Reportagem

Hospital modernizado e apetrechado

Carlos Paulino | Menongue

As pessoas com problema de visão na província do Cuando Cubango, e em particular do município de Menongue, deixaram de percorrer longas distâncias à procura de serviços de oftalmologia em outras regiões do país, devido a entrada em funcionamento do novo hospital geral que está devidamente apetrechado com equipamentos tecnológicos modernos.

Serviço de oftamologia permite tratar com rapidez problemas de visão, entre eles as cataratas
Fotografia: Nicolau Vasco| Edições Novembro


Anteriormente, as pessoas residentes nos municípios no Cuando Cubango eram obrigadas a procurar assistência médica e medicamentosa na área de oftalmologia nas províncias do Huambo, Benguela, Huíla, Luanda e na República da Namíbia.
Desde a inauguração do novo hospital geral com capacidade de 200 camas de internamento, no passado dia 20 de Agosto do corrente ano, diariamente, são atendidas entre 20 e 25 pacientes com diversos
problemas de visão, sobretudo os casos de doentes com conjuntivite alérgica devido ao clima da província que é muito seco e faz muita poeira, ametropia e catarata.
Esta é a primeira unidade hospitalar que a província do Cuando Cubango ganha com serviço especializado de oftalmologia. Anteriormente, além de se deslocar para outras regiões do país, a população do Cuando Cubango beneficiava dos serviços da Organização Solidariedade Evangélica (Sole), que anualmente enviava um oftalmologista à província, que durante cerca de 20 dias realizava cirurgias a pessoas que padeciam de catarata e necessitavam de consultas oftalmológicas, no quadro do projecto de “Oftalmologia Comunitária”.
O projecto levado a cabo pela Sole, em coordenação com a Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) do Sínodo Provincial do Cuando Cubango, permite que todos os anos o médico oftalmologista se desloque à província para realizar mais de 100 operações de cataratas e cerca de 500 consultas de oftalmologia.
Para a consulta de oftalmologia, as pessoas pagam 1.500 kwanzas e para a operação de catarata 7.000, valor que nem sempre os familiares dos pacientes têm.
Razão pela qual, os doentes com esta enfermidade na província do Cuando Cubango respiram de alívio, tendo em vista que no novo hospital não precisam de pagar absolutamente nada para a consulta de
oftalmologia e nem aguardar meses ou até mesmo anos por um especialista para resolver a sua situação.
Eugénio Elias, que sofre de ametropia, disse que a entrada em funcionamento do serviço de oftalmologia no novo hospital geral constitui uma mais-valia, tendo em vista que anteriormente era obrigado a fazer consulta das vistas na província da Huíla, o que acarretava muitos custos, principalmente no que toca ao dinheiro da passagem de comboio, alojamento e alimentação.
Fernando Bule é outro paciente que deixou de percorrer longas distâncias à procura de serviços de oftalmologia. Disse que anualmente viajava duas ou três vezes para a província do Huambo para fazer consulta das vistas.
“Hoje, com este grande hospital, que o Executivo angolano construiu na nossa província, não temos mais necessidade de viajarmos para outras províncias, uma vez que aqui já podemos fazer consultas de
oftalmologia e de outras doenças que anteriormente só eram possíveis, por
exemplo no Huambo, na Huíla, Benguela, Luanda ou até mesmo na Namíbia”, disse.
A directora do hospital geral, Elsa Kalenga, disse que apesar de a sua unidade sanitária aguardar por um especialista para intervenção cirúrgica de cataratas, muitos pacientes com outras enfermidades, como o caso de ametropia e de conjuntivite alérgica têm recebido uma boa assistência médica e medicamentosa por parte de uma médica oftalmologista cubana.
Elsa Kalenga assegurou que a sua unidade hospitalar tem todo o equipamento moderno de oftalmologia, mas a única dificuldade prende-se neste momento com a falta de pelo menos um médico especializado para fazer operações aos pacientes com catarata nas vistas e que se aguarda nos próximos dias.
“Existe aquelas patologias em que vai ser necessária uma intervenção cirúrgica, como é o caso de cataratas, e que ainda não estamos a fazer por falta de um especialista, mas noutros casos em que não é preciso uma
cirurgia os pacientes estão a ser assistidos normalmente sem qualquer constrangimento”, disse.
Outro serviço especializado que a província ganhou com a entrada em funcionamento do novo hospital é o de otorrino. Diariamente, são atendidos entre oito e 12 pacientes.
“Anteriormente, quem padecia desta doença, ou seja, que tinha problemas nos ouvidos, era obrigado a viajar também para outras províncias do país para receber assistência médica e medicamentosa de otorrino”, frisou a médica.

Produção de oxigénio
Outra valência do Hospital Geral do Cuando Cubango é a produção de oxigénio, ventilação mecânica, ar pneumático e protóxido de azoto, sendo este último instalado nos blocos operatórios para intervenção cirúrgica.
O responsável da área de produção de gases medicinais, João Tito, disse que o hospital geral tem capacidade para produzir 240 metros cúbicos por dia de oxigénio, que nesta unidade sanitária está canalizado nas áreas de consultas externas, fisioterapia e na de unidades de cuidados intensivos (UCI).
Em caso de falta de energia eléctrica, automaticamente, se  enche as botijas de 50 litros. Desde a inauguração do hospital a produção de gases medicinais só tem sido para o consumo interno, mas se outras unidades sanitárias da província, e não só, necessitarem, a mesma tem capacidade para fornecer.
João Tito disse que a área de produção de gases medicinais do Hospital Geral do Cuando Cubango tem capacidade de encher 50 garrafas de gás de oxigénio de 50 litros por dia, sendo um número razoável que dá para prestar apoio a outros hospitais e centros médicos.
O oxigénio é um elemento fundamental para aquelas pacientes que estão internados com problemas respiratórios ou para aqueles doentes que sofrem uma intervenção cirúrgica.

