Igrejas chamadas a contribuir para moralização da sociedade

Casimiro José | Sumbe
28 de Março, 2017

Fotografia: Casimiro José|Sumbe |Edições Novembro

Os líderes das denominações religiosas que integram as quatro plataformas eclesiásticas implantadas na província do Cuanza Sul foram chamados a contribuir para a moralização da sociedade, como premissa para o alcance da paz social, durante o encontro realizado na cidade do Sumbe, no quadro do programa do Governo Provincial de auscultação da sociedade civil.

As quatro plataformas eclesiásticas, nomeadamente, Aliança Evangélica de Angola (AEA), Conselhos das Igrejas Cristãs (CICA) e das Igrejas de Reavivamento de Angola (CIRA) e a União das Igrejas do Espírito Santo em Angola (UIESA), manifestaram durante o encontro de auscultação o compromisso de trabalharem com o Executivo na promoção dos valores morais no exercício de uma cidadania activa,  bem como na contribuição para a formação dos jovens nas componentes de formação académica e profissional.
Como parceiros do Executivo, os líderes das  igrejas implementadas no Cuanza Sul consideraram que o encontro de auscultação constituiu-se num espaço de partilha de ideias, entre estas e o Governo Provincial para se identificar os problemas que assolam a população e, da mesma forma, encontrar-se as vias para a sua resolução.

Esforços reconhecidos


O programa “Água para Todos”, a oferta de bens e serviços, bem como a expansão das infra-estruturas  sanitárias e do ensino foram feitos do Governo Provincial enaltecidos pelos líderes ­religiosos, que pediram a continuidade dos mesmos em todas as localidades da província.
Apesar das conquistas registadas nos mais variados domínios, os líderes religiosos apontaram outras preocupações que ainda se fazem sentir nas comunidades, como o melhoramento do saneamento básico do meio e a construção de mais escolas e centros médicos nas zonas periurbanas e rurais para desafogar os hospitais municipais e provinciais.
O representante do CICA, pastor Miguel de Oliveira Muchica, apresentou durante o encontro um memorando onde constam as contribuições da plataforma, que comporta um conjunto de acções, destacando-se o incentivo às iniciativas empreendedoras dos jovens, reabilitação das vias de acesso e o patrulhamento dos agentes da Polícia Nacional nos maiores aglomerados populacionais para garantir a segurança e tranquilidade pública, entre outras acções.
Na visão da plataforma Aliança Evangélica de Angola (AEA), o Governo Provincial tem desenvolvido acções de impacto social, o que é notório nas comunidades. Na leitura do memorando de intenções, o pastor José Joaquim Maneco referiu que sendo os fiéis parte dos habitantes da província não deixam de viver as mesmas alegrias e dificuldades. “Somos parte  dos habitantes desta província. Por isso, vivemos as alegrias e sentimos também as preocupações que assolam a vida quotidiana e temos o dever de conjugarmos os esforços tendentes à resolução dos problemas que surgem”, disse.
O pastor José Maneco pediu às autoridades da província para ouvirem com atenção as preocupações manifestadas pelas igrejas para que o programa de acções dos próximos tempos reflicta os interesses de todas as franjas da sociedade. “Temos muitas ideias e, se forem aceites, vão contribuir para o desenvolvimento da nossa província, principalmente no melhoramento dos sectores da Educação e da Saúde”, assegurou o líder religioso.
Uma das grandes preocupações manifestadas pela plataforma AEA tem a ver com a necessidade de o Governo Provincial ceder espaços que permitam às igrejas construir infra-estruturas sociais, como escolas,  postos de saúde e outros empreendimentos.
A plataforma eclesiástica Conselho das Igrejas de Reavivamento de Angola (CIRA), também apresentou o seu memorando no encontro que, dentre outros assuntos, realçou os ganhos alcançados, fruto dos esforços do Executivo, com destaque para o aumento da construção de escolas nas comunidades e a assistência à população.
Suzana Cristo, que leu o memorando,disse durante o encontro que na província e no país em geral são visíveis os ganhos em muitos domínios da vida social e económica.
“Não devemos ser cegos e surdos para duvidarmos do que está a acontecer no nosso país”, aconselhou.
Entre as questões constantes do memorando, Suzana Cristo apontou a preocupação ligada aos métodos de recolha do  lixo, visando melhorar o saneamento da população.
A plataforma União das Igrejas do Espírito Santo em Angola (UIESA), na voz da pastora Margarida Chipuco, manifestou-se disposta a contribuir para a preservação da paz, reconciliação nacional e desenvolvimento social das comunidades.
No memorando constaram assuntos relacionados com a  flexibilização do processo de registo civil e atribuição de bilhetes de identidade aos cidadãos, sobretudo às pessoas carenciadas, construção de casas de média e baixa renda e de mais escolas e unidades sanitárias na província.

Igrejas apoiam Governo

O governador da província do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, reconheceu o papel que as igrejas têm desempenhado na harmonização das famílias e o apoio às comunidades para o exercício da cidadania.
“Temos a plena consciência de que sem as igrejas a nossa sociedade estaria mergulhada num caos”, disse, para quem estas sempre se evidenciaram na promoção dos valores cívicos e morais, bem como nas tarefas de educação e consciencialização dos cidadãos.
O governador Eusébio de Brito Teixeira fez saber que o Estado angolano é laico, o que lhe confere proteger as igrejas, que por sua vez têm uma actuação autónoma. “As igrejas actuam sem pressão do Governo e os cidadãos são livres de escolherem as denominações a que queiram pertencer, havendo a liberdade de culto e de crença”, frisou.
Eusébio de Brito Teixeira aproveitou a ocasião para exortar os líderes das igrejas ainda não reconhecidas e que estão filiadas nas plataformas eclesiásticas, no sentido de reunirem assinaturas que habilitem o seu reconhecimento junto do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, como condição para se desencorajar a proliferação de seitas religiosas.
Sobre os desafios políticos que o país vai observar, com a realização das eleições gerais em Agosto do corrente ano, o governador apelou aos líderes religiosos no sentido de sensibilizarem os seus fiéis para a participação activa, para conferir o mandato ao Governo que sair das próximas eleições.
“Politicamente, o país caminha para um processo muito importante para a consolidação da democracia em Angola. Por isso, todos são chamados para a actualização do registo e a votação dos futuros dirigentes deste belo país”, concluiu o governador.
O encontro de auscultação contou com a participação de líderes religiosos, membros do Governo Provincial, responsáveis da Delegação Provincial da Cultura e de líderes de organizações da sociedade civil.

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