Reportagem

Gigante africano escolhe o próximo Presidente

A Nigéria, o país mais populoso de África, com 200 milhões de habitantes, e primeira potência petrolífera do continente, elege amanhã o Presidente, entre o incumbente, Muhammadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar, noticiou a Lusa.

Fotografia: DR

Ao longo do último mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal partido da oposição, percorreram os 36 Estados do país, com recordes históricos de participações nos comícios, num sinal, segundo muitos especialistas e observadores, do abrandamento económico e da pobreza crescente, mais do que da popularidade de qualquer um dos dois pouco carismáticos candidatos.
Os comícios são antes de tudo uma oportunidade oferecida a muitos para se alimentarem, fazerem algum dinheiro, ou receberem os "presentes" lançados às multidões pelas equipas de campanha.
O país caiu na recessão económica entre 2016 e 2017, pouco depois da chegada ao poder de Muhammadu Buhari - que foi eleito em 2015 com a promessa de colocar o país a crescer 10 por cento ao ano -, muito por força da queda dos preços do petróleo. A recuperação é ainda muito tímida. O Produto Interno Bruto (PIB) nigeriano cresceu apenas 1,9 por cento em 2018, de acordo com dados conhecidos hoje, e o Fundo Monetário Internacional estima que voltará a ser da mesma ordem (2 por cento) em 2019.

Milhões a viver abaixo dos níveis da pobreza
O gigante africano é hoje o país que regista um maior número de pessoas a viver abaixo do estado de pobreza extrema (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o barómetro do World Poverty Clock.
"Meter a Nigéria a trabalhar outra vez ('Make Nigeria work again')" é o lema de Abubakar, que joga a carta da recuperação económica como principal trunfo diferenciador na sua quarta tentativa de ocupar o mais alto cargo da Nação.
Antigo vice-Presidente e empresário próspero, Abubakar defende uma política liberal para retirar a Nigéria da anemia económica, por exemplo, através da privatização de parte da companhia nacional de petróleo nigeriana, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), ou da flutuação da moeda, o naira.
Já Buhari defende o intervencionismo do Estado, a começar pelo banco central, através da fixação das taxas de câmbio, por exemplo, interditando as importações, ou estimulando o micro-crédito, com um programa de pequenos empréstimos livres de colaterais, de 24 a 75 euros, o "Trader Moni", dirigido a dois milhões de pequenos comerciantes.
Abubakar fala para os mercados internacionais e a sua vitória, admitem analistas citados por várias agências, poderá finalmente inverter a tendência que faz da bolsa de valores nigeriana a que mais valor perdeu em todo o mundo desde que Buhari foi eleito.
A reputação de Abubakar está, porém, manchada por acusações persistentes de corrupção, que o próprio desmente com igual insistência, pelo que o cepticismo segue de mãos dadas com o optimismo dos investidores internacionais, e esta não é a melhor perspectiva para um país que viu o investimento directo estrangeiro cair para menos de metade dos valores verificados no início da década.

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