Reportagem

Humanização passa por condições nos hospitais

Rodrigues Cambala

Em Setembro do ano passado, o Jornal de Angola publicou uma reportagem que trazia depoimentos de mulheres a queixarem-se de maus tratos em maternidades públicas.

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

“Onde andaste durante todo este tempo, para só agora fazeres filho?”, lembrou uma então parturiente à pergunta que lhe foi feita por uma parteira, ao saber que tinha 31 anos e que era gestante pela primeira vez. “É melhor despachares-te, senão vamos embora e vais esperar pelo outro turno”, terá ameaçado a mesma parteira.

Na sala onde estavam mulheres nuas, homens da limpeza circulavam de um lado para o outro, contou outra senhora. Outra ainda relatou que a enfermeira ameaçou abandoná-la, porque gemia de dor enquanto era suturada. Antes, porém, disse-lhe que era melhor calar a boca, “porque, se me cosesse mal, o meu marido ia fugir-me”.
Portanto, todos os dias, ouvem-se reclamações sobre má prestação dos serviços de saúde, sobretudonos hospitais públicos. Pacientes, familiares e sociedade em geral apontam vários constrangimentos em unidades hospitalares. Além de queixas da falta de medicamentos e de reagentes para análises clínicas, a reclamação recai, principalmente, para o mau atendimento e para as longas horas de espera.
Entre as queixas, os lamentos e a prestação de serviços, há, entretanto, quem se destaque na actividade de salvar vidas. A humanização da actividade, que, desde há dois anos, passou a ser a bandeira do Ministério da Saúde, é levada a sério por alguns médicos, enfermeiros e catalogadores. Em entrevista concedida em Maio do ano passado ao Jornal de Angola, o director do Gabinete de Ética e Humanização do Ministério da Saúde disse que o serviço, criado em 2018, surge para se responsabilizar pela promoção e implementação do programa de humanização, assistência e cuidados de saúde, bem como da boa gestão dos Gabinetes de Utentes do Sistema Nacional de Saúde.
“Com a criação desse gabinete, pretende-se melhorar o atendimento nos hospitais públicos. Havia e há gritos de reclamações de que a nossa saúde não está bem. As pessoas vão aos hospitais, mas não se sentem pessoas, porque são desprezadas, não se lhes dá a atenção que merecem”, indicou Gervásio Púcuta. E realçou: “nalguns casos, não encontram o médico, porque este foi atender outros afazeres. Isso fez com que as pessoas perdessem a confiança nos hospitais públicos e, como consequência, deixassem de o frequentar e passassem a gastar dinheiro em clínicas privadas, para problemas de saúde que podem ser solucionados em hospitais estatais”.
Segundo o responsável, o Gabinete trabalha com os quadros da Saúde, entre eles médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica, para se inverter a forma como se acolhe um paciente, que deve ser tratado como pessoa.
“Eles estão a ser capacitados para prestar mais atenção aos doentes, sobretudo a partir do acolhimento”.

