Fazenda no Cuito Cuanavale tem apoio do Fundo Soberano

Carlos Paulino | Longa
16 de Maio, 2017

Fotografia: Edições Novembro | Longa

A Fazenda Agro-industrial do Longa, no município do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, está a beneficiar de um financiamento do Fundo Soberano, com o propósito de dinamizar a produção de arroz em grande escala, a partir do próximo ano.

Equipada com tecnologia moderna que o mundo da produção de arroz oferece, o Executivo angolano fez em 2009/2010 um investimento inicial de 76 milhões de dólares americanos e constituiu a Fazenda Agro-industrial do Longa para servir de alternativa aos elevados custos anuais da importação deste cereal e permitir maior conforto das famílias.
A crise financeira mundial que afecta Angola está a criar embaraços ao desenvolvimento da produção de arroz, devido à escassez de divisas para aquisição de sementes a partir da China, situação que contribuiu para a redução da área de cultivo de 1.050 para 500 hectares. A colheita não deve ultrapassar as duas mil toneladas.
Por este facto, o Executivo passou a gestão da Fazenda Agro-industrial do Longa ao Fundo Soberano, desde Dezembro de 2016, com a finalidade de alavancar a produção, o segundo cereal mais consumido em todo o mundo. Em Fevereiro do corrente ano, lançou sobre os 500 hectares de terra as primeiras sementes de arroz que devem chegar à mesa do consumidor no próximo mês de Julho.
A reportagem do Jornal de Angola visitou a Fazenda Agro-Industrial do Longa e constatou que, apesar de estar em curso a sua primeira produção, o Fundo Soberano já começou a preparar a próxima campanha com o reforço das sementes, máquinas pulverizadoras, tractores e outras alfaias agrícolas, que vão servir para ampliar os campos de cultivo e aumentar os níveis de colheita. 
Actualmente, a fazenda é assegurada por 45 trabalhadores, entre técnicos agrónomos e administrativos, dos quais 44 nacionais e um expatriado. Dispõe de 28 tractores equipados com as respectivas alfaias agrícolas, 14 pivôs de irrigação linear e circular, oito bulldozers, cinco sementeiras e igual número de máquinas ceifeiras, uma pulverizadora, igual número de niveladora e cinco camiões basculantes.
A fábrica está igualmente equipada com três silos com capacidade de armazenar três mil toneladas de arroz, um forno de secagem, máquinas de descasque e embalagem com uma capacidade para empacotar 40 toneladas dia, uma área residencial para 30 trabalhadores, um posto de saúde, refeitório e dois campos multiuso, entre outros compartimentos.

Novos ventos

Depois da conclusão das infra-estruturas de apoio, instalação dos equipamentos e preparação das terras, a fazenda começou em 2012 a fazer testes a 46 variedades de arroz e apenas um, o KK-1 que tem um ciclo vegetativo de seis meses, se adaptou ao terreno e ao clima da comuna do Longa.  
Nos anos subsequentes, até princípios de 2015, as colheitas situaram-se acima das 4.500 toneladas a cada seis meses. A fábrica recebeu visitas de várias individualidades de governos de vários países do mundo, deputados, governadores de outras províncias do país, líderes de partidos políticos, membros da sociedade civil e outras entidades que elogiaram e encorajaram o Executivo pela dimensão do projecto.
A partir deste momento, o arroz produzido no Longa passou a ser comercializado com maior frequência para as províncias do Bié, Huambo, Huíla e Luanda e, através de iniciativas privadas, na Namíbia e na Zâmbia, tendo os governos dos respectivos países manifestado interesse na importação do respectivo produto, mas, em função da crise económica, a fábrica não conseguiu satisfazer a procura. 
De lá para cá, a produção do arroz ficou reduzida a duas mil toneladas e não chega para atender tantos pedidos do mercado interno, mas a intervenção do Fundo Soberano está a ser considerada uma lufada de ar fresco para a Fazenda Agro-industrial do Longa, que já começa a perspectivar uma safra além das 10 mil toneladas a cada seis meses.
O porta-voz da fazenda, Hélder Pitra, garantiu que o Fundo Soberano está a envidar esforços para que na campanha agrícola 2017/­2018, que prevê arrancar em força em Outubro do corrente ano, surjam novas áreas de cultivo e a produção se estenda além das metas preconizadas para satisfazer o mercado de consumo.
Enquanto se espera pela primeira colheita dos 500 hectares, as sementes para a próxima campanha, disse, já começaram a chegar no terreno e os equipamentos de lavoura também estão a ser reforçados, na perspectiva de um reaparecimento da fazenda à escala mundial.
 “Por este facto, estão a ser acauteladas todas as condições para que, na campanha agrícola 2017/2018, a fazenda possa retomar a sua produção normal dos 1.050 hectares e, quiçá, aumentar devido à concorrência no mercado nacional, sobretudo nesta fase que o Executivo angolano está apostado na estratégia que visa encontrar soluções para a diversificação da economia”, disse.
Fez saber que, no ano transacto, a Fazenda Agro-industrial do Longa comercializava mensalmente entre 200 e 400 toneladas de arroz e tinha como principais compradores os agentes comerciais oriundos das províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Cunene, Huambo e do Cuando Cubango.
A venda do arroz do Longa conquistou o seu espaço no mercado nacional e além-fronteiras por uma razão muito simples, a sua qualidade, e por se tratar de um produto fresco sem adição de qualquer tipo de conservante, pressupostos que concorrem para uma alimentação saudável das famílias.
“É aposta do Executivo angolano que este projecto possa realmente contribuir significativamente para a redução de importação de arroz, segurança alimentar, mais receitas para os cofres do Estado e o aumento de postos de trabalho, sobretudo para a juventude local”, disse.

