Reportagem

Granitos do Namibe e Benguela dinamizam produção

Arão Martins | Lubango

As empresas que trabalham na transformação e exploração do granito e das rochas ornamentais têm um papel fundamental na economia no país. Na província da Huíla existem 16 empresas a explorar  a pedra. Muitas optam por exportar as rochas para serem transformadas, o que representa a entrada de valores na economia provincial e nacional.

A Emanha é uma empresa nacional transformadora de granito e pioneira da nova era da industrialização de Angola resultado da conquista da paz
Fotografia: Edições Novembro | Huíla

Ao empregar pessoas que nunca tiveram emprego, e que passam a ter  capacidade de subsistência com os salários que auferem nessas empresas, há uma contribuição para melhorar as condições sociais dos trabalhadores. A preocupação do Executivo é  continuar a incentivar a participação do empresariado nacional nesta actividade.
A Emanha é uma empresa nacional transformadora de granito e pioneira da nova era da industrialização de Angola, resultado da conquista da Independência Nacional e da paz.

Baixa das encomendas
 
As encomendas da produção feita pela Emanha baixaram em mais de 50 por cento,   disse o sócio gerente, Henriques Carriço. “Não posso estimar  a queda, mas posso dizer que as encomendas caíram mais se 50 por cento. Continuamos a receber pedidos de orçamentos significativos, mas esses orçamentos não se traduzem em encomendas”, disse Henriques Carriço, que acrescentou:
“Tínhamos dificuldades de responder às solicitações no ano passado.” Apesar do actual contexto, a  empresa de referência de transformação de granito negro continua muito activa e o segredo apontado por Henriques Carriço está no aproveitamento de todas as oportunidades que surgem.
“Neste momento para sairmos da crise,  estamos a procurar começar a exportar. Estamos a trabalhar neste sentido”, disse  Henriques Carriço que informou que com a baixa das encomendas, o nível de facturação também baixou substancialmente. “Nesta altura estamos mais virados para as despesas correntes para os salários.” 
Os técnicos angolanos participam na manutenção dos equipamentos.   Antes, havia  necessidade de recorrer com frequência a técnicos estrangeiros para manter a operacionalidade dos equipamentos. “A situação está invertida por falta das divisas e existem  máquinas paradas. Como o número de encomendas diminuiu, estamos a procurar equilibrar a situação, com a esperança de dias melhores.”  
 
Integração positiva
 
A integração dos granitos cinza de origem Caraculo e Rosa, da Lucira, ambos da província do Namibe, bem como do calcário Acácia Morena de origem, na província de Benguela, valorizam a produção nacional. “A actividade está a funcionar com sucesso e surge em função dos arquitectos das obras e  dos produtos que temos para oferecer, que são originários do Namibe, Benguela e Huíla. O mercado de consumo escolhe e nós respondemos com a demanda”, garantiu Henriques Carriço.
As empresas do ramo procuram actuar no sector da agricultura.

 Projecto agropecuário

Há dois anos que a direcção da empresa de transformação do granito negro procura diversificar a actividade. Henriques Carriço precisou que com este propósito foi criada, no município da Matala, uma fazenda com 12 hectares para a produção de milho.
Na fazenda, referiu, foi já instalada uma moagem e plantado milho em realidade concreta. Acrescentou que, neste momento, está na fase de expansão a área de agricultura.
Mais de 30 jovens, entre técnicos agrários e outros quadros nacionais conseguiram o seu primeiro posto de trabalho no projecto agropecuário instalado no município da Matala.
“Tínhamos um pivô na ordem dos 12,5 hectares e agora vão ser instalados dois pivôs com capacidade de irrigar 100 hectares (50 hectares cada um). Vamos aumentar em dez vezes mais a capacidade de produção de milho, ginguba, batata e outros, com uma média de oito toneladas por hectares, referiu Henriques Carriço.
 
Solicitações garantidas
 
Além do mármore e ladrilho, a Emanha produz em grande escala campas com diversas qualidades e tamanhos. O sócio-gerente garantiu que a empresa está preparada para responder qualquer tipo de encomenda. Henriques Carriço disse que no passado, a empresa respondeu todo tipo de encomendas da construção civil.
 
