Reportagem

Hospital Geral do Moxico tem melhores equipamentos

Lino Vieira | Luena

O Hospital Geral do Moxico é o principal estabelecimento de uma província com a dimensão de um país, ou seja, 223. 023 quilómetros quadrados e uma população aproximada de 750. 000 habitantes.

Fotografia: Daniel Benjamim | Edições Novembro | Luena

Todos recorrem aos serviços do hospital provincial com uma capacidade para 200 camas e um corpo médico composto por 14 médicos,  110 enfermeiros de várias especialidades. Mas as dificuldades estão sempre presentes. Umas são prontamente mitigadas, outras prolongam-se no tempo, num hospital que em média recebe 400 doentes entre crianças e adultos, que, não raro, padecem de malária, febre tifóide, hipertensão arterial, diabetes, doenças respiratórias  e diarreias agudas.
Para a dimensão do Hospital Geral do Moxico, são necessários 57 novos  médicos nas especialidades  de Nefrologia, Neurologia, Eletroencefalografia, Otorrinolaringologia e Neonatologia e mais 180 enfermeiros. Muito tem de ser feito ainda. O Executivo revela grande sensibilidade quanto à questão e promete medidas para reverter o quadro e levar a que mais cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde com qualidade e humanização. 
Aquando da sua apresentação oficial à população do Luena como candidato do MPLA às eleições gerais de 23 de Agosto,  João Lourenço aproveitou a ocasião para exprimir gestos de manifestação solidária. Na sua visita ao Hospital Provincial do Moxico, apelou para a necessidade de humanização dos serviços, disse ser possível melhorar e dar qualidade ao atendimento hospitalar e doou medicamentos e material gastável.
“Tudo isso vai ajudar a resolver os graves problemas que o hospital vive, principalmente a falta de fármacos”, sublinhou o director do Hospital  Geral do Moxico, Ruben Pedro Inácio, satisfeito  com o gesto solidário de João Lourenço ao qual diz possuir “sensibilidade humana profunda e uma compreensão inexoravelmente grande às necessidades dos outros.”
O responsável hospitalar  afirmou que a solidariedade apareceu num momento crítico em que a instituição enfrenta grande  défice  de fármacos. “Esta doação vai  mitigar as dificuldades  e reforçar o  stock existente”, prosseguiu Ruben Pedro Inácio, indicando as principais necessidades da instituição no que toca a medicamentos. Os antipalúdicos,  antibióticos, anti-inflamatórios e antipiréticos são os medicamentos mais usados e, por isso, acabam mais rápido que outros.

Gesto solidário


Antes da entrega dos meios hospitalares e de medicamentos essenciais aos serviços do hospital, o candidato fez uma visita dirigida a várias enfermarias. No interior das enfermarias, predispôs-se a ouvir “rios de preocupações”, quer em termos de funcionamento da unidade hospitalar, quer no modo como vão surgindo as doenças no Moxico. O diálogo e uma mensagem de esperança caem sempre bem a quem está acamado e João Lourenço fê-lo com reconhecida atenção e, no final, desejava sempre  “rápidas melhoras.” Outra nota digna de realce é que o também vice-presidente do MPLA tomava nota de todas as preocupações levantadas sobre a falta de médicos e de técnicos especializados para operar os vários equipamentos instalados, um problema  que se arrasta desde a inauguração do  hospital em Fevereiro  pelo Presidente José Eduardo dos Santos. O gesto solidário reforça, cada vez mais,  a capacidade de atendimento aos doentes que diariamente acorrem à unidade sanitária.

Autoridade tradicional

O soba Santana Chilefo não escondeu a sua preocupação quanto ao modo e à facilidade com que as doenças se têm propagado no seio da sua comunidade, em particular, e da província, no geral. “Temos de fazer alguma coisa”, disse o soba, que lembra o facto de o Moxico ter registado nos últimos meses um surto de   malária. “A mim, essa situação tira o sono e às autoridades sanitárias da província também, não tenho dúvidas”, afirmou. Com a entrega dos medicamentos, sublinhou, o problema  pode ser minimizado.
A autoridade tradicional defende, por isso, não ser unicamente dever do Executivo resolver ­todos os problemas que afligem a população, pois o apoio de todas as forças vivas da sociedade é fundamental, numa altura em que o país vive enormes dificuldades  de importação de bens  face à escassez de divisas.
Santana Chilefo sai da zona de conforto e faz um reparo de cariz político: “reprovo as intenções  de alguns partidos  políticos que só criticam  e nada fazem no contributo ao bem-estar da  população”, e acrescenta ser preciso ajudar a ultrapassar  as dificuldades  que ainda nos inquietam.

A voz da experiência

Verónica Carmen é responsável de turno no Banco de Urgência (BU) do Hospital Geral há alguns anos. Não só lida com ciência e técnica, mas também com amor e intuição. Sabe quando tomar ­decisões certas que sempre fazem a diferença para quem se encontre entre a vida e a morte. “Não só olhamos para o quadro clínico apresentado por um paciente. Olhamos também para missão que temos em mãos que deve ser, sobretudo, um acto de amor, que é devolver a saúde a quem está doente”, diz a especialista que agradece o gesto de doação de medicamentos que acontece num momento em que a instituição se debate  com assinaláveis dificuldades marcadas por uma falta de medicamentos principalmente  no Banco de Urgência, que a  cada minuto   recebe vários paciente, na sua maioria em estado grave.    
Verónica Carmen apelou a  todos os  organismos da sociedade no sentido de seguirem este exemplo do candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, e, deste modo, contribuírem  para a melhoria da saúde de vários cidadãos que necessitam de assistência medicamentosa.   
Celestina Cauaha, 25 anos de idade, esteve internada há três dias, com malária. Ficou feliz pelo facto de João  Lourenço ter visitado o hospital e doar medicamentos que vão tirar muitos dos seus concidadãos do estado em que se encontram, pois o tratamento vai ser ainda melhor.
Fernanda Bicessa, outra paciente com  problemas de gastrite, tem também certeza disso. A reportagem do Jornal de Angola apurou que, antes da doação, muitos eram os pacientes aos quais, quando fossem internados, o hospital se limitava a passar  receitas  para comprar medicamentos. Numa situação destas, nem tudo corre bem. Nem todos os pacientes têm condição financeira favorável para conseguir comprar os medicamentos prescritos numa receita. “Se não se consegue comprar os medicamentos, então, podes crer, ficas com a recuperação mais difícil. Isso, se não se perder a vida”, realça.

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