Uma base que não é sólida

O presidente do Conselho Fiscal da Ordem dos Médicos de Angola afirma que o trabalho do Ministério da Saúde, no que respeita à humanização dos serviços, é positivo. Apesar do trabalho em curso, Desidério Carvalho considera não ser por aí que se consegue atingir a humanização, por ausência de um conjunto de elementos.
“A humanização é o tecto, mas tem sido suportada por uma base que não é solida”, reconhece o médico. Recuando nos acontecimentos, contou que a humanização começou a ser abordada nos anos 50 do século passado, tratando-se de um meio para atingir um fim, que é a qualidade da assistência médica.
“A humanização tem de ser vista como a meta a ser atingida e não o meio em si para se atingir uma meta”, argumenta.
Desidério Carvalho, que falava em nome da Ordem dos Médicos, avançou ser mais a favor da abordagem da sistematização, porque faz com que todos os processos a nível hospitalar estejam organizados.
“Temos estado a ouvir discursos muito bonitos na semana da humanização, mas é preciso compreender que a humanização deve ser entendida como um objectivo a atingir e não um conjunto de condições que nos leva a atingir o objectivo”, reitera. Diz que a situação “que tem levado muita gente a procurar os serviços privados não é propriamente a humanização como tal, porque, se formos a ver, os indivíduos do público são os mesmos que estão no privado”. O médico explica que os hospitais privados têm um conjunto de condições e exigências que não há no público.
“A humanização aparece em consequência da organização intra-hospitalar e da execução dos processos. Dentro da unidade hospitalar, o doente deve ser atendido por um profissional que cumpre um conjunto de procedimentos, acompanhados de condições”, sustenta.
Segundo Desidério Carvalho, tem-se executado os actos de forma muito mecânica, sem empatia e disposição, nem transmissão do sentimento de confiança para o utente. Na sua óptica, só acontece humanização quando o profissional, por si só, tem condições para intervir e satisfazer a necessidade do paciente.
“Se o profissional sabe que não tem condições para intervir, quer dizer que a expressão facial fica comprometida, porque ele tem noção do provável desfecho daquele caso”, assevera, acrescentando que a humanização exige que as pessoas aloquem condições para se criarem processos funcionais.
Entre os critérios essenciais, manifestou-se preocupado com o processo de formação dos técnicos de saúde e critérios usados para admissão nas universidades e nos empregos. Referiu que, antigamente, havia um conjunto de procedimentos no processo selectivo, que dava garantia da capacidade do indivíduo, sobretudo, as componentes técnico-científicas e humanas.
Ao indicar que o profissional da saúde é parte da comunidade e, muitas vezes, transporta as suas vivências para o local de trabalho, Desidério Carvalho esclareceu que, se, por exemplo, este encontrar um conjunto de constrangimentos para matricular o filho, a situação afecta-lhe a disposição.
“A abordagem da humanização deve ser vista como um todo”, admitiu o médico, para explicar: “ele diz que, quando vou a outras repartições sou tratado de forma desumanizada, porquê é que tenho a obrigação de exercer a minha profissão de forma humanizada?”.
Enquanto académico, Desidério Carvalho propõe debates de todas as áreas para encontrar soluções. Nos hospitais, frisa, para que haja humanização, deve existir condições de trabalho, medicamentos, materiais gastáveis, espaços de descanso, alimentação condigna, um salário que satisfaça minimamente o profissional e processos para cada indivíduo conhecer as suas atribuições.
“Se solicitarmos um exame, o paciente não pode sair do hospital e atravessar a estrada. Ele pode ter atendido bem o paciente, mas se o serviço não teve continuidade com as outras áreas do hospital, torna ocaso complicado”, indicou.
O académico indicou que a Ordem dos Médicos tem estado a receber algumas denúncias ligadas à negligência médica, acusando os profissionais de não fazerem bem o seu trabalho.
“Temos queixas ligadas à imperícia. Há médicos clínico-gerais, mas querem desenvolver actos de especialidade. Quando recebemos uma queixa, por exemplo, instauramos o processo disciplinar”.
Desidério Carvalho disse que há indivíduos que conhecem o nome e número de um determinado médico e usam os dados da cédula para realizar actos médicos.
“A Ordem dos Médicos constatou que alguns médicos já não estão nos referidos hospitais, mas são assinados actos em seu nome”, denunciou.
Para melhorar os serviços, salientou, os serviços de saúde devem aumentar o número de médicos, porque o grau de cobertura ainda não é o desejável, apesar de haver médicos desempregados.

“Fui chamado por Deus para servir”

