Reportagem

Jovens dependentes de drogas buscam apoio para reabilitação

Victória Quintas

Adolescentes e jovens do Huambo e de outras regiões do país, que se dedicavam ao consumo excessivo de álcool e drogas pesadas, buscam apoio para sair da dependência no único centro de reabilitação existente na província.

Fotografia: Francisco Lopes | Edições Novembro | Huambo

Trata-se da Fazenda da Esperança, instituição afecta à Igreja Católica, que trabalha desde Outubro de 2011 na recuperação de jovens dependentes de drogas, vindos de diversos pontos do país, localizada na comuna da Vavayela, município do Cachiungo.
O centro, com a capacidade para albergar mais de cem pessoas do sexo masculino, dos 17 aos 60 anos, actualmente tem 50 toxicodependentes de álcool e drogas oriundos das províncias do Huambo, Luanda, Benguela, Bié, Cunene e Huíla.   
O responsável do centro, João Paulo Faria, disse que durante o período de recuperação, que é de apenas um ano, a espiritualidade, o convívio e o trabalho constituem a base do processo de recuperação, sem necessidade de uso de algum medicamento.
O trabalho visa dar valor e responsabilidade na caminhada do toxicodependente para que enten-da a sua importância na vida. A espiritualidade ensina que, independentemente da religião, é importante que as pessoas saibam que existe um Deus. No convívio aprende-se a respeitar o outro dentro da sua essência, sabendo qual é o limite de cada um e contribui para a reinserção do jovem na sociedade.
As instalações, que anteriormente acolhiam mais de 20 pessoas, foram reabilitadas e ampliadas, numa parceria entre o Governo da província e a Igreja Católica. As novas instalações contemplam dormitórios, um refeitório, uma cozinha, um escritório e a capela para celebração das missas.
João Paulo Faria disse terem em carteira o projecto de construção de um centro feminino para acolher meninas e senhoras que se encontram nas mesmas condições de dependência de álcool e outras drogas.
O governador do Huambo João Baptista Kussumua, que presenciou a inauguração do Centro, disse que as estruturas reabilitadas representam uma nova era, ao acolher os jovens que sofrem de toxicodependência para a sua recuperação.
“Honra-nos a parceria que existe entre a Igreja Católica e o Governo do Huambo no sentido de dar solução aos problemas dos toxicodependentes, no combate ao alcoolismo e às drogas”, disse o governador. O projecto de reabilitação de jovens toxicodependentes da Fazenda da Esperança iniciou em 1983 no Brasil onde já recuperou e reintegrou milhares de jovens, alguns dos quais hoje são voluntários nas fazendas espelhadas pelo mundo e ajudam outras pessoas a saírem das drogas.
Frei Hans Stapel, mentor do projecto Fazenda da Esperança, de nacionalidade alemã, explicou que, antes da criação do Centro, a ideia inicial passava pela construção de uma clínica. A crença na Bíblia e na cura divina levou-o a mudar de ideias e a criar o projecto Fazenda da Esperança. “Não há melhor remédio que a palavra de Deus. Com isso consegue-se salvar vidas de pessoas que se encontram no mundo do alcoolismo e das drogas”, sublinhou.
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Período pós-recuperação
O período pós-recuperação é complexo e longo, já que o jovem depois do tratamento  regressa ao seu ambiente normal onde o risco de uma recaída está sempre à espreita. Por isso, foi criado o Grupo Esperança Viva (GEV) que apoia na reiserção social de todos aqueles que terminaram o tratamento.
O GEV reúne-se todos os sábados à tarde na paróquia da Sé Catedral do Huambo para partilhar experiências de vida entre os antigos toxicodependentes. Os responsáveis da Fazenda lembram que a família desempenha um importante papel durante o período de recuperação do jovem.
O representante da Associação Nacional de Luta contra as Drogas (ANLD) no Huambo, Nelson Nhanga, referiu que a sensibilização dos adolescentes e jovens no sentido de evitarem o consumo exagerado de bebidas alcoólicas deve ser da responsabilidade de toda a sociedade.
O responsável disse ser necessário a criação de políticas que regulem tanto a comercialização como o consumo de bebidas alcoólicas no nosso país, tendo apontado a existência de alguns diplomas cujo cumprimento carece de fiscalização.


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