Reportagem

Fábrica de detergentes ajuda a poupar divisas

Edivaldo Cristóvão |

Dentro de três meses Angola pode ver reduzida a necessidade de importar produtos de limpeza, como detergente, sabão em líquido e lixívia. Com o lançamento da nova marca “Ultra” e com o aumento da produção, a Basel Angola espera cobrir cerca de 60 por cento das necessidades do país.

Ministra da Indústria Bernarda Martins tem estado a visitar fábricas com capacidade para colocar no mercado produtos de grande procura e reduzir as importações
Fotografia: Lucas Neto | Angop

A Basel é uma empresa privada de detergentes localizada no município de Viana, que concebeu um investimento da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), tendo dado início às actividades em 2010, representando a linha de detergentes “Madar”. Inicialmente o investimento era de cinco milhões de dólares, hoje já atingiu os 30 milhões.
A fábrica tem 400 funcionários, sendo 296 homens, 40 mulheres, e 32 expatriados, mas o número de trabalhadores pode atingir os 600, quando as novas linhas de produção abrirem dentro de três meses.
A Basel produz sete toneladas de detergentes em pó por hora, o que permite atingir as 2.500 toneladas mês. A meta é atingir as 4.000 toneladas para poder cobrir quase todo o território angolano. Actualmente, a fábrica funciona a 80 por cento da sua capacidade de produção, dentro de três meses chega a 100 por cento.
É a única que produz  detergente em pó no país. Em breve, começa a ser montada a fábrica de lixívia com tecnologia de ponta, proveniente da Itália, que permite produzir lixívia a partir do sal.
Em África, existem seis fábricas que representam o produto “Madar”, nomeadamente, no Médio Oriente, Nigéria, Camarões, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri. A fábrica Basel lançou uma nova marca com selo feito em Angola, denominada “Ultra”.
Com o lançamento da nova marca no mercado, o país passa a ter mais um produto para exportar.
O director-geral da Basel Angola, Hussein Khatoun, disse à reportagem do Jornal de Angola que neste momento a empresa está focada em aumentar a capacidade de produção, melhorar cada vez mais a qualidade do produto, para poder atender com dignidade e satisfação o mercado angolano e outros países de África.
A Basel Angola conta com o apoio de algumas empresas como a Fozkudia, de embalagens de papelão, Graph Systen, produção de rótulos e da Sonangol para o fornecimento de combustível.
Para a produção de um detergente em pó é necessário 15 ou 18 tipos de matéria-prima, normalmente importadas de vários países como Tunísia, Rússia, Bélgica, Jordânia, Dubai e uma boa parte da Europa.
A produção de detergente em pó tem sido de dez toneladas por hora, os produtos líquidos podem fazer três mil litros por hora.
Em 2018, a fábrica pretende arrancar com a produção de sabão em barra e com a montagem da fábrica de lixívia com uma tecnologia de ponta. “Pensamos também em implementar a fabricação de fraldas descartáveis e cosméticos”, disse o director.
Os produtos da Basel Angola já são comercializados na República Democrática do Congo (RDC), através de comerciantes angolanos que levam para aquele mercado através da fronteira.
Para a produção de outros detergentes em líquido é necessário importar dez tipos de matéria-prima (em líquido e em pó), de países como a China, África do Sul e outros da Europa.No laboratório é testada a qualidade de cada matéria-prima, antes de ser acondicionada em reservatórios (tanto o material em líquido como em pó). A produção actual da fábrica ronda as mil toneladas por mês, mas com a implementação da nova tecnologia poderá atingir as 3.000 toneladas mês.

