Reportagem

Fazenda Santo António na rota da diversificação da economia

Víctor Pedro e Casimiro José | Quibala

A fazenda de Santo António, na área do Tari, município da Quibala, Cuanza Sul, constitui um pólo agro-industrial. Com 5,5 mil hectares, possui segmentos de produção de milho com 3,7hectares, soja e trigo com 150 cada e hortícolas, com uma extensão de 200 hectares.

Para assegurar a produção a fazenda de Santo António tem à sua disposição uma fábrica de rações capaz de produzir milhares de toneladas por ano o que permite manter a exploração pecuária
Fotografia: Casimiro José | Edições Novembro | Cuanza Sul

A exploração pecuária começa a dar resposta às necessidades de consumo a nível nacional, com a produção de suínos, que ronda os 750 reprodutores e atinge 20.000 animais, 2.000 bovinos, que produzem também 2.000 novilhos, destinados à produção de carne. A produção de caprinos tem como objectivo o núcleo genético e a meta é a comercialização de reprodutores para outras explorações comerciais.
Para assegurar a produção, a fazenda de Santo António dispõe de uma fábrica de rações capaz de produzir 15.000 toneladas por ano. Cerca de 5.800 toneladas são consumidas todos os anos nas explorações de suínos, bovinos e caprinos da fazenda, enquanto 9.000 são comercializadas no mercado nacional. A fazenda produz ainda 10.000 toneladas de farinha de milho por ano.

Mão-de-obra local

Com várias áreas de actuação, que exigem experiência e qualificação, a Fazenda de Santo António tem grande impacto junto das comunidades da região da Quibala, pois, além de prover bens e serviços, é um grande empregador. Actualmente, tem 150 trabalhadores, dos 300 previstos.
A par da criação de emprego entre os habitantes da região, o empreendimento investe na especialização dos funcionários no manuseio de equipamentos agrícolas.
Um conjunto de acções sociais é desenvolvido no bairro Tari, de que se destacam a recuperação das instalações escolares e do centro de saúde, que beneficiam funcionários da fazenda e habitantes da região.

Dia do Campo


A Fazenda de Santo António realizou a 31 de Janeiro o Dia do Campo, em que 30 empresários nacionais do sector trocaram experiências. Foi uma oportunidade para abordar a situação do sector agro-pecuário e os seus constrangimentos. Os ministros da Agricutura, Marcos Nhunga, e da Energia e Águas, João Baptista Borges, ouviram as preocupações dos empresários, com destaque para a falta de combustíveis para os geradores, de divisas para a aquisição de equipamentos, fertilizantes e pesticidas, entre outros.

Intervenção do Estado

Na apresentação da fazenda, o empresário Fernando Teles disse que o Estado deve proporcionar aos empresários condições para investir sem sobressaltos. “A força anímica que envolve deve ser acompanhada de acções do Executivo na criação de condições de acesso, disponibilização de energia eléctrica e água para maximizarmos a produção”, disse.

Sector privado


O governador do Cuanza Sul, Eusébio Teixeira, enalteceu o papel do sector privado, a quem atribuiu um papel catalisador no desenvolvimento sócio-económico da província e do país, em geral.
“A província do Cuanza Sul, fruto do clima favorável, com solos aráveis e enormes recursos hídricos, beneficia de investimentos de grande monta, que propiciam a produção em grande escala para a redução das importações”, afirmou o governador.
Eusébio Teixeira assinalou a oferta do emprego, sobretudo, de jovens, como um grande benefício da implantação de projectos agro-pecuários na região e apelou a todos os empresários nacionais e estrangeiros para escolherem a província para realizar investimentos. O governador garantiu apoio institucional aos potenciais investidores.
O governador do Cuanza Sul, Eusébio Teixeira pediu ao Ministério de Energia e Águas a inclusão da província nas prioridades do programa de electrificação rural.
“Os projectos agro-industriais instalados na província enfrentam enormes dificuldades na obtenção de combustíveis para alimentar os grupos geradores, facto que eleva os custos de produção. Por isso, pedimos que as áreas agrícolas sejam abrangidas pelo programa de electrificação rural”, salientou.

Partilha de experiências

O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, felicitou os organizadores do Dia do Campo na Fazenda de Santo António e anunciou que a iniciativa se vai estender a outras províncias do país.
“No quadro da filosofia de trabalho, estamos hoje na fazenda de Santo António, na região da Quibala, para partilharmos um projecto de sucesso, mas vamos visitar outros projectos mal sucedidos para podermos identificar as causas do insucesso e evitar que as falhas se repitam”, disse o titular da pasta da Agricultura.
Marcos Nhunga disse que as fábricas de ração, a moagem de farinha de milho e o projecto traduzem a pujança da Fazenda de Santo António no âmbito do programa de diversificação da economia em curso no nosso país.
O ministro reconheceu que os empresários nacionais enfrentam enormes dificuldades para aceder a divisas, a fim de adquirirem equipamentos agrícolas, mas manifestou esperança na inversão do quadro actual.
“Reconhecemos as dificuldades por que passam os nossos empresários, sobretudo, a falta de divisas para adquirirem o que precisam do exterior, mas estamos certos de que não há mal que dure para sempre”, afirmou.

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