Homens de negócios da Namíbia investem na produção nacional

Carlos Paulino | Menongue
25 de Março, 2017

Fotografia: Nicolau Vasco|Edições Novembro|Menongue

Empresários namibianos pretendem investir ainda este ano na localidade do Liapeca, Cuando Cubango, na produção de milho, carne, leite, peixe e frutas em grande escala, para o consumo a nível do país e para exportação para algumas regiões da SADC.

Durante um encontro que os empresários namibianos mantiveram com o vice-governador do Cuando Cubango para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, acompanhados pelo cônsul-geral de Angola na localidade namibiana do Rundu, Gilberto Chicoti, e da região de Frankfurt, Alemanha, Manuel Adão Domingos, foram traçadas as estratégias para levar avante o projecto.
O presidente da Associação dos Empresários Namibianos, Rudolph van Headen, que chefiou o grupo, explicou que, para a implementação deste imponente projecto, precisam de uma área com terra arável de 30 mil hectares. Neste momento, acrescentou, estão mobilizados 50 empresários da Namíbia que prevêem numa primeira fase iniciar o projecto com 200 milhões de dólares americanos, financiados pela banca alemã.
Para o arranque da produção de milho, carne, leite e peixe na localidade do Liapeca, a cerca de 30 quilómetros da cidade de Menongue, aguarda-se  apenas pelo título de concessão de terra por parte do Executivo.
Rudolph van Headen disse que têm um interesse particular em investir na província do Cuando Cubango, porque a região tem um grande potencial em termos de recursos hídricos e terras aráveis praticamente virgens, fundamental para se desenvolver projectos agro-industriais de referência a nível do continente africano e quiçá do mundo.
“O nosso propósito é desenvolver agricultura em grande escala e que envolva os agricultores locais que já dominam o terreno e o clima da província do Cuando Cubango”, disse. Acrescentou que, para o projecto ter uma dimensão visível dentro de três ou quatro anos, é necessário que se comece agora, para se criar bases fortes na área da agro-indústria.
Rudolph van Headen referiu que esperam contar com parcerias de agricultores e empresários angolanos, namibianos e sul-africanos num projecto comum, para que o mesmo seja bem estruturado e possa corresponder ao objectivo da sua criação.
Ao Governo Provincial do Cuando Cubango, pediu para envidar esforços junto das instâncias superiores para conceder o mais rápido possível a parcela de terra, para que se comece o estudo de viabilidade do terreno.
“A nossa perspectiva nos próximos cinco ou dez anos é ter um impacto apreciável na economia angolana em termos de cultivo de cereais, produção de carne, leite, hortícolas, legumes, frutas e de peixe”, garantiu.
Neste momento, disse o presidente da Associação dos Empresários Namibianos, há também interesse de empresas na África do Sul que querem produzir leite em Angola, em particular no Cuando Cubango, para a necessidade interna do país e para exportar para países do continente, como a Namíbia, República Democrática do Congo, Zâmbia e Botswana.
O cônsul-geral da localidade namibiana do Rundu, Gilberto Chicoti, disse que este é o primeiro grupo de empresários de muitos que o consulado tem estado a receber e que manifestam interesse em investir em Angola.

