Reportagem

Jovens têm formação profissional

Edvaldo Cristóvão

Desde 2008, mais de seis mil jovens das 18 províncias beneficiaram do micro crédito bancário denominado “Amigo”, atribuído a finalistas dos cursos de formação profissional promovidos pelo Executivo, através do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.

Centros de formação profissional implantados no país dão cursos técnicos para a juventude
Fotografia: Arão Martins

Assente na ideia de que um país não se faz apenas com doutores e engenheiros, e tendo em conta o facto de muitos angolanos terem ficado privados de prosseguir os seus estudos académicos, devido à guerra, o  Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que incumbiu os departamentos ministeriais de desenvolverem iniciativas que beneficiem directamente os jovens e suas famílias nas comunidades. Nasce daí a parceria  entre o MAPTSS e o Banco Sol, que tem ajudado muitos jovens a mudarem os seus destinos e das suas famílias também.
Um dos traços caracterizadores do longo conflito armado que Angola viveu é precisamente a mobilização da população jovem. E isso levou a que muitos angolanos interrompessem os estudos e adiassem os seus sonhos. Depois da guerra, há que recuperar o tempo perdido. Para suprir as dificuldades e limitações que a guerra provocou aos jovens, o Executivo lançou programas de formação e ocupação laboral, fomentando o auto-emprego e desencorajando a ociosidade.
A paz que se vive há 14 anos torna o quadro favorável a esta empreitada. É assim que assistimos todos os anos a centenas de jovens mudarem os seus destinos, pois a formação constitui a porta principal para o desenvolvimento sustentável e a geração de empregos.
Na inauguração do primeiro pavilhão ocupacional de formação e prestação de serviço, construído no bairro do Chioco, no Lubango, que marcou o encerramento do ciclo formativo 2016, em todo país, o ministro do MAPTSS, Pitra Neto, fez questão de sublinhar que a aposta do Executivo no programa de empreendedorismo na comunidade é apenas uma parte de um esforço no sentido de fazer com que investimentos de pequena, média e grande dimensão tenham o mesmo desempenho.
A formação, salienta, só é importante se soubermos conjugar a necessidade com a utilidade. Pitra Neto reconhece que as dificuldades decorrentes da actual conjuntura do país têm impacto nos projectos, mas isso não impediu que os resultados do ciclo de formação deste ano fossem positivos. Os números falam por si. Em 2015 foram formados 52.791 jovens, e este ano a cifra chegou a 56.245.
Na formação profissional, no âmbito do sistema nacional, além das entidades públicas, participam operadores privados. Para o próximo ciclo formativo, a prioridade dos cursos profissionais vai estar direccionada nos sectores da Agricultura, Indústria, Geologia e Minas, Turismo, Transportes e prestação de serviços.
O ministro considera necessário fazer com que a formação profissional seja uma referência de impulso, de apoio, de amparo às iniciativas da diversificação da economia. O Executivo, através de um diploma legal, determinou a nível dos municípios a existência de comissões de coordenação da formação profissional, que devem ser dirigidas pelos administradores municipais.
“Qualquer sociedade, mesmo com os recursos financeiros em abundância e grandes infra-estruturas, torna-se inútil sem pessoas capazes, com ideias correctas e competências adequadas”.
O empreendedorismo é uma via para os jovens formados desenvolverem o seu próprio negócio e, por isso, o Executivo tem incentivado iniciativas nas comunidades, como  pequenos, médios e grandes negócios para que possam ser dinamizados no contexto da diversificação da economia. O programa de formação é contínuo, de modo a que os jovens continuem a realizar acções que visam proporcionar o bem-estar às suas famílias. Os investimentos têm lugar onde o clima macro-económico é adequado.
No ciclo formativo 2016, o Sistema Nacional de Formação Profissional inscreveu 102.946 formandos, destes matricularam-se 67.209, dos quais 42.679 nos Centros tutelados pelo INEFOP, 8.160 nos centros públicos de outros organismos e 16.370 em centros privados.
Em termos de adesão por género, o sistema matriculou 42.664 formandos e 24.545 formandas.
Em termos gerais, aprovaram neste ciclo formativo, 56.245 formandos, dos quais 33.836 dos centros tutelados pelo INEFOP, 14.923 dos centros privados e 7.486 nos centros de outros organismos públicos, representando 60,2 por cento, 26,5 por cento e 14,3 por cento, respectivamente.
Foram ministrados 139 cursos nos centros tutelados pelo INEFOP e 172 nos privados. Entretanto, apesar dos cursos ministrados nos centros privados serem em maior número, cerca de 92 por cento foram formações ligadas à área de administração e serviços, enquanto que nos centros de formação tutelados pelo INEFOP, cerca de 81,22 por cento dos cursos são técnicos, sendo a sua maioria ministrada na modalidade de formação inicial.
Em termos de formandos matriculados por províncias, Luanda lidera com 21.342, seguido da província de Benguela com 1. 976. A província da Huíla matriculou este ano 1.085 formandos dos quais 802 do sexo masculino e 283 do sexo feminino.
Para formar os jovens que acorreram aos centros de formação, o Sistema Nacional de Formação Profissional contou com 633 unidades formativas das quais 140 tuteladas pelo INEFOP, 35 de outros organismos e 458 privadas.

