Formação para jovens empresários

Edivaldo Cristóvão
14 de Abril, 2017

Fotografia: Benjamim Cândido|Edições Novembro

O Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, atraiu para o empreendedorismo, através do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP), 24.303 jovens, desde 2008.

Do total do número de jovens que beneficiaram de programas de formação, 5.528 acederam a micro créditos concedidos pelos bancos Sol, BCI e BMF, com valores a oscilarem entre 173 mil e três milhões de kwanzas.
Outros 3.250 jovens receberam kits profissionais de empreendedor, compostos por computador com software de gestão, placa solar e impressora. No âmbito da execução do programa, o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional realizou 72 palestras e seminários, visando divulgar e incentivar o empreendedorismo nos institutos médios e universidades. Até à data, participaram destas acções 49.200 alunos de todo o país.
A criação destes programas resulta da necessidade de incutir-se o espírito de empreendedorismo nos jovens e fazê-los compreender que o universo laboral existe para além da função pública e é possível transformar ideias em projectos e estes em negócios.
É nesta perspectiva que surge o Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE), criado propositadamente para apoiar os jovens nas suas iniciativas empresariais.
A par do CLESE, o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, através do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional tem vindo a implementar em todo o país outros programas que concorrem para o auto-emprego.
Os programas de “Empreendedorismo na Comunidade”, “ Micro Crédito Amigo”, “Implementação dos Serviços Municipais da Segurança Social e dos Serviços de Emprego e Empreendedorismo” são exemplos disso.
É no quadro destes programas que o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional capacitou em todo o país 24.303 jovens nas áreas de gestão de pequenos negócios, excel para empreendedores, técnicas de gestão de marketing, gestão financeira e elaboração de plano de negócios.
Neste momento, o CLESE está implantado nas províncias do Huambo, Benguela, Cabinda, Cuanza Sul, Cuanza Norte, Malanje, Moxico, Huíla, Lunda Norte e Uíge, mas o programa deve estender-se a todo o país. Desde o seu lançamento, foram criadas 135 empresas, que resultaram em 387 postos de trabalho directos e 960 indirectos.
O CLESE tem como foco principal a realização de cursos especiais de negócios e seminários, destinados a facilitar a formação de futuros empreendedores, aos quais presta acessória jurídica, contabilística e de estudo do mercado (viabilidade económica).
O CLESE efectua, ainda, serviços de intermediação entre os empreendedores, com vista a facilitar o acesso a outras instituições de capacitação profissional, agências de financiamento, associações empresariais e comerciais.

Incubadoras de empresas

 Em Maio de 2007, o Executivo criou a primeira incubadora de empresas que deu lugar ao surgimento de seis pequenas e médias empresas, albergou 5.600 jovens e criou 147 postos de trabalho.
Manuel Mbangui, chefe de departamento do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social para Área do Trabalho e Empreendedorismo, considera que as incubadoras de empresa são ferramentas importantes por ajudarem jovens com dificuldades em encontrar espaço para o início da actividade.
Na incubadora, os jovens dispõem de assessoria técnica, que os apoia na transformação dos projectos em negócios, como também na identificação dos potenciais clientes e fornecedores de bens e serviços.
A incubadora é um processo de maturação de negócios. Ajuda e dá impulso ao empreendedor para desenvolver melhor o seu projecto, com a disponibilidade de espaço e meios, bem como para a identificação de todos os pormenores necessários para dar arranque ao negócio. Muitos dos jovens que concluem a formação no CLESE prestam algum tipo de serviço na mesma instituição.
Os jovens interessados em entrar no CLESE têm de ser maiores de 18 anos e ter, pelo menos, concluído o ensino médio ou a universidade. Para quem não reúne estes requisitos, mas desenvolve algum negócio, o centro abre excepção.
Depois do processo de formação no CLESE, dentro da incubadora, os jovens são orientados a alcançar certa independência financeira que lhes permita criar o seu próprio negócio, deixando definitivamente de fora a ideia de que a única solução para o primeiro emprego está na função pública ou em empresas já consolidadas.
O CLESE surge exactamente para fornecer consultorias empresariais, apoiar futuros proprietários de negócios e empresários na tomada de decisões sadias em relação à viabilidade de criação e operação de pequenos negócios, que apoiem e fortaleçam a comunidade empresarial local, estimulando o crescimento e o rendimento de outras famílias e, consequentemente, contribuir para a evolução do crescimento da base tributária e das receitas fiscais do Estado.
Manuel Mbangui defende que o actual contexto económico do país obriga a  que o maior financiador do Estado seja o cidadão, através de contribuições fiscais.
Para empreender, o jovem tem de ter espírito de sacrifício. Inicialmente, os cursos administrados no CLESE eram de graça e o nível de desistência era muito elevado, razão pela qual o acesso passou a ser comparticipado  no interesse de engajar financeiramente os jovens na sua formação.
O chefe de departamento do Trabalho e Emprego referiu que os custos do investimento para a construção e montagem de um CLESE são elevados, daí a necessidade de os formandos pautarem pela conservação dos equipamentos.

