Reportagem

Instituto Agrário do Tchivinguiro mergulhado em mar de dificuldades

Arão Martins | Tchivinguiro

O Complexo do Instituto Técnico Agrário do Tchivinguiro nº 702, situado no município da Humpata, província da Huíla, que congrega um internato com capacidade para albergar mais de 300 alunos, clama por reabilitação urgente, dado o seu estado avançado de degradação.

Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro | Lubango

A instituição, que conta com 27 docentes, lecciona os cursos de Indústria Agro-alimentar, Produção Vegetal, Produção Animal e Gestão Agrícola. No presente ano lectivo, tem matriculados 414 alunos, dos quais 200 internos. 
A infra-estrutura apresenta um cenário marcado por portas soltas, fissuras nas paredes, equipamentos industriais e frigoríficos de cozinha e la-vandaria inoperantes.
Com 72 quartos, uma das principais inquietações da escola é a inoperância da tubagem e dos esgotos. A situação agrava-se no período chuvoso, durante o qual os estudantes são submetidos a um ambiente impróprio de salubridade.
O Instituto Técnico Agrário do Tchivinguiro é uma re-ferência na formação de técnicos oriundos de várias províncias do país, apesar de es-tar mergulhado em dificuldades, correndo o risco de desabar, caso não seja feita uma intervenção.
O Instituto do Tchivinguiro é uma instituição pública, vocacionada para a formação de técnicos do ramo da Agricultura, Pescas e Indústria Alimentar. Possui um internato com capacidade para alojar 340 alunos, cozinha industrial, refeitório, lavandaria, salas de estudo e de vídeo e instalações administrativas.
O instituto tem uma enfermaria com capacidade para internar dez doentes. O complexo é constituído por três campos agrícolas experimentais situados na Fazenda do Tchivinguiro. A escola tem 12 salas, sete laboratórios e duas salas de informática.
O Complexo Escolar Agrário do Tchivinguiro  mantém a exploração agropecuária em três fazendas que  servem de suporte das aulas práticas. É nestes campos onde são produzidos os alimentos para o internato.
A fazenda tem 250 hectares de regadio e 500 de se-queiro. O director-geral do Instituto do Tchivinguiro, Francisco Ebo, disse que o empenho dos estudantes nas aulas práticas e nas actividades ex-tra-escolares permitiu, neste ano lectivo, produzir grandes quantidades de cereais e de hortaliças.

Imensas dificuldades
“As dificuldades no Instituto Técnico Agrário do Tchivinguiro são tantas, que nós não conseguimos dar vazão”, lamentou o director daquela instituição, Francisco Ebo,  adiantando que os embaraços se prendem com a reduzida quota financeira que a direcção recebe “com muitas os-cilações, o que não permite, muitas vezes, efectuar intervenções pontuais, já que os gastos abarcam o internato, a escola e as três fazendas.”
Segundo Francisco Ebo, o complexo  não recebe uma  verba fixa, em termos de quantia.  “A partir do mês de Maio último, o quadro da quota fi-nanceira tem sido um pouco mais regular, oscilando de 3 milhões a 5 milhões de kwanzas, contra 1.500.000 que eram cabimentados  anteriormente”, disse.  “As quotas financeiras”, prosseguiu,  “eram irregulares,  mas de Maio até ao corrente mês já nos sentimos um pouco aliviados porque com o pouco que nos é alocado conseguimos fazer despesas”, explicou o director Francisco Ebo.
Antiga reabilitação
Francisco Ebo informou que a escola, o internato e algumas habitações foram reabilitadas em 2000, mas as infra-estruturas de apoio à actividade agropecuária não foram contempladas, daí a contínua de-gradação das mesmas e, consequentemente, a baixa da produção e produtividade nos campos agrícolas.
“Passados 18 anos, desde que a infra-estrutura foi reabilitada, afigura-se urgente fazer novas obras de restauração no internato, cozinha, refeitórios, enfim,  no tecto e nos esgotos, para evitarmos constrangimentos no futuro”, alertou, acrescentando que,  para o aproveitamento do canal principal e secundário na produção agrícola, “é preciso um estudo e intervenção urgente.”

Insuficiência de verbas
Francisco Ebo disse que a ver-ba alocada ao Complexo do Instituto Técnico Agrário é exígua, pelo que a instituição conta com a comparticipação dos pais e encarregados de educação, que contribuem com dez mil kwanzas por mês para colmatar algumas dificuldades. “Infelizmente, tivemos de recorrer aos pais e encarregados de educação para nos ajudarem para podermos suprir alguns problemas que nos assolam”, disse.
O director da instituição, Francisco Ebo, informou que o lar dispõe de cerca de 10 WC, mas destes, só funcionam 4. As três câmaras frigoríficas industriais estão inoperantes e o refeitório, com capacidade para 200 alunos, tem parte das mesas e cadeiras partidas. “A escola foi reabilitada e apetrechada. Portanto, 18 anos depois, a instituição continua sem receber obras e novos equipamentos”, frisou.
As quotas financeiras não chegam para comprar camas, colchões, lençóis e outros utensílios que fazem parte do internato. “Clamamos pe-la reabilitação urgente de todas as infra-estruturas, para melhorarmos tudo, as condições dos estudantes, inclu-indo a qualidade do ensi-
no”, disse.

Tradição na formação agro-pecuária

O Instituto Técnico Agrário do Tchivinguiro formou, desde a sua fundação, em 1958,  três mil e 996 técnicos, dos quais  mil 171 regentes agrícolas. Segundo Francisco Ebo, a escola tem uma tradição forte no ensino agro-pecuário. “Devido à política de diversificação económica, há muitos cidadãos a tentarem ingressar nesta escola nos últimos tempos, pelo que, devido à procura acentuada, tivemos de improvisar salas de aula para albergar o maior número de alunos possível”, frisou.

Valores necessários

Entre 20 e 30 milhões de kwanzas é o montante que a direcção do Instituto Técnico Agrário precisa mensalmente para fazer frente às necessidades correntes. “Com este valor, já poderíamos fazer algo. Temos cerca de 300 hectares cultiváveis com possibilidade de ampliação. Estão ainda disponíveis 90 hectares de regadio. Sem o canal reabilitado, é difícil proceder a regas. Portanto, com uma quota financeira maior do que a que re-
cebemos, teríamos esta questão resolvida”,  disse.

Via de acesso

O avançado estado de degradação da via que dá acesso ao Complexo Escolar do Tchivinguiro,  um percurso de 13 quilómetros, do desvio da estrada nacional que liga Lubango-Namibe e vice-versa, passando pela Serra da Leba, apresenta-se como o grande embaraço para os estudantes e, consequentemente, para o bom andamento da escola. O mau estado da estrada tem provocado alguns acidentes no trajecto. O acesso às fazendas, um percurso de 20 quilómetros, também tem sido embaraçoso, devido ao débil estado da estrada.

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