Jovens empreendedores

Maria Cassinda foi a primeira a receber da mão do ministro Pitra Neto um cheque de 170 mil kwanzas, referente ao “Crédito Amigo”, concedido pelo Banco Sol. A jovem que fez formação em pastelaria diz não ter dúvida do que pretende fazer com o dinheiro, depois de tudo que aprendeu no curso.
“É uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Todos os jovens devem abraçar este programa do Executivo, porque ajuda-nos a crescer na vida”, defende.
Nelson Amadeu Domingos Fernando, outro beneficiário do “Crédito Amigo”, começa por agradecer a oportunidade e afirma que vai dedicar-se ao desenvolvimento do mercado de trabalho. A ideia deste jovem é fazer com que o seu futuro negócio venha a gerar mais empregos e oportunidades para outros jovens. “Obrigado por tudo, porque tudo o que aprendemos aqui vamos levar para a vida toda.” Carlos Pinto, recém-formado pelo Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE) no Lubango, é um exemplo de superação e cumprimento do programa. Antes de frequentar o curso era desempregado, hoje já tem o seu próprio negócio, que, segundo diz, tem dado lucros.
A aposta no comércio de pescado no corredor Namibe, Lubango e Benguela tem dado para o “pé-de-meia”. A sua adaptação à actividade comercial foi fácil, fruto da formação que obteve no CLESE. “Fiz antes uma pesquisa do mercado, comecei a transportação do peixe com uma carrinha, hoje tenho mais meios que permitem gerar lucros. Apesar das dificuldades, tenho conseguido manter o negócio e sustentar a minha família.”
Cleide Jacinto fala em nome da Associação dos Empreendedores formados pelo CLESE na província da Huíla, e conta que em 2015 teve a oportunidade de fazer o curso de Empreendedorismo, onde foi capacitada com conhecimentos que ajudaram a abrir o seu próprio negócio.
Alertou os jovens empreendedores que para começar um negócio, não é necessário ter um valor monetário elevado, mais sim grandes ideias para serem implantadas, porque ser empreendedor é ser responsável, persistente, batalhador e sonhador. “Não se deve desistir por nada, porque para qualquer problema há sempre uma solução”, afirma.
A jovem é dona de uma escola de condução, com capacidade de formar 100 alunos por ano. Ela emprega oito pessoas e o negócio tem sido satisfatório para cobrir as suas necessidades.

Por todo o país

Até ao momento, já foram criados 595 centros de formação, registados mais de 234.744 formandos e, destes, 196.884 terminaram os cursos com sucesso nas 111 especialidades ministradas. Para cada jovem formado, o Estado gasta 800 mil kwanzas.
Os Centros de Aprendizagem e Prestação de Serviços inserem-se no âmbito da expansão da oferta formativa do Sistema Nacional de Formação Profissional, vocacionado para a capacitação dos jovens no domínio das artes e ofícios, bem como para apoiar os empreendedores na prestação de serviços com qualidade em espaços e oficinas condignas.
Os cursos são adaptáveis à procura, com especialidades de corte e costura, refrigeração, empregada doméstica, cozinha, pastelaria e contabilidade informatizada. Neles é também possível fazer cursos pós-laborais para aqueles que ainda não têm experiência profissional.

