Reportagem

Falta de chuva baixa produção de energia

André da Costa | Laúca

Na Central Hidroeléctrica de Laúca os jovens constituem uma importante força de trabalho, que permite levar o país rumo ao desenvolvimento. Cada um contribui com o melhor que sabe na sua área de formação.

A engenheira Beatriz João, 25 anos, trabalha no Centro de Controlo Operacional da barragem de Laúca como operadora. Controla o funcionamento das turbinas geradoras de energia eléctrica. Toda a explicação técnica é dada por ela ao ministro da Energia e Águas João Baptista Borges sem gaguejar.
Beatriz João orienta o ministro a seguir as linhas dos comandos electrónicos, para ver a segunda máquina geradora de energia entrar em funcionamento. No meio das explicações técnicas, a  Beatriz João pede autorização ao ministro para dar início à entrada em funcionamento da segunda máquina que já manda mais energia para a zona de transporte com 334 megawatts.Em menos de dois minutos é dado o sinal de que a máquina está em funcionamento e  o transporte de energia pode chegar a Luanda.
  A engenheira controla todo o trabalho técnico através de uma tela com várias linhas indicadoras. Só com formação técnica é possível compreender o funcionamento dos equipamentos electrónicos de última geração da barragem de Laúca.
Beatriz João é formada em engenharia electromecânica pela Universidade Piaget de Angola. Antes da sua inserção em Laúca, recebeu formação técnica especializada de nove meses. Os conhecimentos adquiridos e adicionados à formação académica permitem movimentar os comandos dos aparelhos que produzem energia sem muitas dificuldades.
Hoje é uma mulher feliz pelo trabalho que faz, e mais satisfeita ainda por conseguir o primeiro emprego e contribuir para impulsionar o desenvolvimento do país.
Para chegar até Laúca, Beatriz participou num processo de selecção de técnicos com três meses de duração passando por vários testes de aptidão. O noivo de Beatriz João  tem a mesma profissão e o mesmo emprego. Fica 11 dias de trabalho corrido na Centro Hidroeléctrico de Laúca e dez em Luanda.
Aos 27 anos de idade, Paulo Mulunda  tem grandes responsabilidades na instrução dos demais colegas para melhor exercerem a sua actividade na barragem de Laúca.
Engenheiro electrotécnico formado pela Universidade Agostinho Neto, Paulo Mulunda tem conhecimentos que lhe permitem manobrar os equipamentos dos laboratórios de pneumática e hidráulica, laboratório de sistema de potência, de electrónica e sala de treino de operação com sistema de vídeo.
Há um ano a trabalhar na barragem de Laúca, Paulo Mulunda tem a missão de formar  os  jovens recrutados para trabalhar com as máquinas. “Lidar com as novas tecnologias de informação é fácil quando se tem conhecimento”, explica com satisfação o jovem engenheiro.
Trabalhar na barragem de Laúca é a concretização de um  sonho há muito idealizado com propósito de contribuir para desenvolver o país. “Eu transmito os meus conhecimentos aos jovens com muita responsabilidade porque só desta forma é que posso dar o meu contributo para desenvolver Angola”, disse.
O treino é dado em dois laboratórios: virtual e real. No laboratório virtual, os técnicos consolidam os conhecimentos e podem cometer erros. O laboratório real não admite erros sob pena de comprometer o normal funcionamento das máquinas geradoras de corrente eléctrica.
O Centro de Formação, sob comando de Paulo Mulunda, formou recentemente 84 jovens que estão distribuídos por várias áreas da Central de Laúca. 
 A responsabilidade e especificidade do trabalho que realiza no Laúca, lhe permite ficar dois meses em trabalho intenso e 10 dias em Luanda junto da família.
 Nas barragens de Laúca, Cambambe e Capanda há presença massiva de jovens que ganham experiência de trabalho com os mais antigos e assim vão dinamizando o trabalho.
No laboratório de sistema eléctrico de potência, os alunos aprendem matérias relacionadas a potência das máquinas, os parâmetros dos geradores, a sincronização manual e automática, manobras de embarque de linhas do sistema. Aulas sobre o sistema de protecção diferencial dos geradores e transformadores e o treino de aterramento, balanceamento de cargas são  matérias ministradas aos técnicos.