Com duas licenciaturas, uma em Enfermagem e outra em Medicina, Feliciano Chilunga, 37 anos, diz que procura colocar-se no lugar do paciente, antes de qualquer tratamento.
Muito recentemente, o médico recebeu uma doente que vinha do Uige, com uma cesariana anterior. “Ela apresentava um feto macrossonico (um feto acima de 4 quilos) e o marido queria uma determinada garantia e falava em valores. Disse-lhes que se tocassem novamente na questão saía do consultório e o denunciava”.
Depois de alguns dias, recebeu a informação de que o casal deu testemunho na igreja e orou a seu favor. “Foi uma grande alegria. Levaram o testemunho na igreja, porque não esperavam a minha reacção”, lembra.
“Hoje, tenho muitos xarás, Felicianas e Felicianos e é muito gratificante. O objectivo não é ter o retorno, mas temos recebido mensagens em quadros que nos desejam 'longos anos de vida' e 'Deus proteja”.
Uma colega, médica, sem se identificar, deu entrada na maternidade Lucrécia Paim, apresentando um sangramento. “Foi atendida por mim na sala de parto e tinha de tomar uma decisão. Ela e mais pacientes foram imediatamente operadas. No final, disse-me que era colega e que foi tratada como se soubéssemos que era médica”.
Feliciano Chilunga ouviu da colega a frase: “Deus te abençoe”. Frequentemente, cruza pela rua com antigas pacientes que o elogiam pela forma como trata as pessoas e trabalha. “Amo o que eu faço e não saberia fazer outra coisa”, garante, afirmando: “não me considero médico frustrado”.
Natural da Huíla, estando nesta altura no último ano de especialização em Gino-obstetrícia, Feliciano conta que desde os 13 anos começou a ter o sonho de ser médico sempre que o irmão fosse com ele à consulta. “O meu pai já profetizava, porque me chamava 'doutor', 'o médico da família”, lembra.
A primeira tentativa para ser médico aconteceu em 2002. Deslocou-se a Luanda, para fazer o teste na Faculdade de Medicina, mas não conseguiu ingressar. “Cheguei no dia 22 e logo no dia 25 recebi a informação da morte do meu pai”, recorda.
Devido a dificuldades sociais, uma vez que vivia em casa de um amigo, foi obrigado a regressar ao Lubango. Em 2003, a actual ministra das Pescas, Maria Antonieta, na altura quadro da Universidade Agostinho Neto, levou testes do Instituto de Enfermagem de Luanda ao ISCED do Lubango. Aprovado, Feliciano e outros 19 candidatos aptos vieram para a capital.
Após quatro anos de formação, a maioria está enquadrada em Luanda. Acabou o curso de enfermagem em 2007 e, em 2008, começou a trabalhar na Maternidade Lucrécia Paim e, em simultâneo, num programa de biossegurança. Em 2010, ingressou na Faculdade de Medicina. Em pouco tempo, largou o projecto de biossegurança e se manteve na maternidade.
“A formação era custeada pelos familiares no Lubango e, no primeiro ano, tive de pedir-lhe que vendessem os terrenos para poder fazer os estudos. A vida do lar é muito difícil”, lembra.
O médico Feliciano Chilunga refere ser um servidor da população e, com o conhecimento adquiriu, tem conseguido dar resposta a situações. “Fui chamado por Deus para servir...”
Ao frisar que ninguém vai ao hospital porque quer ir, mas porque busca auxílio, aponta ser necessário ver o doente de forma biológica e psico-social.
“Se todos olharmos o paciente desta maneira, vamos conseguir estar um dia no lugar dele, sem receios”, diz, para avançar que a maternidade lida com um binômio mãe-filho e terceiro elemento, que é a família.
Para o médico, são nove meses de gestação e a família espera receber um novo membro. Por isso, a paciente tem de ser bem tratada, para receber o novo membro e ser uma alegria para a família. “É muito duro entrar na maternidade e voltar de braços vazios”, consedera.
De acordo com o médico, a humanização tem outros contingentes, composta por médicos, psicólogos, enfermeiros, catalogadores, guardas e outros quadros.

 Sobre as queixas de maus tratos na maternidade, Feliciano Chilunga esclarece: 

“Para fazer saúde não basta crer, é preciso vocação. Sabemos que estamos misturados. Alguns vieram à saúde porque a enfermagem ou medicina, depois da formação, garante emprego. Há pessoas que fazem a formação porque amam e querem contribuir, salvando vidas”.
Ele não acredita que tratar mal um paciente seja justificado pela falta de recursos humanos e materiais. "Alguns podem invocar salário, mas não é suficiente que se destrate o outro”, argumenta.

O silêncio da Inspecção Geral da Saúde

O Jornal de Angola preparou esta reportagem durante um período superior a dois meses. Entre as mais diversas perspectivas previstas, incluia-se uma palavra da Inspecção Geral da Saúde. Enquanto órgão fiscalizador, a visão da instituição faria incidir mais luz sobre a abordagem. Infelizmente, acabou gorado o desejo deste diário de trazer à reportagem a perspectiva de tão importante órgão da Saúde, mesmo depois de semanas de tentativas.
E não é a primeira vez que a Inspecção passa ao largo de um trabalho de semelhante importância. Já aconteceu na matéria sobre objectos “esquecidos” no corpo de pacientes após a cirurgia e na reportagem relativa aos valores cobrados em clínicas privadas. E há quem se queixe da falta de contraditório.