Nova marca

A fábrica Basel Angola lançou recentemente uma nova marca de detergentes com selo angolano, “Ultra”, testada com a mais alta tecnologia europeia, e a sua qualidade pode ser comparada com as grandes empresas mundiais de detergentes, nomeadamente a Unilever, Procter and Gamble e Henkel.
A empresa lança brevemente novas linhas de produtos como amaciador de roupas, desinfectante de frutas, lava tudo, limpa vidro, multiuso, ambientador, sabonete, car wash, shampoo e WC cleaner. Na Basel Angola existe um Laboratório sofisticado, onde são testados os seus produtos quinzenalmente.
Armindo Abel é funcionário da fábrica na secção de lixívia. Disse que gosta de trabalhar nesta empresa porque as condições de trabalho e segurança são das melhores. Revelou que o que ganha, dá para satisfazer as suas necessidades e sustentar a família.
Banhão Vunge de 47 anos, trabalha na área do sabão líquido. Há quatro anos na empresa, disse que gosta do que faz. Enalteceu o programa da empresa em dar formação aos trabalhadores, porque tem contribuído para o desenvolvimento dos funcionários e da própria empresa.
A empresa tem realizado actividades sociais, oferecendo semanalmente produtos a orfanatos, hospitais, aos órgãos da Polícia, Bombeiros e Forças Armadas Angolanas.

Apoio às indústrias

O Executivo, através do Ministério da Indústria, prometeu apoiar a Basel Angola nas dificuldades que a empresa apresentar para poder desenvolver e expandir as suas actividades.
Um dos mecanismos principais para este processo é facilitar o acesso às divisas, para a importação de matéria-prima. A ministra Bernarda Martins durante uma visita recente à Basel Angola referiu que o objectivo é constatar as dificuldades que a empresa enfrenta, para que se dê o apoio necessário.
Nesta altura, um dos grandes problemas que as indústrias enfrentam no país é a obtenção de divisas para a importação de matéria-prima.
Muitas indústrias estão paralisadas devido a essas dificuldades. Mas o Executivo pretende fazer de tudo para que estas empresas não parem de funcionar e melhorem significativamente a sua actividade.
A ministra garantiu que o acesso às divisas está a ser montado e coordenado pelo Ministério da Economia, que acompanha o sector produtivo.  Ao Ministério da Indústria cabe apenas trabalhar com as empresas tuteladas pelo sector. Quem faz a entrega das divisas às empresas beneficiárias é o Banco Nacional de Angola.
Recentemente, o Executivo recuperou três indústrias têxteis, localizadas nas províncias de Benguela, Cuanza Norte e Luanda, que vão garantir condições de transformação do algodão em tecido, apesar da matéria-prima ser ainda importada.O Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Indústria realizado recentemente em Malanje defendeu maior coordenação entre o Executivo e os operadores privados do sector industrial, tendo em vista a aceleração do processo de industrialização do país.
A medida visa reforçar as acções da diversificação económica em curso e deve ser reforçada com a criação de uma classe empresarial nacional com competências específicas na gestão de empresas do ramo industrial, criando estímulo à exportação da produção local.
È fundamental desenvolver acções para integração das pequenas indústrias nos parques industriais, com vista à melhoria das condições sociais e de vida da população.
As recomendações do encontro defenderam a integração das indústrias na sociedade de informação e na economia do conhecimento, assim como na criação e dinamização de infra-estruturas de suporte à inovação de produtos. Existem condições para a desburocratização do processo de licenciamento da actividade industrial, através do Sistema Integrado de Licenciamento Industrial (SILAI).

Instituto de qualidade
 
O Instituto Angolano de Normalização e Qualidade, abreviadamente designado por (IANORQ) controla o sector produtivo, através da política do Executivo no domínio da promoção, organização e desenvolvimento do Sistema Angolano da Qualidade, bem como o asseguramento da realização da política nacional da qualidade.
O instituto tem como principais atribuições: Propor as linhas de acção, os objectivos e as medidas legislativas adequadas à conformação de uma política nacional da qualidade que assegure a promoção, a organização e o desenvolvimento do sistema angolano da qualidade.
Incentivar e desenvolver a qualidade, mediante agregação de esforços que visem a elevação dos seus padrões através da interacção com entidades públicas e privadas, operadores económicos e entidades científicas.Promover a consciencialização em matéria da qualidade, de modo a contribuir para o aumento da produtividade, competitividade e inovação no sector económico e produtivo.Coordenar as actividades de normalização a nível nacional, desenvolver o acervo normativo nacional e divulgá-lo com vista à sua aplicação no quadro das metodologias estabelecidas pelos organismos internacionais e regionais de normalização.
Assegurar e gerir o sistema de controlo metrológico legal dos instrumentos de medição e reconhecer entidades com competências para o exercício subdelegado desse controlo e coordenar a rede por elas constituídas, garantindo a efectiva cobertura a nível nacional.Instituir marcas nacionais da qualidade e assegurar a sua respectiva gestão, uso e reconhecimento a nível regional e internacional.
Agir como organismo de certificação de produtos, processos e pessoas, instituindo as necessárias metodologias. Criar mecanismos para garantir a conformidade com normas internacionais de sistemas de gestão da qualidade.