  Falta de médicos especializados mas há melhoria na qualidade da assistência

Elsa Kalenga explicou que a unidade hospitalar regista neste momento a falta de mais médicos especializados para a entrada em funcionamento das áreas de cardiologia, neurologia, gastroenterologia,
dermatologia, cirurgia reconstrutiva e psicologia, entre outros sectores.
O hospital geral foi construído para atender 21 especialidades, nomeadamente serviços de medicina geral, pediatria, maternidade, estomatologia, obstetrícia, otorrinolaringologia, oftalmologia, cirurgia reconstrutiva, hemoterapia, cardiologia, dermatologia, fisioterapia, nutrição, urologia, neurocirurgia, psicologia, ginecologia-obstetrícia e anestesia, entre outras patologias. A unidade hospitalar conta ainda com sete blocos operatórios, banco de urgência, serviços de imagiologia (equipamento que permite realizar vários tipos de raio X), unidades de cuidados intensivos (UCI),
laboratórios de análises clínicas, 15 camas de observação pós-operação e uma morgue com 14 gavetas.
Elsa Kalenga realçou que actualmente o Hospital Geral do Cuando Cubango conta com 139 enfermeiros e 32 médicos de várias especialidades, sendo ainda um número insuficiente para colocar o mesmo a funcionar na sua plenitude e atender todas as áreas de serviço.
Para o seu pleno funcionamento, o hospital tem que contar com o asseguramento de 58 médicos de diferentes especialidades e 300 enfermeiros. Acrescentou que, por este facto, estão apenas a funcionar as áreas de pediatria, medicina, cirurgia, oftalmologia, otorrino, imagiologia, ginecologia-obstetrícia, anestesia, ortopedia e de cuidados intensivos.
“À medida que os técnicos e especialistas forem recrutados pelo Ministério da Saúde, vamos, paulatinamente, abrir mais serviços que possam contribuir para reduzir ainda mais o índice de mortalidade na província”, disse.
Devido à falta de técnicos, o Hospital Geral do Cuando Cubango tem estado a contar com o apoio de médicos especialistas e de gestores da estrutura central do Ministério da Saúde e de hospitais de referências em Luanda que vão continuar a trabalhar em equipas rotativas até se resolver esta situação.
Sem avançar números, Elsa Kalenga anunciou que se aguarda nos próximos tempos a vinda na província de médicos cubanos de diversas especialidades, que vão reforçar a sua unidade hospitalar.

Melhor assistência médica
Os pacientes que necessitavam de ser transferidos para uma outra província, como Huambo, Huíla e Luanda, hoje já não precisam, porque o Hospital Geral do Cuando Cubango tem médios, com realce para os de ortopedia e de cirurgia.
Por falta na altura de material de ponta no bloco operatório do antigo Hospital Geral, construído no período colonial e que já não correspondia à procura, os ortopedistas não conseguiam prestar uma boa assistência médica e os doentes eram obrigados a ser transferidos para outras regiões do país ou até mesmo para a Namíbia.
“Com esta unidade sanitária, devidamente apetrechada com equipamentos de ponta, o nível de assistência médica e medicamentosa da população do Cuando Cubango, e em particular do município de Menongue, melhorou consideravelmente nos últimos tempos”, garantiu.

 
População melhor servida

 

Elsa Kalenga destacou ainda que hoje se pode dizer, sem medo de errar, que no que toca à assistência médica e medicamentosa, que a população da província está melhor servida com uma das melhores e maior unidade hospitalar do país.
O hospital entrou em funcionamento no dia 20 de Agosto do corrente ano e, até à data presente, as autoridades sanitárias no Cuando Cubango não transferiram nenhum paciente no que toca à ortopedia ou cirurgia para outras províncias. Anteriormente, dezenas de doentes eram obrigados a ser transferidos mensalmente por falta de material e de especialistas.

Preservação do hospital
Elsa Kalenga apelou à população da província no sentido de ajudar a conservar bem o novo hospitalar geral, para que o mesmo possa cumprir com os objectivos para o qual foi construído que é melhorar
significativamente a assistência médica e medicamentosa dos cidadãos da região e não só.
“O que nós continuamos a pedir a população é que esteja sensibilizada, por mais que tenhamos este novo hospital, quando precisarem de assistência médica e medicamentosa devem dirigir-se primeiro a uma unidade sanitária mais próxima da sua residência, tendo em vista que se o seu problema não for resolvido ou apresentarem um quadro clínico grave é que vão ser transferidos para  a nossa unidade hospitalar”, disse.
Em termos de medicamentos, o novo Hospital Geral do Cuando Cubango tem stock suficiente para dar resposta a todos os pacientes que são internados e submetidos a uma cirurgia.
Elsa Kalenga disse que todos os doentes que são internados na unidade hospitalar têm direito a três refeições diárias, sobretudo alimentos saudáveis à base de verdura, carne branca e peixe que ajudam na rápida recuperação.

Tempo

Multimédia