Calcário melhorado
 
Uma pedreira foi aberta na província de Benguela para explorar calcário com dois objectivos: o primeiro é produzir blocos de rochas ornamentais, o que faz parte do programa da diversificação da economia e da oferta da própria empresa, porque mói-se esse produto para a correcção da acidez dos solos agrícolas.  A introdução de métodos de correcção de solos tem por objectivo fazer com que os níveis de produção e colheita sejam melhorados. “Tem sido aposta do Executivo de aumentar a renda das famílias com a atenção que se presta na área da agricultura e a correcção da acidez dos solos agrícolas é importante”, disse Henriques Carriço.
 É reconhecido que a maior parte dos solos agrícolas ainda tenham ácido, o que faz com que nem sempre a produção se desenvolve em pleno, e precisam de correctores da acidez. É o que se está a produzir em Benguela. Já se lançou e começou-se a produzir, o que vai fazer com as terras sejam mais férteis para produzir alimentos e se aumente a renda das famílias. O produto, que é fino ao ser incorporado no solo, tenha uma interacção com solo muito rapidamente, para melhorar a acidez. A melhoria do solo é extensiva às outras Províncias.
Na província de Benguela, indicou como exemplo, é onde o material é extraído e transformado, mas há capacidade de se fornecer para todas as Províncias do país. A primeira experiência aconteceu com o envio de quantidades elevadas para a província do Cuanza Norte e na Huíla, sobretudo nas fazendas da Matala.