 Fábricas de detergentes

 As fábricas bem administradas são fundamentais para o sucesso de qualquer empresa de bens de consumo, e até para o bem-estar da economia. As empresas podem monopolizar mercados por reconhecer um produto viável e aquisição ou construção de uma fábrica para concentrar em produção especializada e em massa.Uma fábrica é um grande investimento com custos de manutenção elevados mas que cria postos de trabalho, especialmente quando construídas ou adquiridas próximas das cidades.
Os detergentes começaram a ser produzidos em escala comercial em meados de 1940, período em que estavam escassos os produtos que se utilizava para se fazer sabão. Desenvolveram então os detergentes, a partir do petróleo obtido por um processo chamado “destilação fraccionada”, que resultava no propeno (gás incolor, inodoro) que era utilizado na composição dos detergentes.
O princípio básico dos detergentes é quebrar a tensão superficial da sujeira para que seja possível remover com água. Os detergentes possuem duas partes principais, uma interna e outra externa. A parte interna está relacionada com a sujeira e a externa com a água. Deste modo, quando o detergente entra em contacto com a água produz milhares de gotículas que possuem estas características, e cada uma delas irá “armazenar” a sujeira de modo que a água possa actuar limpando-a.
Os detergentes são compostos químicos com características limpantes, e o principal componente que caracteriza isso é o surfactante. Cada surfactante possui propriedades químicas para reagir a cada tipo de sujeira. Por exemplo, os detergentes de cozinha possuem um surfactante próprio para remoção de gorduras. Assim, se necessitarmos de uma limpeza com outros tipos de substâncias, como tintas, sangue ou bebidas teremos de usar um detergente ou produto qualquer que tenha na sua composição substâncias que reajam a essas mesmas substâncias. Ao contrário não seria possível a sua remoção.

Sabão em pó

O sabão em pó é um bom exemplo disso. É o produto considerado adequado para lavar roupa e remover manchas, pois possui compostos chamados clarificantes ópticos que mudam a composição da sujidade e transformam-na na cor do tecido.
O principal representante dos detergentes é o sabão. Somado com a escassez de produção de sabão durante a Primeira Guerra Mundial levou à obtenção de novos tipos de detergentes.  Apareceram, então, no mercado doméstico produtos detergentes não saponáceos de origem industrial, incluindo misturas de tensioactivos com outras substâncias, coadjuvantes como os polifosfatos, silicatos, carbonatos e perboratos, e agentes auxiliares que incluem entre outros enzimas, substâncias fluorescentes, estabilizadores de espuma, corantes e perfumes.
Os primeiros detergentes deste tipo, derivados do benzeno, foram amplamente utilizados nos anos 40 e 50, porém não eram solúveis e nem biodegradáveis, sendo ecologicamente danosos ao meio ambiente.

Amigos da natureza

Os detergentes biodegradáveis são aqueles que a própria natureza se encarrega de eliminar e não causam qualquer impacto ambiental. Os não-biodegradáveis, pelo contrário, causam impacto ambiental.
Inicialmente os detergentes eram não-biodegradáveis, e quando eram eliminados em esgotos depositavam-se nos rios e acumulavam-se gradativamente, pois não tinham quem os degradasse. Com o tempo infiltraram-se nos lençóis freáticos, prejudicando a vida aquática.
A solução para o problema foi a invenção dos detergentes biodegradáveis que são consumidos por micro organismos.
Só que devido à falta de tratamento de muitos esgotos surge outro problema: a eutrofização. Micro-organismos consumiam os detergentes e se reproduziam em todo o oxigénio contido na água, e além de matar por asfixia os animais que ali habitavam, eliminam substâncias tóxicas. A espuma produzida pelos detergentes impede que a luz penetre na água e as algas façam a sua fotossíntese.

 

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