Reportagem

Humpata aposta na produção de frutas

Arão Martins | Humpata

Criar mecanismos para a produção de frutas de qualidade para o mercado interno,  para o processamento, consumo e favorecer, deste modo, a melhoria da qualidade de vida da população e diversificar a economia é a prioridade da Administração Municipal da Humpata, província da Huíla, para os próximos tempos.

Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Humpata

O município da Humpata dispõe de uma área total de 1.261 quilómetros quadrados e tem particularidades no clima, onde a agricultura é a base do rendimento das famílias camponesas. Na região, abundam macieiras, pereiras e pessegueiros, entre outros. O município é o maior produtor de pera no país.
Organizar a cadeia produtiva das frutas, de modo a expandir o mercado de consumo, através de mecanismos que visam a realização do desiderato, com sucesso, é o desafio que deve contar, também, com a participação dos agricultores, camponeses, administração municipal e as autoridades competentes.
A Administradora Municipal da Humpata, Paula Nassone, garantiu que a região é o maior produtor de pera e de maçã a nível da província da Huíla e do país. Na Humpata, também se produz cereais (milho, massango, massambala, trigo e centeio). O município é ainda rico na produção de feijão, tremoço, ervilha e fava.
A Humpata tem a barragem das Neves, com um canal de irrigação superior a 38 quilómetros e dele dependem mais de 110 fazendas. A administradora municipal da Humpata esclareceu que o volume total de armazenagem de água é de seis milhões e 400 metros cúbicos, mas na época seca, por causa das fissuras, o volume baixa para dois  milhões e 500 metros cúbicos.
A construção da barragem das Neves, em 1968, e a sua reabilitação no ano de 1992 contribuíram para esta parcela do território se tornar num grande potencial agrícola.
A existência da barragem das Neves permitiu o surgimento de vários pólos fruticultores, que estendem a sua actividade até o limite com o município da Chibia (45 quilómetros a sul da cidade do Lubango), com produção de laranja, uva, pera e maçã.

Emprego
A actividade de cultivo de citrinos no município da Humpata é encarada de grande importância, pois gera, além de dinheiro, emprego para os jovens locais. Devido ao grande potencial da Humpata para a geração de emprego e rendimento, torna-se imperioso criar incentivos para a actividade, visando fortalecer o mercado interno.
Na  Humpata, salientou o agricultor tradicional, João Paulo, deve-se criar também áreas de irrigação, que permitem produzir mais frutas durante todo o ano.
“Continua a ser preocupação dos agricultores, o escoamento da produção. Inicialmente, tivemos a construção de uma fábrica de transformação de fruta, que era uma mais-valia, na absorção da produção que é feita localmente. Infelizmente, ainda está parada por
algum tempo. Aguardamos a todo o instante a sua reactivação”, adiantou.
O agricultor sugere que, para colmatar a lacuna, é preciso que as autoridades competentes proporcionem contactos com responsáveis de outros municípios e não só, para poderem adquirir de forma orientada e coordenada, a fruta que é produzida na Humpata.

Reconhecimento do potencial
A reconhecida qualidade das frutas produzidas no município da Humpata é um pressuposto que pode garantir perspectivas positivas para o mercado nacional, mas com grande competitividade com outros países.
Para o efeito, afirmou a administradora municipal da Humpata, Paula Nassone, é necessário ter maior produtividade, preço e qualidade. “Os produtores mundiais  profissionalizam-se todos os dias. É preciso que os padrões exigidos pela nova realidade sejam também acompanhados pelos produtores locais, para tirar maior rendimento na produção e contribuir para o programa de combate à fome e à pobreza e de diversificação da economia local”, disse.
No quadro do programa de diversificação da economia, estão a ser criados mecanismos para a produção de fruta de qualidade para o mercado interno, tanto para o processamento, como para o consumo de frutas frescas. “No quadro do programa de diversificação da economia, está-se a trabalhar também na organização da cadeia produtiva das frutas, de modo que todos os envolvidos estejam capacitados”, salientou.


Vender de forma coordenada

A venda de frutas produzidas no município da Humpata, de forma coordenada, constitui uma das prioridades das autoridades locais. Para que tal facto seja uma realidade, a administradora municipal da Humpata explicou que decorre um trabalho junto das instâncias competentes, para que a venda dos produtos seja mais controlada.
“Nem sempre a produção e colheita da pera e maçã é controlada, por ser feita pelos camponeses e em locais não bem definidos. Os camponeses vendem a fruta, sobretudo a pera produzida na Humpata na província do Namibe. A fruta é enviada ainda à província do Huambo, Benguela, Cunene e não só. Como administração, estamos a trabalhar para que a produção seja escoada de forma mais aceitável a outras paragens”, acrescentou.
A Administração Municipal da Humpata encara o programa de aquisição de produtos do campo como contributo valioso para a produção nacional. “Estamos a criar condições e solicitamos já às instâncias competentes no sentido de se colocar também este serviço no município, o que vai fazer com que ganha o camponês e não só. Já foi identificada e reservada uma área suficiente, no antigo mercado paralelo da Humpata, para que o Papagro seja instalado no município de forma satisfatória”, disse.

