Reportagem

Guerra aos plásticos mobiliza o Mundo

Osvaldo Gonçalves

Supermercados em todo o Mundo dão passos em frente na luta contra os plásticos, considerados pelas Nações Unidas como o maior desafio ambiental do século XXI.

Criado no fim do século XIX, para substituir produtos feitos a partir do marfim dos elefantes, o plástico, que começou a ser feito com celulose, passou a ser produzido a partir do petróleo, tornando-se mais barato e de melhor qualidade e durabilidade.

Contudo, esse material, que foi criado para salvar vidas animais, é hoje responsável pela morte de 100 mil de criaturas marinhas todos os anos. Os números são alarmantes: anualmente, entre oito e 13 toneladas de plástico chegam aos oceanos e mais de 40 por cento de todo o material produzido durante os últimos 150 anos foi usado uma única vez antes de ser descartado, menos de um quinto foi reaproveita-do e apenas nove por cento reciclado.
Entre o lixo encontrado nos oceanos, estão sacos plásticos, redes de pesca, palhinhas, tampinhas, camisinhas de vênus, fraldas descartáveis, beatas de cigarro, lentes de contacto e, claro, garrafas de plástico, que, de acordo com as estimativas, são produzidas à razão de um milhão por minuto. Caso a tendência mantenha os níveis actuais, em 2050, a produção de plásticos será de 33 mil milhões de toneladas, pelo que se calcula que haverá mais plástico que peixes nos oceanos.
Como principais factores que contribuem para a situação em que se vive hoje, são apontados, em primeiro lugar, o consumidor e, a seguir, o sec-
tor pesqueiro. São também referidas a fragilidade da le-gislação e a gestão inadequada dos resíduos sólidos e das em-presas do sector.

Importância da reciclagem

A substituição dos sacos de plástico por outro tipo de em-balagens prossegue de acor-do com o clima e os materiais disponíveis em cada país e em cada região. Os supermercados asiáticos vão à frente nessa luta e são usadas, sobretudo, folhas de bananeira para embrulhar frutas e vegetais.
Esses eram até agora os produtos que mais dificuldades apresentavam para ser embalados, pois os invólucros usados não eram bem recebidos pelos clientes. Muitas dúvidas ainda se colocam em relação às opções dos estabelecimentos noutros países, nomeadamente da Europa, frente à lei comunitária, aprovada em Março, que proíbe a venda de produtos de plástico de uso único na União Europeia a partir de 2021.
Os maiores produtores mundiais de lixo do mundo são os Estados Unidos (70.7 milhões de toneladas/ano), a China (54.7 milhões), a Índia (9.3 milhões) e o Brasil (11.3 milhões). Os especialistas apontam como mais alarmante o facto de apenas 1.2 por cento do plástico ser reciclado e os grandes produtores de resíduos sólidos não se mostrarem minimamente preocupados com a situação, porque a reciclagem do plástico ainda não é rentável, ao contrário do que já acontece com os produtos orgânicos. Diante dessa situação, o esperado é que sejam os estados a adoptarem políticas de reciclagem e, no caso dos países subde-senvolvidos, a reverem as normas para a aprovação de investimentos.
A data
O Dia Mundial do Ambiente é celebrado todos os anos a 5 de Junho. A data tem o objectivo de assinalar acções positivas de protecção e preserva-
ção do ambiente e alertar as populações e os governos para a necessidade de se salvar o ambiente. O Dia Mundial do Ambiente começou a ser celebrado em 1972 e a data de 5 de Junho foi escolhida para assinalar o dia em que teve início a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente.

Novas descobertas em busca de substitutos

Diante do problema em que os plásticos se tornaram, multiplicam-se as pesquisas com vista a achar substitutos à altura, assim como aumen-ta a publicação de matérias relativas a novas descobertas. Alguns dos produtos podem até causar estranheza ao público, mas, atendendo ao facto de sacos, palinhas e garrafas, assim como o polietileno, figurarem entre os materiais mais vilanizados nas campanhas em defesa do ambiente, a Humanidade ganha cada vez mais consciência da urgência que há em enveredar por outros caminhos, mesmo que tal represente uma mudança radical no seu modo de vida.
Cientistas, engenheiros e designers em todo o Mun-do buscam alternativas sustentáveis, com a acriação de ecossistemas circulares com menos desperdício. Fala-se em madeira líquida, no uso de algas marinhas em sistemas de isolamento térmico e substitutos para polímeros feitos de amido de plantas fermentadas, milho e batata.
Opções
Outras alternativas também são apontadas. Além do açúcar, algas, seda, cortiça, celulose, batatas, milho, trigo ou maçãs, entre algumas das matérias-primas que já substituem os plásticos, destaca-se a utilização de técnicas como as da aranha ou do bi-cho-da-seda para produzir biomateriais para uso médico, assim como os novos bioplásticos ou plásticos biodegradáveis, como palhinhas feitas de cana-de-açúcar ou pratos de farelo de trigo que podem ser comestíveis ou, mais facilmente, desfeitos compostagem. São ainda referidos os biofilmes para a agricultura, feitos de amido de milho e óleos vegetais, que se degradam na terra com a matéria orgânica.
Especialistas e organizações de defesa do ambiente chamam, entretanto, a atenção para os riscos que os governos e a população correm ao em-barcar em propaganda de soluções miraculosas e apontam como medidas a redução do consumo de produtos de plástico, sobretudo os descartáveis ou de uso único.

Oportunidade de negócios

A situação é, entretanto, vista como uma grande oportunidade para as empresas reverem os seus produtos, passando a produzir algo menos danoso para o ambiente.
Algumas iniciativas têm merecido aplausos, como a da Adidas, que, desde 2015, em parceria com a Parley for the Oceans, realiza acções voltadas para a preservação e limpeza dos mares. A gigante de material desportivo anunciou que pretende desenvolver 11 milhões de pares de ténis feitos com plásticos recolhidos dos aceanos este ano.
Em 2017, foi produzido um milhão e, em 2018, cinco mi-lhões. A marca garante que, além de atender ao problema da sustentabilidade, os ténis são super-estilosos.
A Adidas realiza ainda outras iniciativas, com vista a reduzir a emissão de CO2 e prevenir o desperdício de plásticos nos seus escritórios, lojas e depósitos. Até 2030, a emissão de gases de efeito estufa será reduzida em 30 por cento.

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