Poucas denúncias na Ordem dos Enfermeiros

O cidadão deve perceber que, ao dirigir-se ao hospital, não vai à busca de um favor, mas de um direito constitucional, referiu o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Paulo Luvualo.
“A saúde é um direito do cidadão e é obrigação do Estado colocar condições para assistência médica de qualidade”, defende. Acrescenta que, no hospital, o profissional tem a obrigação de nos atender dignamente, porque tem um salário e o Estado paga para que atenda as pessoas. Muitas vezes, pensa-se que o cidadão vai ao hospital atrás de um favor. Não vai atrás de um favor”.
Na mesma linha de pensamento, o enfermeiro realça que o cidadão tem todo o direito de reclamar se for mal atendido, em razão de ser o responsável pelo pagamento dos trabalhos prestados nos hospitais.
Ao pedir aos hospitais o reconhecimento das falhas, o bastonário da Ordem dos Enfermeiro esclarecer que chegam poucos casos de denúncias à organização, que incluem as situações seguidas pela Inspecção de Saúde e pelo Serviço de Investigação Criminal, que, na sua maioria, têm a ver com confirmação da documentação de enfermeiro.
“Dificilmente recebemos denúncias”, insistiu, dizendo que o papel da Ordem é também avaliar o serviço prestado ao cidadão, para que se garanta uma assistência de qualidade.
Paulo Luvualo admitiu haver cidadãos que não conhecem os seus direitos e a Ordem tem os processos efectuados pela inspeção, sobretudo naquelas situações de denúncia feita por pacientes ou familiares.
Afirmou que a Ordem dos Enfermeiros está representada em todas as províncias do país, devendo a população denunciar o eventual mau trabalho do técnico através do contacto 928 100 688.
Há dois anos, a Ordem dos Enfermeiros denunciou alguns casos e a Inspecção Geral de Saúde, no final do processo, determinou as unidades sanitárias à expulsão dos responsabilizados.
“A minha pergunta: foram expulsos? alguns sim, outros não. Temos conhecimentos de alguns casos que não foram afastados”, disse o responsável.
O bastonário afastou o cansaço enquanto motivo para o mau atendimento. Ao invês, responsabiliza o Ministério da Saúde, que, como avalia, tem de aumentar os técnicos nas unidades, que ainda são insuficientes em serviços, e alguns precisam de ser substituídos, por estarem em idade de reforma.
A Ordem tem inscritos mais de 36 mil profissionais de enfermagem, com credencial, embora estejam registados mais de 60 mil.
“Em termos de classificação na nomenclatura internacional, quando falamos do enfermeiro é o licenciado e destes temos menos de três mil. A maioria são técnicos de enfermagem, auxiliares e bacharéis”, detalha.
Paulo Luvualo admitiu que a ordem muitos enfermeiro não estão controlados pela ordem, porque já exerce a actividade há muitos anos, mas o documento tem origem duvidoso, recusando-se a inscrever-se porque já está há mais de 20 anos na função pública.
A maior parte dos credenciados, disse, é recém-formado, uma vez que ninguém pode trabalhar sem a carteira profissional. Dos mais de 36 mil enfermeiros com carteira, cerca de 18 mil estão desempregados. Nos cálculos da Ordem dos Enfermeiros, o país necessita de pelos menos 60 mil enfermeiros.
“Temos um profissional de enfermagem para mais de mil cidadãos. o profissional de enfermagem é aquele que recebe o doente e se mantém com ele durante as 24 horas”

  “Fiz Enfermagem por amor ao próximo”

