Reportagem

Garantida a qualidade dos produtos à mesa

João Dias |

Um “exército” treinado para impedir que produtos alimentares impróprios para o consumo vão parar à mesa das famílias angolanas está destacado para trabalhar no Laboratório Agro-Alimentar, onde devem ser feitas 40 mil análises mensais em dez mil amostras.

Ministro da Agricultura e o governador da província de Luanda atentos às explicações dos técnicos sobre como é feito o controlo de qualidade dos produtos no laboratório
Fotografia: Santos Pedro

Um “exército” treinado para impedir que produtos alimentares impróprios para o consumo vão parar à mesa das famílias angolanas está destacado para trabalhar no Laboratório Agro-Alimentar, onde devem ser feitas 40 mil análises mensais em dez mil amostras.
São 70 jovens, muitos formados pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto (UAN), que vão todos os dias garantir a qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor.
Elsa Barber, directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), está satisfeita com a abertura do Laboratório Central Agro-Alimentar, “porque ganha o país e ganham os consumidores, fundamentalmente na saúde, que fica melhor protegida”. O Vice-ministro da Saúde, Carlos Alberto Masseca, vê nos alimentos umas das principais fontes de doenças. “O laboratório vai impedir que alimentos sem qualidade entrem no mercado nacional. Isso reduz o número de pessoas que procura os serviços de saúde”, referiu o vice-ministro.
Carlos Alberto Masseca revelou que umas das principais causas nas urgências são complicações de febre tifóide, que deriva da má qualidade dos alimentos, embora dependa também da higiene das pessoas. “O simples acto de lavar as mãos evita tal situação”, sublinhou.

Disciplina aos importadores

O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Afonso Pedro Canga, que cortou a fita e descerrou a placa comemorativa da inauguração do Laboratório Central Agro-Alimentar, disse que o laboratório evita que a população consuma alimentos contaminados e também disciplina os importadores.  Garantir maior qualidade nas análises dos produtos alimentares consumidos pela população, é um objectivo que o ministro leva a sério. O laboratório obedece a todos os requisitos exigidos a um centro de referência: “este laboratório está ligado a várias universidades e centros dos países da SADC e da União Europeia, que possuem a mesma capacidade”, explicou o ministro Afonso Pedro Canga.
Serviços semelhantes são prestados às províncias de Benguela, Huambo, Huíla, Cabinda, Namibe, numa altura em que o Executivo pretende ampliar a rede de laboratórios em todo o país. Num investimento de quatro milhões de dólares, o laboratório Central Agro-Alimentar conta com equipamentos modernos, tem uma dimensão de 1.200 metros quadrados e emprega 70 profissionais, dos quais 40 técnicos de laboratório.
O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas trabalha em parceria com a Polícia Económica, os Ministérios da Saúde e do Comércio e o INADEC. As parcerias institucionais estão concretizadas e o trabalho do laboratório fica facilitado.
De acordo com o seu director, José Correia Cabral, a infra-estrutura reforça o desenvolvimento das actividades, conferindo segurança aos alimentos em todo país. “A partir deste laboratório a segurança alimentar fica salvaguardada. Estão criadas as condições para isso”, referiu.
José Cabral revelou que em breve o projecto deve permitir que os produtores nacionais façam exportação dos seus alimentos com segurança e certificação internacional.

Jovens dão cartas

O processo de análise dos alimentos exige a existência de muitos técnicos qualificados. A recolha das amostras e a leitura dos dados bacteriológicos exigem a dedicação de muitos jovens formados na área. São 40 técnicos de laboratório, um número que deve subir face às necessidades do país.
Luísa Celeste é técnica de físico-química. Define a quantidade de matéria orgânica e inorgânica nos produtos alimentares. “Estou a determinar a matéria inorgânica e humidade, que é medida na chamada placa de Petri. Existem padrões para determinar se a quantidade de matéria orgânica e inorgânica torna o alimento próprio ou impróprio para o consumo”, disse a técnica.
Na vasta sala estão diversos aparelhos, estranhos para quem nada sabe sobre técnicas de laboratório.
João Firmino fala dos seus dias no laboratório e revela satisfação por estar naquela sala, diante da campânula para ajudar a prevenir doenças derivadas da contaminação dos alimentos.
Diz que naquela sala está o futuro e que por isso, a dedicação deve ser a chave de todas as actividades. 
A técnica de microbiologia, Madalena Fortunato, tem seis anos dedicados ao ramo. No Laboratório Central, Madalena Fortunato trabalha para determinar a existência ou inexistência de bactérias nocivas nos alimentos.
As amostras, explicou, são colocadas numa estufa, que favorece o crescimento das bactérias. Depois de 24 horas é possível determinar se há ou não micro-organismos perigosos no produto.
Maria Susana, bióloga, revela, a nossa reportagem, a sua satisfação em trabalhar num projecto que considera crucial na salvaguarda e garantia da segurança alimentar:  “estou feliz por trabalhar aqui, após uma formação de três meses com técnicos espanhóis”.
A bióloga diz  que vai trabalhar no sentido de garantir alimentos de qualidade à mesa dos angolanos.  “Faço a determinação dos micro-organismos nos alimentos”, referiu e explicou à nossa reportagem que existe um padrão que define a margem mínima de micro-organismos nos alimentos. Com isso, é possível determinar se o produto é ou não consumível.
Caso, sublinhou Maria Suzana, se detecte que o produto está contaminado, é enviado para a Polícia Económica para os devidos efeitos.

Controlo total

Paulo Adão, processador de dados, é o responsável pela determinação de colónias nos alimentos. “Depois da contagem temos um número exacto de colónias. Quando o número for inferior a dez colónias, quer dizer que o alimento é próprio para consumo”, explicou.
“O nosso objectivo é garantir que o alimento chegue com boa qualidade à mesa das famílias angolanas”, acrescentou Paulo Adão.
A responsável pela área de microbiologia, Feliciana Djambela , 48 anos, disse que a partir da abertura do Laboratório Central Agro-Alimentar “as coisas passam a ser diferentes, pois não colhemos amostras apenas nos supermercados mas vamos estender a nossa tarefa aos armazéns dos importadores e até aos mercados informais”.

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