Criação de parcerias


O cônsul-geral de Frankfurt, Manuel Adão Domingos, garantiu que vai continuar a envidar esforços para atrair instituições alemãs que têm recursos financeiros e equipamentos para criarem parcerias com os empresários angolanos, namibianos e sul-africanos para implementação de projectos no quadro da diversificação da economia.
Muitas instituições na Alemanha, referiu Manuel Adão Domingos, têm estado a manifestar interesse em criar parcerias com empresários angolanos. “No quadro das nossas missões como cônsul temos a obrigação, e porque o país precisa de apostar num investimento nacional e estrangeiro, de atrair investidores e criar parcerias com instituições para investirem em Angola. Tendo em vista que há condições no país para o efeito, deve-se analisar os projectos para que se leve avante”, disse.
Para ele, é necessário juntar pessoas que têm capacidade para a prática da agricultura, pecuária, entre outros sectores, e buscar instituições que têm financiamento para se implementar projectos verdadeiramente estruturantes e que possam ajudar o país a sair da actual crise financeira.
“Nós precisamos de pessoas que sabem fazer trabalho com experiência comprovada”, disse. Reconheceu que, na Namíbia e na África do Sul, existem muitos empresários que têm capacidade para fazer uma agricultura em grande escala. Disse mais: “Não se precisa de ir buscar europeus para fazer agricultura em Angola, mas pode-se  usar o recurso financeiro e tecnológico que os mesmos têm para viabilizar projectos com pessoas que sabem trabalhar a terra no país.”   
 
Empresários sérios

O vice-governador da província para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, disse que o governo provincial quer empresários nacionais ou estrangeiros sérios que manifestem interesse em investir na região. “Já recebemos centenas de homens de negócios de toda a parte do mundo que não cumpriram até hoje com a sua promessa”, precisou.
A distância entre o que se promete e o que acontece da promessa que tem sido feito  na província, frisou o governante, é zero, sendo uma situação muito triste, tendo em vista que deixa muita expectativa, sobretudo para a população que quer ver melhorada a sua condição de vida.
Encorajou o cônsul de Angola no Rundu e em Frankfurt, Gilberto Chicoti e Manuel Adão Domingos, respectivamente, no sentido de continuarem a trabalhar para atraírem investidores para a província do Cuando Cubango, já que esta região do sudeste de Angola carece de empresários capacitados para a exploração dos recursos naturais que são muito abundantes.
Ernesto Kiteculo destacou que, com empresários capacitados, o Cuando Cubango, sem sombra de dúvida, vai ter tudo “para se tornar num principal potencial agro-industrial do país e quiçá do continente africano.”
As condições agrícolas na Namíbia, Zâmbia, África do Sul, Botswana e em outros países de África não se comparam com as do Cuando Cubango que tem várias e intensas áreas aráveis para a implementação de projectos agropecuários.
“Há países que têm problema de recursos hídricos ou de chuva, como a África do Sul, mas Angola e em particular o Cuando Cubango não têm, o que quer dizer que há muita vantagem de se investir nesta região”, disse, frisando que a província tem o elemento essencial que é a terra e a água em abundância. O que falta é a tecnologia que a Namíbia e a África do Sul têm, para a execução de imponentes projectos.
 
Incentivo fiscal
 
Ernesto Kiteculo disse que existem taxas atractivas e leis que facilitam os empresários que querem investir a nível da província, tendo em vista que uma empresa que investe no Cuando Cubango acima de um milhão de dólares só vai começar a pagar impostos depois de 15 anos.
Esta iniciativa visa atrair investidores nacionais e estrangeiros ao interior do país. A grande vantagem da província do Cuando Cubango, como referiu, é que está aberta para todo o tipo de investimento, com realce para os sectores agropecuário, florestal, mineiro e turístico.    
Neste momento, a capacidade das empresas angolanas na província é débil por falta de financiamento e meios tecnológicos. Por isso, é necessário haver parcerias para que haja transmissão de conhecimentos, que passa pela formação no âmbito dos equipamentos tecnológicos, manuseamento do solo e tecnologia aplicada aos animais. 
“O Executivo, na pessoa do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, incentiva todos os governos provinciais a estabelecerem parcerias credíveis e que permitem a transmissão de conhecimentos por parte dos fazendeiros e das pequenas empresas angolanas, para que haja uma integração regional”, recordou. 
O vice-governador da província para o sector Económico e Produtivo garantiu que o governo não vai poupar esforços para que este projecto dos empresários namibianos para a produção de milho, carne, leite, peixe e frutas em grande escala seja uma realidade.
 

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