Gestão eficaz e inteligente dos recursos energéticos

João Dias |
8 de Outubro, 2013

Fotografia: Dombele Bernardo

A Conferência Internacional sobre Energia e Águas, que decorreu em Luanda, foi fértil em temas da actualidade. Sustentabilidade, ambiente e tecnologias para o sector da energia e águas constituíram a tónica dominante das  30 comunicações, apresentadas por professores catedráticos, jubilados e muitos doutorados de universidades internacionais de referência.

O Centro de Convenções de Talatona foi “palco”  de temas voltados para a questão da energia e da água. O fornecimento regular e racional de energia e água, e os meios para atingir tais níveis, foram as questões mais debatidas nesta primeira conferência internacional, organizada pelo Ministério da E­nergia e Águas.
 Cada orador trouxe a sua visão e muitos deixaram soluções práticas O professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, Luís Veiga da Cunha, abordou a “Gestão Global da Água num Mundo em Transformação”, deixando um importante aviso sobre a necessidade de a humanidade usar racionalmente os recursos hídricos. O tema é actual e a sala ouviu com atenção.
O professor fala da evolução da população mundial e da implicação que tem no processo de captação de água, da necessidade de “governança global da água”, uma questão que envolve um conjunto de sistemas políticos, sociais, económicos e administrativos.
 Luís Veiga da Cunha afirmou que a “governança global” da água visa o desenvolvimento e gestão dos recursos hídricos e a disponibilização dos seus serviços, a diferentes níveis da sociedade, adiantando existirem três aspectos cruciais condicionantes da futura gestão da água, “a utilização directa e indirecta da água, a importância do uso da água no sector agrícola e o crescimento futuro dos padrões médios de vida. Os níveis de governança devem dar-se local, regional e globalmente”.
O professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa falou também da criação de uma nova época geológica, chamando a atenção para existência de uma nova situação, que considera de “perigo inesperado” e que reside no facto de o homem estar a transformar a atmosfera, a empobrecer a biosfera, a alterar a litosfera e a modificar a hidrosfera de modo vertiginoso e irreflectido.
O homem, como força importante da Terra, é capaz de interferir com os recursos naturais. “Devia fazê-lo em prol da sustentabilidade”, referiu Luís Veiga da Cunha, que defendeu a “dessalinização” da água do mar, como solução para a escassez da água doce em determinadas regiões, onde é também difícil o seu acesso, como acontece no  Médio Oriente , na Austrália e nas Caraibas.
A água dessalinizada é usada em navios transatlânticos e submarinos  para consumo humano ou irrigação. “É uma solução a ter em conta, apesar de onerosa”, disse o professor.
A engenheira ambiental Madalena Dray, com uma prelecção mais voltada para a sustentabilidade, disse que é  “é fundamental, actualmente contar com a contribuição de hidroeléctricas e barragens para o desenvolvimento sustentável em África, numa altura em que a questão ambiental consta da agenda de muitos Estados”.

Barragens e sustentabilidade

Madalena Dray debruçou-se sobre as vantagens dos aproveitamentos hidroeléctricos referindo que eles têm impulsionado o desenvolvimento económico de diversos países, assegurando o fornecimento de energia eléctrica a vários sectores da actividade económica.
A professora disse que os aproveitamentos hídricos geram energia renovável com um baixo nível de emissão de gases com efeito de estufa, comparativamente a outras formas de geração de energia.
 Sublinhou que os reservatórios de água proporcionam diversos  usos, com realce para gestão de cheias e mitigação de secas, irrigação e produção alimentar, abastecimento de água a populações e actividades económicas, navegação e manutenção de serviços ambientais.
Madalena Dray reflectiu sobre  o sector das hidroeléctricas e barragens, defendendo um melhor o desempenho por parte dos governos, investidores, construtores e operadores de hidroeléctricas e barragens.  Sobre a promoção do desenvolvimento hidroeléctrico de forma sustentável, a engenheira ­ambiental, disse que devem ser seguidas as políticas e directrizes de sustentabilidade, ajustadas aos contextos nacionais.

Energia por habitante

O fornecimento de energia deve ser rigorosamente planeado, com a participação das   comunidades afectadas, dando   especial atenção a comunidades vulneráveis. O “Sistema eléctrico angolano - Uma visão complementar” foi o tema apresentado pelo professor catedrático Adolfo Steiger-Garção e pelo professor associado do Universidade Nova de Lisboa, Francisco Reis.
 Relativamente à energia, os oradores afirmaram que em 2013 a potência disponível é de 40 W/habitante (hídrica) e 42W/habitante (térmica), devendo haver um crescimento para 101W/habitante em 2015. Os dois professores precisaram que as províncias de Cabinda, Zaire e Uíge têm uma média de 206 W/ habitantes e as províncias de Luanda, Bengo, Kwanza Norte e Malange tem uma média de 202W/habitante.
Já Benguela, Kwanza-Sul, Huambo e Bié, têm uma média de 7W/habitante, enquanto as províncias de Namibe, Huíla, Cunene e Kuando Kubango tem uma média de 28W/­habitante.  O agrupamento das províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico tem uma média de 31W/habitante.

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