Desde pequena que Isabel Paulo desenhou a sua vida para ser enfermeira e mão médica. Enfermeira há 15 anos, conta que se tornou profissional da saúde por “amor ao próximo”. Ela começou a desejar a actividade sempre que a mãe a lavava ao hospital.
“Via o sofrimento da minha mãe nos hospitais, porque havia pessoas com comportamento desonestos e perguntava-me se estivesse naquele lugar também me comportaria do mesmo jeito”, conta.
Quando fez a formação média de Saúde, diziam os colegas e familiares que tinha posição de médica. “Eu perguntava porquê medica e não enfermeira?”
Isabel explica que tanto o médico como o enfermeiro têm o mesmo objectivo: tratar do doente. Antes de fazer Enfermagem conta que estudou agronomia no ensino médio, na província do Uige. Depois de concluir, decidiu não procurar emprego até fazer um outro curso de médio em enfermagem e mais tarde a formação superior de enfermagem, em Luanda.
Em 2002, Isabel Paulo começou a fazer parte dos quadros do Ministério da Saúde, tendo, na altura, sido colocada no Hospital Américo Boavida.
“Quando iniciei, realmente queria fazer tudo; queria acabar com o sofrimento dos doentes, mas ainda assim era pouco”.
Mas para ver maior entrega nos colegas, começou a trabalhar na sensibilização. “Fui entrando na mente das pessoas, como se evangelizasse os colegas, porque a maior satisfação era ver o doente melhorar”. Lembra que os doentes diziam que gostavam quando eu estivesse a trabalhar.
Mesmo sem grande cientificidade, admite que fazia uma lista na qual anotava os doentes que devia ver, com base no estado de saúde de cada um. O hábito fez norma. Isabel trabalhou nos serviços de medicina interna durante 11 anos. Depois de concluir a licenciatura, deslocou-se a Portugal, para um estágio.

“A diferença é que as enfermeiras portuguesas trabalham com muita garra e elas gostam de ser enfermeiras. Eram enfermeiras autônomas; lá trabalha-se em espírito de equipa médica”, lembra.
A experiência adquirida em Portugal permitiu-lhe fazer um trabalho diferenciado. Ela lembra que no Américo Boavida, as médicas Constantina e Lina Antunes eram exigentes e gostavam de ver as pessoas empenhadas.
“Entendíamo-nos bem, porque sempre gostei de pessoas rígidas”, aponta. O rigor motivou a enfermeira Isabel Paulo, que, por algum tempo, foi enquadrada na área de Triagem.
A enfermeira conta que algumas pessoas perguntavam qual era o segredo para ficar todo aquele tempo atender pacientes, sem fazer “cara feia” ou responder mal.
“O serviço de triagem ganhou um certificado de qualidade da ISO 9001”, diz, recordando que beneficiou, em 2016, de um curso de cuidados intensivos e emergência. Na altura, desempenhava a função de directora de enfermagem no Hospital Américo Boavida. Em 2017, foi exonerada e, meses depois, indicada a exercer o mesmo cargo no Hospital do Prenda.
“Quando cheguei aqui, os problemas eram os mesmos. Olhei os pontos fortes, fracos e as oportunidades. Comecei a dar uma formação de Triagem de Manchester. Desde a introduçãol deste sistema, o trabalho está diferenciado, uma vez que o hospital é de nível terciário.
“Faço essa sensibilização e visitas a doentes para que se sintam satisfeitos com a nossa presença”. detalha.
A chefe de Enfermagem do Prenda defende a verticalidade dos enfermeiros, embora realce o facto de muitos colegas desejarem ser médicos.
“Acham que o enfermeiro não é respeitado. Algum preconceito. Não é verdade que o médico seja superior ao enfermeiro, porque o objectivo de todos nós é tratar o doente”.
A enfermeira diz que não vê razões para que se maltrate um doente, pois quando este vai ao hospital é para melhorar a sua condição e precisa de uma palavra de carinho do enfermeiro.
“O que devemos fazer é compadecer-nos com a situação dele. Às vezes, o doente vem com a alteração de comportamento e não é propositado”, acentua. “Se o profissional tiver um comportamento negativo, é avaliado pela área social”, conclui a ideia.
Ao avançar não haver motivos para a desumanização no atendimento, a enfermeira frisa: “antes, frustrávamo-nos por falta de material. Agora, temos as condições mais ou menos criadas para trabalhar e os doentes já não compram medicamentos”.
Isabel afirma que, devido à sua forma de ser, os mais novos chamam-na “pastora”.
“Para ser enfermeiro, primeiro, tem de se amar a si mesmo, para depois amar os outros, porque hoje estou a cuidar do outro, amanhã estarei a ser cuidada. Se eu fizer bem, amanhã não vou precisar de exigir, porque me vão fazer bem”, filosofa.

 

 

 

 

 

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