Reportagem

FAA mostram prontidão em manobras militares

Lourenço Manuel | Cuando Cubango

As manobras militares realizadas em Soba Matias, arredores do Comando da 50ª Brigada de Infantaria, no município do Menongue, província do Cuando Cubango, demonstraram a capacidade de intervenção das tropas angolanas, embora tenham feito renascer, em alguns populares, memórias dos tempos da guerra.

As unidades militares são autênticas universidades pois é nelas que se aprende o domínio da arte militar e são postas à prova as capacidades técnicas
Fotografia: Nicolau Vasco | Cuando Cubango-Edições Novembro

O armamento sofisticado e o estado de preparação das Forças Armadas Angolanas (FAA) aí demonstrados mereceram rasgados elogios dos presentes.
Na manhã de sábado, 28 de Janeiro, dezenas de convidados rumaram a Soba Matias, aldeamento a pouco mais de 60 quilómetros da cidade de Menongue, para avaliarem o nível de prontidão das FAA.
Da Huíla, estiveram presentes o governador, Marcelino Tchipingui, e o vice para o sector Político e Social, José do Nascimento Veyelenge, que se juntaram ao anfitrião Pedro Mutindi. O Ministério da Defesa Nacional esteve representado por João Lourenço e pelo secretário de Estado para os Recursos Materiais e Infra-estruturas, Salviano de Jesus Cerqueira.
O regedor principal da área de Wenha, Raimundo Comboio, disse que, apesar de ter acompanhado a guerra, era a primeira vez que assistia ao avanço das tropas no campo de batalha, bem como, o poderio de fogo evidenciado pela bateria de morteiros de 82milímetros  e do canhão de 130 milímetros.O que mais o comoveu foi ver as tropas progredirem a disparar, mesmo com os projécteis de artilharia a caírem próximo.Os militares pareciam ganhar adrenalina e mostravam-se indiferentes, ao avançarem para o objectivo com a pressa que se impunha.
Apesar do barulho ensurdecedor provocado pelo troar dos canhões, sobretudo o lança foguetes múltiplos BM-21, o regedor e outros presentes não se deixaram intimidar.
Como num verdadeiro campo de batalha, os militares moviam-se em várias direcções, procurando envolver o inimigo virtual, sem capacidade de reacção, devido à cobertura da artilharia e, com a força aérea, atingiram o objectivo antes do tempo do previsto.

Cenário de guerra


Antes de as tropas entrarem no campo de batalha, tudo foi estudado ao pormenor pelos generais e chefes das operações dos três ramos do Exército, que se reuniram à volta de uma maqueta, para evitar qualquer incidente durante o avanço das unidades.
Feitos os cálculos, usando meios de comunicação sofisticados, as unidades de infantaria motorizada receberam voz de comando para avançarem em direcção à ilusória zona ocupada pelo inimigo, que era fustigada pelos BM-21, canhões 130 milímetros, D-30, M-46 mm,105 mm e pela bateria de morteiros de 82 milímetros.No terreno, os comandantes das unidades em avanço tinham de fornecer as coordenadas exactas da localização das tropas, para disporem do apoio da artilharia em tempo real, porque, por um mínimo erro de cálculo, as tropas podiam ser esmagadas pelo fogo amigo, o que não aconteceu devido ao elevado nível de preparação dos efectivos.
Os tanques de guerra T-72, T-55 e os veículos blindados Chilka, equipados com metralhadoras ZU-23, as armas ligeiras e os canhões anti-tanque de 105 milímetros, adquiridos pelo Estado angolano no quadro das políticas de modernização das Forças Armadas Angolanas, mostraram todo o seu poder destrutivo no teatro das operações combativas.
Do outro lado da extensa pradaria, um obstáculo natural que as tropas tinham que transpor, estavam postados vários obstáculos que simulavam tratar-se da presença do inimigo, que acabaram por ser atingidos em tempo recorde pela artilharia à medida que a tropa terrestre avançava e ocupava a zona.
Nota de realce vai também para a presença de especialistas em defesa química, que mostraram em combate como proceder em caso de ataque com substâncias nocivas ao ser humano.Tropas especiais foram desembarcadas de helicópteros para reforçar o avanço da infantaria, enquanto efectivos da Marinha utilizaram botes silenciosos para desembarcar na retaguarda do inimigo.O ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, observou as manobras com a ajuda de binóculos e disse que as FAA estão preparadas para fazer face a qualquer eventualidade nociva em território angolano.“A melhor forma de se evitar a guerra é o país estar preparado para a guerra, razão pela qual disse, o Executivo angolano vai continuar a investir forte no sector da Defesa Nacional, modernizando cada vez mais as suas forças armadas, não para sermos temidos, mas sim, respeitados nos quatro cantos do mundo inteiro”, disse. 

Universidade militar


João Lourenço considera as unidades militares autênticas universidades, porque lá se aprende o domínio da arte militar e são postas à prova as capacidades técnicas e mentais dos efectivos no manuseamento de todo o aparato do Exército.
“Precisamos que as nossas Forças Armadas Angolanas sejam respeitadas e esta responsabilidade cabe a vocês, os mais jovens. Vocês só conseguirão atingir este objectivo se estudarem e se prepararem”, referiu o ministro, ao dirigir-se, em especial, aos cadetes que participaram pela primeira vez de uma manobra militar. “Como constatámos aqui, toda esta técnica é cada vez mais moderna, sofisticada e difícil da manobrar e manusear, tendo em vista que a electrónica que ela traz exige que os utilizadores tenham conhecimentos, sobretudo, de informática e matemática”, referiu. O ministro frisou ainda: “não queremos analfabetos nas Forças Armadas Angolanas. Queremos pessoas letradas que, postas aqui, no seio desta grande família, procurem superar-se cada vez mais. Quem entrou com um nível de escolaridade baixa, deve procurar superar, mesmo sem ir à universidade.”

Estandarte do exército

Um estandarte foi entregue à 50ª Brigada de Infantaria da Quinta  divisão da Região Militar Sul, estacionada no Cuando Cubango, pelos feitos históricos desde a fundação e a forma exemplar de como organizou as manobras militares. O brigadeiro Sapalo Baptista e os seus efectivos receberam também medalhas e diplomas de vanguarda por se destacarem na organização das manobras militares.
O comandante da Quinta  divisão de Infantaria Motorizada, tenente-general Paulo Xavier (Passix), que presidiu à cerimónia, explicou que o estandarte tem um grande significado para o Exército, já que caracteriza o conteúdo e a história de uma determinada unidade, no cumprimento das missões combativas, manutenção de paz e outras actividades.
Por esta razão, o estandarte é motivo de orgulho e deve servir de exemplo para outras unidades no cumprimento das diferentes missões que lhes são atribuídas, conforme está prescrito no regulamento de honra, tal como a obrigação de continência que os militares prestam a determinados símbolos nacionais e entidades superiores.

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