CLESE na Lunda Norte

 O décimo CLESE foi inaugurado recentemente na província da Lunda Norte, pelo ministério da Administração do Território, Bornito de Sousa. A instituição vem dar resposta às iniciativas da juventude local interessada em investir.
No Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego da Lunda Norte, vão ser ministrados cursos de Informática, Serralharia, Carpintaria, Alumínio, Construção Civil, Canalização, Panificação, Costura Industrial, Electricidade, Informática e Reparação de Computadores. O CLESE da Luanda Norte possui uma incubadora de empresa, secretaria, sala de reuniões, sala de aula teóricas e práticas equipadas com tecnologia de ponta. O centro empregou 12 funcionários.
Outra componente dos programas de formação do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional consiste no combate à delinquência juvenil, através da ocupação racional do tempo da juventude.
O director do CLESE na Lunda Norte, Constantino António, disse que, desde a fase experimental em 2014, o centro já formou cerca de 442 jovens em diversas áreas. Destes, 43 já têm as suas empresas criadas e seis estão na incubadora à espera de espaços para começarem a executar os seus programas.
Constantino António disse que, normalmente, os jovens que se formam no CLESE da Lunda Norte têm apostado mais no sector do comércio, agricultura e criação de animais. Antes, a juventude tinha preferência pelo garimpo, mas hoje, está mais preocupada em formar-se e investir em negócios rentáveis que também garantam postos de trabalho a outros jovens.
Alfredo Vicente Pedro, um dos jovens recém-formados no CLESE, aguarda na incubadora de emprego por um espaço próprio para começar o seu negócio. Enquanto isso, trata de todo o processo burocrático para a criação da sua empresa.
Numa primeira fase, a empresa de Alfredo Vicente Pedro arranca com seis pessoas. “O CLESE surgiu como uma grande oportunidade na minha vida. O meu espírito empreendedor nasceu daqui”, afirma.
Agil Lima também está na incubadora de emprego e considera que fazer negócios sem formação não é aconselhável, porque, com formação, o risco de falência é reduzido e garante sucesso nos investimentos.
Almeida Manu, uma jovem que fez a formação e recebeu o crédito no dia da inauguração oficial do CLESE da Lunda Norte, contou ao Jornal de Angola que pretende investir numa loja de roupa, pois já tem todo o projecto arquitectado, faltando apenas receber um crédito bancário já solicitado.
Engrácia Majita, depois de cinco anos à espera, conseguiu o seu financiamento para abrir um salão de beleza e uma loja de conveniência para venda de produtos diversos.
O curso feitio no CLESE, considera, vai ajudá-la a dirigir melhor o seu negócio e a crescer na vida.
O director do micro crédito do Banco Sol, Esmeraldo Cerca, garantiu que o reembolso dos créditos está na ordem dos 80 por cento. Revelou que, inicialmente, os jovens tinham muitas dificuldades em pagar os créditos, mas este quadro melhorou significativamente.
Esmeraldo Cerca disse que para superar as dificuldades que os jovens encontram, o Banco Sol tem procurado acompanhar o plano financeiro, para que eles superem os obstáculos que encontrarem pelo caminho.