Definição de preços
A definição do preço da pera e da maçã continua a ser uma das preocupações dos vendedores do mercado paralelo do município da Humpata (22 quilómetros a oeste da cidade do Lubango).
Madalena Maria é uma antiga vendedora de frutas no mercado da Humpata. Explicou que o preço é variável. A maçã e a pera, disse, são produtos muito abundantes e se não forem aproveitadas na devida altura, pode-se deteriorar e prejudicar o trabalho do camponês ou do produtor.
Durante a fase de “pico”, para adquirir um balde de 10 quilogramas, o consumidor desembolsa apenas 50 ou 100 kwanzas. O valor é ínfimo, mas para o camponês produtor, antes este valor do que nada.
“O que estamos a pensar com os empresários é criar condições para que a nossa fruta seja transformada localmente ou na cidade do Lubango, para evitar percas”, afirmou.
Está em curso o programa positivo do Executivo, de combater a fome e a pobreza no meio rural. Fazer o aproveitamento mais salutar da produção é um contributo valioso para o rendimento familiar. O Executivo, por intermédio de vários programas, está a potenciar as condições do próprio produtor, com a distribuição de imputs agrícolas, tais como fertilizantes, instrumentos de trabalhos e sementes.
 
Aumento da produção supera os actuais índices cifrados

Aumentar os níveis de produção de pera de modo a superar os actuais índices cifrados entre 100 e 150 toneladas, em cada época, é um desafio que as autoridades colocam, com os apoios constantes aos produtores locais.
Na produção da pera, os níveis podem superar mais de 150 toneladas de maçã em cada época, para aquilo que é a produção controlada.
A administradora municipal da Humpata explicou que, para escoar a produção, os camponeses locais recorrem, normalmente, ao mercado paralelo.
“O município é produtor e nem sempre essa produção é escoada. Estamos, por exemplo no mês de Dezembro, altura da colheita de muita pera, que é chamada localmente ‘Santo António’, que sai na época natalícia. Os nossos camponeses aproveitam vender ao máximo. Temos trabalhado e interagido também com os camponeses para produzirem mais para o país. O objectivo consiste em não só reduzirmos as importações, mas também valorizarmos a nossa produção local”, disse.
A Humpata, em conformidade com os resultados do Censo Geral da População e Habitação, realizado em 2014, tem uma população estimada em 82.758 habitantes e mais de 50 por cento vivem da produção de pera e de maçã.
Além das grandes fazendas, na Humpata, existe um pomar que ocupa uma pequena área, com plantio e cultivo de árvores frutíferas.
A administradora municipal da Humpata esclarece que, em geral, nos dias actuais, um pomar de pequenas áreas, além da importância doméstica para o consumo e lazer familiar, adquire finalidades comerciais, podendo ser a actividade principal ou complementar de pequenos produtores rurais.
O cultivo de fruteiras em pequenas propriedades, explicou, geralmente, ocupa até 10 hectares, mas o conceito pode variar em função da espécie de plantio.
Paula Nassone exemplificou que existem espécies frutíferas que podem ser cultivadas e  variam também em função das condições climáticas, do tipo de solo, da disponibilidade de água, da localização e do objectivo da actividade. Na Humpata, existe clima, solo e disponibilidade de água, que favorecem a prática de fruteiras, com rendimentos aceitáveis.

 Programa de incentivo

Um programa que visa incentivar os produtores e camponeses no sentido de aumentar a produção está em curso no município da Humpata, província da Huíla.
A batata rena tem estado a merecer uma atenção especial do governo provincial, comodisse a administradora municipal da Humpata, Paula Nassone. A acção está ainda a merecer uma atenção especial para que o seu contributo no programa de combate à fome e à pobreza seja um êxito.
Está-se igualmente a incentivar a população para o cultivo de mandioca e de batata-doce. O cultivo de mandioca está a ser feito na zona baixa da Missão do Tchivinguiro, através da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) local.

Armazenamento de água
A água armazenada na albufeira da Humpata é usada para irrigação do perímetro hidrográfico da Humpata e para a população residente na zona envolvente, por meio de uma linha de canais e reservatórios, proporcionando, deste modo, o aumento das áreas agrícolas como consequência de maior disponibilidade de produtos agrícolas e melhorias no modo de vida dos camponeses e agricultores.
A administradora municipal local disse que tem havido uma preocupação constante dos agricultores e das autoridades administrativas, tradicionais e não só, pelo estado actual da barragem.
Além da barragem das Neves, existe na Humpata, a represa da Bata-Bata, localizada a 16 quilómetros do Complexo Escolar Agrário do Tchivinguiro.
A represa tem uma superfície em alvenaria de pedra e cal hidráulica de 37 metros de cumprimento e a altura da crista do descarregador de superfície é de seis metros, com uma capacidade de albufeira de 86.027 metros cúbicos, alimentada pelo rio Bangalo. A mesma foi construída inicialmente para o abeberamento e para irrigar uma área estimada de 35 hectares, utilizando o sistema por gravidade. Actualmente, a represa apresenta problemas de infiltração, quer na fundação, quer no corpo da represa, fazendo com que não seja possível o armazenamento da água na sua albufeira, debilitando a rede de regra nesta localidade.

Produção local

A introdução da produção local na confecção de alimentos destinados à merenda escolar, foi defendida, recentemente, pela administradora municipal da Humpata, província da Huíla, Paula Nassone.
O município da Humpata dispõe de potencial diversificado de produtos agrícolas, cuja produção pode ser cada vez mais valorizada.

 

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