Geradores de Capanda
Para Manuel Paulo, director da barragem de Capanda, a prioridade passa pela recuperação do nível da água, só possível com chuvas regulares.
O Aproveitamento Hidroeléctrico de Capanda tem quatro geradores com capacidade para produzir 520 megawatts de energia.
Actualmente, três geradores estão a produzir 260 megawatts. Devido à falta de chuva, que provocou o abaixamento do nível da albufeira, a direcção pensa em desligar mais uma máquina, funcionando somente duas.
A barragem de Laúca está a funcionar com duas máquinas com a capacidade para 660 megawatts de energia, sendo cada uma com 330 megawatts, disse o ministro João Baptista Borges.

Com a entrada em funcionamento da segunda máquina de Laúca com maior potência em relação a Capanda (uma máquina de Laúca tem três vezes mais capacidade em relação a uma de Capanda), a situação do fornecimento de energia a Luanda e regiões do Norte, como Uíge, Zaire, Cuanza-Norte e Bengo, fica resolvida. A barragem de Laúca está a funcionar com duas máquinas com a capacidade para 660 megawatts de energia, sendo cada uma com 330 megawatts, disse o ministro João Baptista Borges.
Para Manuel Paulo, director da barragem de Capanda, a prioridade passa pela recuperação do nível da água, só possível com chuvas regulares.

Laboratórios de potência
No laboratório de sistema eléctrico de potência, os alunos aprendem matérias relacionadas a potência das máquinas, os parâmetros dos geradores, a sincronização manual e automática, manobras de embarque de linhas do sistema. Aulas sobre o sistema de protecção diferencial dos geradores e transformadores e o treino de aterramento, balanceamento de cargas são  matérias ministradas aos técnicos. Há trabalho intenso e também lazer na barragem de Laúca. São vários os camiões que andam de um lugar para outro transportando materiais desde cimento, pedras, fios, máquinas pesadas. As estradas são asfaltadas por vários técnicos entre nacionais e expatriados. Os técnicos angolanos constituem 95 por cento da força de trabalho da barragem de Laúca, segundo o ministro da Energia e Águas João Baptista Borges.
De noite há lugar à  prática desportiva.
O  engenheiro Vacelic Luciano Cardoso, de 22 anos de idade, é formado em engenharia mecatrónica. Trabalha em Laúca há seis meses, no laboratório de electrónica como professor.
A montagem de circuitos electrónicos desde os de nível básico até ao mais complexo faz parte da sua rotina de trabalho. O jovem encara o trabalho com elevada responsabilidade. “Aqui estamos no laboratório introdutório e os alunos antes de irem para outros laboratórios passam primeiro aqui, onde dou formação em tensão de corrente contínua, alternada, fizemos análises de electromagnetismo.”
Para o também professor de electrónica e electricidade, os alunos aprendem conhecimentos diversos que os habilitam a trabalhar com os diversos equipamentos montados em várias salas da barragem de Laúca.
“Aprendemos matérias relacionadas com a nossa área de formação assim como outros conhecimentos que permite ter um comportamento aceitável fora do serviço. Por exemplo há circuitos criados sobre os semáforos modernos. Hoje por exemplo há países onde há fluxo de trânsito e a pessoa pode accionar o botão vermelho para os carros pararem e permitir atravessar com segurança.”
Vacelik Cardoso trabalha com dedicação. Fez o ensino médio na especialidade na especialidade de electrónica e automação no Instituto Médio Simeone Mucune e seguiu o curso de engenharia mecatrónica na Universidade Metodista de Angola.
Para qualquer jovem que pretende vencer na vida, trabalhar em Laúca constitui uma enorme oportunidade por conseguir conciliar a teoria e a prática afirma o  engenheiro Vacelik Cardoso. Nem mesmo a distância da família o faz desistir de um sonho que há muito idealizou no domínio da electrónica: “O internato aqui constitui um campo de aprendizagem.”
Nas barragens de Laúca, Cambambe e Capanda há presença massiva de jovens que ganham experiência de trabalho com os mais antigos e assim vão dinamizando o trabalho.