Dados estatísticos

Nos últimos anos, a função pública registou 360.381 trabalhadores e foram criados 1.200 postos de trabalho. Os sectores que mais geraram empregos são os Transportes com 232.074 lugares, Comércio com 206.839, Energia e Águas com 164.445 e Hotelaria e Turismo com 72.005. Em 2014, a taxa de emprego em Angola foi de 40 por cento.
As províncias do Cuanza Sul e Malanje apresentam as taxas mais altas. Os resultados definitivos do censo, divulgados em 2015, definem que a população economicamente activa começa aos 15 anos. Em 2004, a taxa de ocupação era de 53 por cento, sendo 61 para os homens e 45 para as mulheres.
Geograficamente, a província do Cuanza Sul tem a taxa mais elevada, com 62 por cento, seguida por Malanje com 60. Lunda Sul e Cunene apresentam as menores taxas de ocupação, com 38 e 39 por cento, respectivamente.
Dados do censo revelam que 42,2 por cento da população activa trabalha no sector primário, que inclui a agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca. O sector secundário tem uma ocupação de 6,1 por cento, nos sectores da indústria, construção, energia e águas. O sector terciário emprega 26,2 por cento da população activa nos transportes, comunicações, comércio, finanças e serviços administrativos.

Funcionamento do centro

A orientação contida no diploma é que o Executivo deve assegurar aos formandos incentivos de ordem financeira e técnica, como créditos bonificados, empréstimos e apoios técnicos, para que os mesmos possam montar o seu próprio negócio. Tais resoluções não tiveram a aplicação desejada, devido ao grau de destruição em que o país se encontrava a nível das infra-estruturas e do tecido empresarial, bem como as limitações do sector financeiro e bancário.
Com o cenário da guerra ultrapassado, o Executivo tem criado soluções para as pessoas que vivem nas aldeias, nos bairros suburbanos e nas áreas periféricas das grandes cidades, no sentido de terem meios próprios de ganhar a vida, através da produção de bens e serviços aí onde elas se encontram.
O objectivo destes programas é minimizar as dificuldades inerentes à obtenção de rendimentos por parte dos profissionais de artes e ofícios em todo o país; elevar a oferta de bens e serviços às comunidades, com valor agregado, proporcionando oportunidades de emprego e de formação profissional em contexto real de trabalho, aos jovens e demais grupos mais vulneráveis.
Estudos realizados apontaram que 80 por cento das empresas criadas por pessoas com um mínimo de seis meses de estudo (empreendedorismo) se mantinham em funcionamento após cinco anos. Dos empresários que iniciaram negócios sem nenhum preparo, apenas 40 por cento sobreviveram no mesmo período.
Em Luanda, foram criados programas nos centros de empreendedorismo do Kikolo, Cazenga e Viana.
O programa de Empreendedorismo na Comunidade é de capacitação empresarial, em parceria com as administrações municipais a nível nacional, que aborda matérias sobre noções básicas de empreendedorismo, gestão de pequenos negócios e de micro crédito.
O objectivo desde programa proporciona aos (potenciais) empreendedores acções de capacitação em noções sobre empreendedorismo, gestão de pequenos negócios e de micro crédito; complemento das acções de formação profissional em contexto real de trabalho; concessão de kits de ferramentas a micro, pequenas e médias empresas.
O público-alvo de acesso aos programas de financiamento em regime de micro crédito são jovens que frequentam ou são provenientes dos centros de formação profissional, institutos públicos ou privados, universidades, empreendedores das comunidades que desenvolvem actividades geradoras de rendimento (carpintarias, serralharias, cantinas, vendedores, engraxadores, discotecários, recauchutagens, pastelarias, oficinas de mecânica e alfaiatarias).

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