentos, empregando 294 trabalhadores, sendo 185 mulheres e 109 homens. No ano passado, registou 2.658 hospedagens, sendo 2.512 de nacionais e 146 de estrangeiros. Actualmente, estão em reabilitação os hotéis Pérola do Sul e Residencial Kubango (Mutambuleno).
A entrada em funciona­men­to destas unidades ho­teleiras vai contribuir sig­-
­nificativamente para o au­mento do fluxo e melhoria de acomodação dos turistas e não só.
Duas agências de viagens, nomeadamente a Tunahe­te Comercial, a única que presta serviços na área de rent-a-car, e Chick-chick,  promovem o turismo na província, assim como a Macon, os Ca­minhos-de-Ferro de Mo­çâmedes (CFM) e a TAAG no ramo dos transportes. A companhia aérea de bandeira realiza voos regulares para a capital da província, Menongue.
Receitas arrecadas
A Direcção Provincial do Co­mércio, Hotelaria e Turismo no Cuando Cubango arrecadou, de Janeiro a Dezembro do ano passado, 3.792.865 de kwanzas, como resultado da emissão de licenças para o exercício da actividade comercial e prestação de serviços, multas e penalidades.
Do valor arrecadado, 2.970 mil kwanzas são provenientes da emissão de alvará comercial, 748 mil kwanzas oriundos de multas e penalidades e 74 mil e 865 kwanzas oriundos do licenciamento de hotelaria e turismo.
No período em referência, a Direcção Provincial do Co­mércio, Hotelaria e Turismo realizou 143 visitas de inspecção, onde instruiu 54 processos, aplicou 44 multas, efectuou 26 recolhas de amostras e enviou nove processos ao Serviço Provincial de Investigação Criminal por irregularidades, como a falta de higiene, actividade ilegal, falta de indumentária adequada e desobediência às leis vigentes no sector, entre outras infracções.
No Cuando Cubango existem 778 estabelecimentos comerciais que exercem a actividade de comércio grossista, retalhista e de prestação de serviços mercantis, mas apenas 540 possuem alvará comercial. Destes, 717 operam no município de Menongue, 15 no Cuito Cuanavale, 13 no Calai, 12 no Cuangar, 11 no Cuchi, seis em Mavinga, dois no Dirico, um em Nancova e igual número no Rivungo.

Empresas encerradas
Devido à falta de divisas que o país está a registar nos últimos tempos, 15 empresas que se dedicavam à venda de bens alimentares e materiais de construção civil encerraram as  portas, porque não conseguiam importar produtos.
Devido a esta situação, mais de 100 trabalhadores, principalmente jovens, perderam o emprego. Apesar desta contrariedade, a Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo no Cu­ando Cubango pretende di­namizar a rede comercial, ga­rantir a qualida­de, higiene e segurança alimentar na re­gião e efectuar visitas de inspecção aos estabelecimentos comerciais a nível dos municípios e comunas.
Para este ano, está prevista a reorganização da rede grossista e retalhista da província e garantir o bom funcionamento dos estabelecimentos comerciais e hoteleiros.

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