Responsabilidade social

A Fazenda Agro-industrial do Longa assumiu algumas responsabilidades sociais junto das comunidades ao redor das zonas de lavoura e colocou à disposição da população sistemas de captação e tratamento de água potável, um centro de saúde e uma escola com seis salas de aula.
Está igualmente prevista a construção de um centro de formação de artes e ofícios para ministrar cursos de Informática e de Agronomia, este último para melhorar as técnicas tradicionais de cultivo utilizadas na agricultura familiar e dos efectivos que lidam com a produção de arroz. 
Consta do projecto em carteira o apoio à assistência técnica e a entrega de instrumentos agrícolas aos pequenos agricultores de arroz na comuna do Longa e a aquisição dos seus produtos para o fomento e o incentivo desta actividade, visto que a fazenda é o único empreendimento que dispõe de máquinas de descasque e de embalagem.
A reportagem do Jornal de Angola apurou que a Fazenda Agro-industrial do Longa prevê igualmente, nos próximos anos, produzir soja, milho, hortícolas, batata-doce e rena, tendo em vista os extensos terrenos férteis que circundam a fábrica,  que vão estar ­virados para a melhoria da dieta alimentar dos trabalhadores das comunidades e a ­comercialização.

Ganhos da paz

Hélder Pitra diz que a Fazenda Agro-industrial do Longa constitui um dos grandes ganhos da paz, a julgar pela dimensão dos equipamentos modernos e o estado de cobertura que se pretende no domínio da produção. É um empreendimento de se tirar o chapéu e um orgulho para a população do Cuando Cubango e do país em geral e que deixa qualquer pessoa admirada.
No passado, o local era um campo de batalha, mas, hoje, o verde das florestas e as terras férteis estão a dar lugar a novos projectos, tais como produção de arroz para alimentar milhares de pessoas. “É um verdadeiro postal de visita para quem passar no interior e arredor do projecto, que não vai se arrepender, por se tratar de um investimento muito sério que o Executivo está a fazer na comuna do Longa”, disse.
Hélder Pitra realçou que, por esta razão, a Fazenda Agro-industrial do Longa tem sido uma paragem obrigatória para muitas entidades e delegações que visitam esta região do sudeste de Angola, tendo em vista que a mesma constitui uma grande referência do Cuando Cubango no capítulo da agro-indústria. 
Pela extensão territorial do Cuando Cubango,  cerca de 200 mil quilómetros quadrados, e o enorme potencial que tem em termos de recursos hídricos e terras aráveis, a província, referiu Hélder Pitra, tem excelentes condições para que possa beneficiar de mais projectos agro-industriais de grande dimensão que possam dar resposta ao programa do Executivo de combate à fome e à pobreza e a diversificação da economia.
Na sua visão, a falta de investimentos constitui o principal empecilho para a concretização destes projectos que seriam uma mais-valia para que o país, em particular a província do Cuando Cubango, deixe de depender em grande medida de produtos oriundos de outras regiões do país e do mundo, concluiu Hélder Pitra. 

 

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