Reportagem

Futuro da Força Aérea Angolana passa pela Academia Militar

Fula Martins | Catumbela

A Força Aérea Nacional, por meio da Academia Militar, pretende formar, em cinco anos, 250 a 300 cadetes.
A instituição de ensino superior está vocacionada para a formação de oficiais para o quadro permanente da Força Aérea.

A instituição ministra três cursos nas especialidades de pilotos-aviadores e administração aeronáutica
Fotografia: Cedida

Estão em pleno funcionamento, entre outras, as áreas de piloto-aviadores, administração aeronáutica, bem como de especialistas das distintas armas como Radiotécnica, Defesa Anti-Aérea, Operações Aéreas e Controladores do Tráfego Aéreo.
Localizado no município da Catumbela, o estabelecimento de ensino surgiu no quadro do processo de reedificação e modernização das Forças Armadas Angolanas, que comporta vários equipamentos e infra-estruturas complementares, com o objectivo de formar cadetes na fase de licenciatura e posteriormente no grau de mestrado.
O tenente-general João de Oliveira Borges, comandante da Academia da Força Aérea Nacional, disse ao Jornal de Angola que a instituição funciona há três anos. Neste momento estão matriculados 111 cadetes. Destes estão os cadetes do 2º, 3º e 4º ano.
Para o presente ano, a instituição vai receber 55 cadetes que, para o ingresso, passaram por um processo de selecção bastante rigoroso, sendo apurados os que oferecem garantias e competências para suportarem os dez semestres lectivos (cinco anos) que comporta a formação.
“Vamos receber 55 cadetes conforme a orientação do comando superior, porque a Força Aérea Nacional é um ramo pouco numeroso e pretendemos dar uma formação de acordo com a quantidade dos efectivos existentes no ramo”, disse João de Oliveira Borges, revelando que nos cincos anos de formação pretendem ter entre 250 a 300 cadetes ou mais, de acordo com o número preconizado pelo comando superior da Força Aérea.
A qualidade dos candidatos é um factor a ter em conta no recrutamento e selecção dos cadetes. Os candidatos devem ter  no máximo 20 anos de idade e a 12ª classe concluída, com preferência para os formados em Ciências Exactas, com médias de excelência. A formação dos cadetes na Academia da FAN vai assentar, segundo tenente-general João Borges, em três vertentes: “a formação académica e militar e a parte reservada à educação física, que é de extrema importância para os futuros quadros militares”.

Ingresso na Academia

O regime de admissão dos cadetes aos cursos da Academia da Força Aérea Nacional é idêntico ao estabelecido para as instituições de ensino superior público universitário, sem prejuízo dos requisitos específicos inerentes ao ingresso numa academia militar. Foi anunciado mediante abertura de um concurso público a nível nacional, divulgado pelos órgãos de difusão massiva. A admissão de alunos é realizada por intermédio do concurso documental e de prestação de provas, a que podem concorrer cidadãos civis e militares do ramo das Forças
O tenente-general da Força Aérea explicou que os candidatos admitidos são submetidos a várias provas de selecção com destaque para provas de avaliação de conhecimentos; avaliação da condição física antecedidas de avaliação geral do estado de saúde; provas psicotécnicas; inspecções médicas, teste vocacional de voo, para os candidatos ao curso de piloto-aviador e prova de aptidão militar.  “Podem ingressar na Academia todos os cadetes e militares incorporados nas Forças Armadas Angolanas que pretendem ter um nível de formação com o grau de licenciatura e mestrado”, garantiu.
Um dos requisitos, disse João Oliveira Borges, é ser angolano, ter a 12ª classe concluída ou  frequência  universitária e não ter idade superior a 20 anos. “A Academia vai receber cadetes e candidatos que se incorporaram nas FAA até aos 20 anos de idade que tenham frequentado cursos de Ciências Exactas, Físicas e Biológicas ou cursos técnicos”, disse.
Para o curso de piloto- aviador, o cadete deve ingressar com 19 anos, isto porque não devem ter 25 anos de idade durante a formação. “A formação na Academia tem a duração de cinco anos e como tal, levamos em consideração a idade dos cadetes”, recomendou.

Cursos
A instituição ministra três cursos nas especialidades de pilotos-aviadores, que é fundamental na Força Aérea, administração aeronáutica, que compreende três valências, “Recursos Humanos, Intendência e Finanças” e licenciatura na área de Comando de Radares e comandantes de Defesa Anti-Aérea e comandantes das Forças de Rádio Técnica.O tenente-general João Oliveira Borges referiu que os cursos de licenciatura na Academia são constituídos por sete componentes, formação científica das Ciências Exactas, formação técnica e tecnológica, formação comportamental, preparação física e de formação militar, actividades complementares (exercícios, ciclos de conferências), actividades aéreas (para o curso de piloto-aviador) e actividades extra-escolares.
 
Comando Táctico

O tenente-general João de Oliveira Borges garantiu que, 19 cadetes do 4º ano começam no próximo ano a defender as suas monografias e a fazerem estágios dos cursos de administração aeronáutica e Comando Táctico.
O director da Academia da FAN disse que os cadetes do 4º ano do curso de pilotagem foram enviados para a Rússia para frequentarem os cursos que ali estão ­disponíveis.
O ano de 2020 é a data provável para a cerimónia de atribuição de diplomas aos primeiros licenciados da Academia da Força Aérea Nacional. “Somos uma instituição nova no seio da Força Aérea, que está afirmar-se no sistema de ensino das Forças Armadas Angolanas”.

Corpo docente
João Oliveira Borges garantiu que a instituição conta com um grande número de docentes licenciados e mestres que asseguram o normal funcionamento da Academia. 
A instituição conseguiu captar docentes a partir da Região Académica Sul, que colaboram com assessores cubanos e portugueses. Já foi realizado o conselho científico e pedagógico da Academia, onde se aprovou os planos de estudo, currículos e os programas de avaliação, que contou com a presença e colaboração dos docentes da praça universitária de Benguela.

Infra-estrutura
Do ponto de vista da infra-estrutura, a Academia da FAN conta com oito salas de aula, laboratórios, dormitórios, refeitórios, ginásios, polígono para aulas de educação física específica, locais de lazer, entre outros, havendo perspectivas de crescimento gradual.
Sobre a preparação teórica e material didáctico, o tenente-general João Oliveira Borges disse que estão garantidas e contam com o apoio do Comando da Força Aérea. A instituição está bem servida. Conta com duas bibliotecas equipadas com Internet ligada ao sistema de banda larga, bem como área gráfica, vocacionada para a impressão de livros e outros documentos de gestão corrente da instituição.
“Uma instituição deste nível tem de possuir essa quantidade de informação e meios de pesquisa para os formandos poderem acompanhar o processo de aprendizagem”, disse.

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