Geradores de Capanda
O Aproveitamento Hidroeléctrico de Capanda tem quatro geradores com capacidade para produzir 520 megawatts de energia.
Actualmente, três geradores estão a produzir 260 megawatts. Devido à falta de chuva, que provocou o abaixamento do nível da albufeira, a direcção pensa em desligar mais uma máquina, funcionando somente duas.
Com a entrada em funcionamento da segunda máquina de Laúca com maior potência em relação a Capanda (uma máquina de Laúca tem três vezes mais capacidade em relação a uma de Capanda), a situação do fornecimento de energia a Luanda e regiões do Norte, como Uíge, Zaire, Cuanza-Norte e Bengo, fica resolvida. A barragem de Laúca está a funcionar com duas máquinas com a capacidade para 660 megawatts de energia, sendo cada uma com 330 megawatts, disse o ministro João Baptista Borges.
Para Manuel Paulo, director da barragem de Capanda, a prioridade passa pela recuperação do nível da água, só possível com chuvas regulares.
Quanto mais água houver, melhor é o funcionamento das quatro máquinas e consequentemente fica mais facilitada mandar energia para a Rede Nacional de Transportes, que por sua vez encaminha a corrente até à empresa de distribuição para os consumidores.
A energia consumida pelos cidadãos passa por várias fases como a produção, transporte e distribuição até ao consumidor final, disse o director da barragem de Capanda.
Devido à evolução da ciência e tecnologia torna-se urgente a modernização da barragem de Capanda, disse o presidente do Conselho de Administração da barragem de Capanda, engenheiro José Neto: “Precisamos de modernizar a barragem e superar o pessoal do ponto de vista técnico profissional.”

  Projectos estruturantes em conclusão

A conclusão dos projectos estruturantes em curso no sector eléctrico, como a Central Hidroeléctrica de Laúca, constam dos desafios do sector eléctrico para os próximos cinco anos.
A Central de Laúca, segundo o ministro, tem um orçamento de vários milhões de dólares, e uma vez concluída, vai permitir electrificar a região Norte, Centro e o Sul do país e revitalizar o tecido económico. Vai ainda permitir que as empresas e indústrias económicas funcionem utilizando energia mais barata. Vai ainda reduzir os custos com a produção de energia “porque nós neste momento estamos a utilizar bastante combustível para produção de energia e, este produto é caro. Daí, resulta uma energia cara e uma distribuição pouco sustentável com os custos das operações também caros”, disse o ministro.
A construção da barragem de Caculo Cabaça é outra meta a atingir pelo Ministério da Energia e Águas . Uma vez concluída, esta barragem vai produzir 2.100 megawatts de energia, importante, tendo em conta o crescimento da economia e a estratégia de integração regional de Angola no sistema eléctrico da África Austral. “Não podemos esquecer que temos interesse na interligação com os países da região Austral de forma que a conclusão desses projectos, constitui também um dos grandes desafios”.
deste mandato.”
A extensão dos sistemas de transporte e a ligação com as regiões Centro e Sul, já em curso, visando a electrificação de várias regiões do país, com destaque para as capitais provinciais, municipais e zonas rurais na perspectiva da universalização do acesso à electricidade até 2030, constam dos objectivos a atingir pelo Executivo.
O ministro explicou que o programa do Executivo sufragado nas eleições de 2017 prevê que até 2022 se deve ter uma taxa de electrificação do país de  50 por cento.
Outro desafio apontado pelo ministro  tem a ver com a sustentabilidade do sector eléctrico. A construção de infra-estruturas implica um maior esforço na sua manutenção, na cobertura dos custos operacionais e na formação e capacitação de quadros.
A sustentabilidade do sector eléctrico vai obrigar a que se introduzam reformas na política tarifária, na Lei do Investimento Privado, para complementar o esforço de investimento que o Executivo faz, segundo o ministro.


Dinheiro
Sobre se há dinheiro para sustentar estes projectos, o ministro da Energia e Águas respondeu ser importante aproveitar a oportunidade oferecida pela crise económica, o que vai consistir na redução do papel que o Estado confere à actividade do sector da energia e água.
O ministro defende uma nova política de subsidiariedades de preços do sector para permitir que o mesmo ganhe auto-sustentabilidade, para que a capacidade de manutenção dos sistemas aumentem e as empresas se apresentem mais autónomas.

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