Apoio do Executivo

O apoio que o Executivo está a proporcionar às empresas nacionais na produção e transformação dos produtos na Huíla está a incentivar a variedade das actividades que contribuem para a diversificação da economia do país.
A directora provincial da Indústria da Huíla, Paula Joaquim, disse que o incentivo faz com que as empresas da nova Angola industrializada prestem o máximo para o crescimento e desenvolvimento do país.
A Emanha já foi distinguida  várias vezes com diplomas de méritos, fruto da qualidade e contributo que tem dado no processo de reconstrução nacional e desenvolvimento do país. “Temos certificados internacionais e nacionais de qualidade. A certificação feita é baseada em normais internacionais no aspecto de organização e métodos de produção na transformação da pedra. Para nós é uma grande referência, porque todos os anos decorre a reavaliação. Não é algo que se consegue e termina. Todos os anos há um processo de reavaliação para ver se as exigências estabelecidas estão a ser cumpridas.”  
No início, a Emanha exportou  para a Europa, através de Portugal. A partir do momento em que o país entrou na fase de reconstrução começou  a sentir-se maior pressão no mercado interno nacional e não fazia sentido estar a exportar, quando o mercado nacional podia absorver toda a produção. Com a crise, houve também uma retracção de países como Portugal, Espanha, Itália e França.
Já se nota a utilização de pedras calcetadas na pavimentação de algumas ruas, não só da cidade do Lubango, mas também de outras Províncias, a responsável disse que a  utilizar a pedra, a durabilidade vai ser também a da pedra.
O ganho vai fazer com que muitas gerações tenham a oportunidade de usufruir desta qualidade. Há exemplos concretos de países que utilizaram esses sistemas e hoje estão lá. Grandes cidades europeias têm ruas calcetadas. Este sistema permite absorver água e provocam equilíbrio. É uma boa técnica, como esclareceu Paula Joaquim. A incorporação dos granitos cinza e rosa, provenientes do Caraculo e Lúcira, província do Namibe, e do calcário acácia morena, de origem Uche-Benguela, a par do granito negro, do Tchicuatite, município da Chibia, está a valorizar a produção nacional e dinamizar o processo de diversificação da economia, das acções da Empresa de Transformação de Granito Negro (Emanha), na província da Huíla.
O surgimento da empresa permitiu criar mais de 50 postos de trabalhos directos, a jovens oriundos dos 14 municípios que compõem a província da Huíla, e das províncias do Namibe, Cunene, Benguela, Luanda, Bié e outros.
Mário Jorge, 37 anos, trabalha na empresa há mais de um. Operador do monitor da máquina de talha blocos e de grua, mostra-se orgulho em ter o primeiro emprego.
“Trabalho com a máquina talhadora de bloco que depois transfere na zona de embelezamento, para de seguida ir à cantaria onde são feitas peças de mosaico a medida desejada”, disse. O trabalho na fábrica, reconheceu Mário Jorge, está controlado. Natural de Luanda, Mário Jorge, disse que já participou numa empresa de construção civil na capital do país. 
Ricardo Figueiredo, 32 anos, é outro trabalhador que encontrou o seu ganha-pão, na Emanha-Huíla. Funcionário há quatro anos, exerce as funções de operador de máquina polidora. Para ele, a máquina polidora tem a função de colocar brilho na pedra, para tornar mais atractiva.
Os colegas,  disse Ricardo Figueiredo, trabalham em equipa. “Ninguém fica parado. Quando alguém fica parado, os colegas e os membros da direcção motivam para que o processo de produção decorra com sucesso. Somos uma família”, disse. “Já comprei  uma junta de gado bovino no município de Caconda, que estão a ajudar os pais no processo de produção de alimento”, referiu Ricardo Figueiredo.
Bernardo Francisco, funcionário da Emanha há 16 anos, é operador de máquina que transforma o granito em mármore. Além do ganha-pão diário, a funcionalidade da Emanha também proporcionou aos trabalhadores funcionar com equipamento de tecnologia de ponta.
Todo o processo de produção e transformação de granito negro em mármore e mosaico é coordenado. Nem sempre as chapas saem com efeitos desejados. Nem todas chapas vêm com dez metros. Algumas têm 12 e outras  14 metros de espessura e o manejo da máquina rectifica a espessura parta ter medida certa e fica tudo alinhado.
António Ndala Cassanga, 32 anos, é também um dos mais antigos trabalhadores ao contabilizar nove anos como técnico básico na área de cantaria, que tem como responsabilidade fazer os acabamentos.
A furação dos tampos, cortes e desenhos de campa e cabeceira, é um trabalho que António Ndala Cassanga faz com muita perfeição.
Maria Tchimboto, 36 anos, veio  da Província do Namibe. Funcionária da Emanha há seis anos, ocupa a função de embaladora de mosaico. “Verifico as peças se estão dentro da esquadrilha. Eu é que faço esse trabalho e gosto do que faço”, confessou com uma certa emoção. Na empresa, Maria Tchimboto, é conhecida pela acção solidária de ajuda às trabalhadoras mães jovens.
Em entrevista ao Jornal de Angola, Maria Tchimboto afirmou que o esposo gosta do trabalho que ela faz, porque além da produção, está a ganhar experiência no mercado de trabalho.  A política da qualidade faz do dia-a-dia dos trabalhadores o desafio principal, no processo de produção do material que se destina a vários pontos do país. O sorriso no semblante dos trabalhadores é um ponto assente que a equipa de reportagem do Jornal de Angola, divisou. O sócio-gerente da empresa reconheceu que o sorriso dos trabalhadores se deve ao   cumprimento com os salários.
A política de qualidade da Emanha, situada na zona da Mukanka, arredores da cidade do Lubango, visa a melhoria contínua de processos e produtos. O sócio-gerente da Emanha  explicou, que a incorporação de novas matrizes de produção de granito, está assente no processo de valorização da produção nacional e de diversificar a economia de forma aceitável, um desiderato que continua a ser incentivado pelo Executivo.
 
Obras nacionais
 
O contributo no processo de reconstrução nacional é um facto. A empresa tem fornecido material de construção civil no mercado nacional. Todas as grandes empresas de construção civil já trabalharam com a Emanha, entre as quais a Omatapalo e a Mota Engil. São dezenas de empresas que já utilizaram os produtos locais. É por intermédio da banca, que os produtos produzidos na Huíla estão presentes em todas as províncias do país, como afirmou Henriques Carriço, que cita como exemplos as obras que ostentam o material feito ali, a construção dos estádios de futebol que albergaram o Campeonato Africano das Nações (CAN-2010) e o Aeroporto Internacional da Mukanka.

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