Reportagem

Fomento da agro-pecuária na província de Cabinda

Leonor Mabiala | Cabinda

O repovoamento animal em Cabinda caminha a passos lentos, mas seguros. Agricultores locais associam a criação de bois à de animais de pequeno porte, como caprinos e suínos.

Agricultores de Cabinda apostam no repovoamento animal como base fundamental para a resolução de alguns dos problemas que se colocam ao sector da agro-pecuária da região contando com o apoio do governo local
Fotografia: António Soares | Cabinda

Além das hortícolas, buscam nos palmares e na fruticultura saídas para a agro-indústria.
Frederico Tumba recebeu, em 1997, cinco bovinos do Estado, no quadro do programa de fomento da pecuária, iniciado pelo Governo Provincial de Cabinda. Hoje, soma 130 animais.
O fomento da pecuária segue lento na província, mas, de acordo com Frederico Tumba, que desenvolve um projecto agro-pecuário de 46 hectares no Vale do Yabi, a sul da cidade de Cabinda, dá passos seguros.
Os primeiros bovinos foram distribuídos pelo Estado de forma gratuita em 1997. Uns recebiam cinco, outros 15 animais. Após a reprodução, tinham de repor, para que pudessem ser entregues a outros criadores.
O programa de fomento da pecuária desenvolvido pelo Governo Provincial de Cabinda visou, sobretudo, dotar os agricultores de condições para adquirir auto-suficiência na produção de carne bovina e caprina através da multiplicação do número de animais.
Além da pecuária, Frederico Tumba desenvolve a agricultura, mas é na criação de animais que vê o futuro. Pretende ultrapassar as 200 cabeças em 2019.
“O incentivo para a criação de gado surgiu no âmbito do programa de fomento agro-pecuário no Vale do Yabi, concebido em 1997 pelo governo provincial, executado pela Direcção Provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, na vigência do ex-governador provincial José Amaro Tati”, disse.
Frederico Tumba apontou a falta de alfaias capinadeiras para a poda de capim para alimentação dos bois e da rede quadricular para a vedação da fazenda como as principais dificuldades com que se depara.
O Governo Provincial de Cabinda desenvolve, desde 1997, um programa de fomento da pecuária, que, além do gado bovino, aposta em animais de pequeno porte, como cabritos, porcos, ovelhas e aves.  De trato mais conhecido pela população local, por serem de tradição na província, os animais de pequeno porte são menos susceptíveis às enfermidades da região, sobretudo, à doença do sono.
Para desenvolver o repovoamento do gado bovino, recorreu-se, com destaque, à vizinha República Democrática do Congo, cujos animais da raça ndama são tripanotolerantes, ou seja, resistentes à doença do sono.

Produção de hortícolas


O agricultor Frederico Tumba tem à sua ordem 15 trabalhadores. Além da pecuária, dedicam-se à agricultura, com destaque para a produção de hortícolas, como tomate, pepino, couves e beringela.
Na primeira fase da presente campanha agrícola, colheu cerca de 130 toneladas de produtos diversos, vendidas na sua maioria nos mercados locais. Apesar da falta de meios mecânicos, como tractores e respectivas charruas, aproveita da melhor maneira a fertilidade da região. Tumba é um dos criadores de gado localizados no Vale do Yabi, além dos cerca de 30 agricultores, 260 camponeses e 52 famílias de ex-militares, que ocupam 200 hectares.
Para Frederico Tumba, é preciso fazer de tudo “para não ficar parado”, ainda que seja recorrer ao mercado local para comprar meios de trabalho e de produção. O saco de 50 quilos de adubo subiu de quarenta para 60 mil kwanzas no último ano. Ainda assim, tem de comprá-lo.
“Cabinda é rica em terras férteis para produzir alimentos por forma a garantir o sustento das famílias”, afirmou o agricultor, para quem é preciso “arregaçar as mangas.” Para garantir a regularidade da produção de hortícolas no período seco e chuvoso, o agricultor vai executar no Vale do Yabi um projecto para a criação de estufas. Os estudos de viabilidade já elaborados apontam para um investimento sustentável, pelo que os valores a apostar vão “ser sérios”, garantiu.

Agro-indústria


Frederico Tumba está também engajado no desenvolvimento da agro-indústria. Para tal, desenvolve a plantação de palmeiras para produção de dendém. O objectivo é o fabrico de óleo de palma.
O projecto está a ser desenvolvido no perímetro onde o agricultor realiza todas as actividades campesinas. Nesta primeira fase, pretende plantar 1.500 palmeiras.
A zona sul da província de Cabinda regista um défice de palmares e o mercado é abastecido com óleo de palma proveniente de localidades longínquas, como Dinge e a comuna de Tando-Zinze, disse o agricultor.
“E difícil encontrar uma fazenda na zona sul da província com palmeiras de médio porte”, afirmou. Por norma, as árvores são altas, “porque estão a envelhecer e o dendém começa escassear no mercado local.”
O cultivo de citrinos também consta do projecto do agricultor. Frederico Tumba cria plantações como laranjeiras e tangerineiras em larga escala, para poder, dentro de cinco anos, obter uma produção considerável de frutas para transformação em sumos.
O Vale do Yabi possui 9.500 hectares. Em Setembro de 2015, foram embargadas as construções anárquicas em curso na região, em cumprimento de uma orientação baixada pela governadora provincial, Aldina da Lomba Catembo.
O terreno foi destinado à prática de agricultura por Decreto Presidencial. De acordo com as autoridadesprovinciais, registava-se a venda ilegal de terrenos por parte dos nossos coordenadores, regedores e sobas locais, entre outros elementos.

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