Parceria vitoriosa

Numa intervenção feita recentemente, o presidente do Conselho de Administração do Banco Sol, Coutinho Nobre Miguel, falou do papel da banca angolana e da parceria com o Executivo na concretização de políticas de fomento, promoção e consolidação empresarial. No seu entender, a banca deve estar sempre presente para contribuir para a transformação da vida real das famílias.
Coutinho Nobre Miguel garante que o Banco Sol está aberto para apoiar todas as iniciativas empreendedoras, e todos os jovens com iniciativas de criar pequenos negócios ou que pretendam ampliar, “podem procurar os nossos balcões sem receios”.
Mesmo em caso de incumprimento não devem ter receio de voltar ao banco, porque há equipas específicas para tratar da reestruturação dos créditos e reforçar as garantias, para posteriormente assegurar os investimentos.
O que muitas vezes ocorre é que quando os jovens não conseguem honrar os compromissos, eles desligam os telemóveis e fogem das responsabilidades. “Não há necessidade disso, porque o balcão tem como mostrar os caminhos adequados para salvaguardar as falhas.”
Com a criação do Sistema Nacional de Formação Profissional, sob gestão do MAPTSS, o desemprego entre os jovens tem diminuído substancialmente. Os programas de formação estão subdivididos em brigadas e foram criados para ajudar a combater a delinquência juvenil e impulsionar o empreendedorismo que dá possibilidade aos jovens de criarem as suas próprias empresas.
O programa de empreendedorismo na comunidade “Crédito Amigo”, dá maior solidez ao programa de formação e, depois, ocupação profissional aos jovens.

Empregos gerados

Dados de emprego obtidos no primeiro semestre deste ano, indicam que 77.688 cidadãos foram empregados no sector da economia geral. O sector da Energia e Águas durante o período 2013/2016 é o que mais gerou empregos com 172.911, seguido pelo Comércio (169.897), Transportes (136.107) e Hotelaria e Turismo (62.132).
O sector real da economia continua a prestar uma grande contribuição na geração de emprego, e isso demonstra que os resultados das políticas para acelerar a diversificação da economia têm surtido efeito.
Os resultados definitivos do Censo em Março deste ano definem que a população economicamente activa começa aos 15 anos. Em 2004, a taxa de ocupação era de 53 por cento, sendo 61 por cento para os homens e 45 por cento para as mulheres. Geograficamente, a província do Cuanza Sul tem a taxa mais elevada, com 62 por cento, seguida de Malanje com 60 por cento. Lunda Sul e Cunene apresentam as menores taxas de ocupação, com 38 e 39 por cento, respectivamente. Dados do Censo revelam que 42,2 por cento da população activa trabalha no sector primário, que inclui a Agricultura, Produção Animal, Caça, Florestas e Pesca.
O sector secundário dá ocupação a 6,1 por cento, nos sectores da Indústria, Construção, Energia e Águas. O sector terciário emprega 26,2 por cento da população activa nos Transportes, Comunicações, Comércio, Finanças e serviços administrativos. Em 2014, a taxa de emprego em Angola foi de 40 por cento. As províncias do Cuanza Sul e Malanje apresentam as taxas mais altas.
A Agricultura e a Pesca são as actividades económicas que geram mais emprego no país, com 70 por cento de ocupação, concentrando-se sobretudo na província do Cuanza Sul.
Com a criação do Instituto de Formação Profissional (INEFOP), o défice do desemprego nos jovens tem diminuído substancialmente. Foram registados mais de 234.744 formandos e destes, 196.884 terminaram os cursos com sucesso nas 111 especialidades ministradas. Para cada jovem formado em centros profissionais, o Estado gasta 800 mil kwanzas.
O plano de formação tem como objectivo conceber e executar as políticas do emprego e de formação, para acompanhar o desenvolvimento do país. O Sistema Nacional de Formação Profissional criou um total de 595 centros de formação a nível do país, controlados por organizações privadas e estatais, dos quais 140 são sustentados pelo Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional.
O Sistema Nacional de Formação Profissional é um instrumento que está sob gestão do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS). Os programas de formação estão subdivididos em brigadas e foram criados para ajudar a combater a delinquência juvenil e impulsionar o empreendedorismo que dá possibilidade aos jovens de criarem a suas próprias empresas.
No âmbito do Programa de Formação Profissional, o Executivo tem como objectivo conceber e executar as políticas do emprego e de formação, acompanhar as políticas globais e sectoriais, elaborando estudos e propostas para acompanhar o desenvolvimento do país e da mão-de-obra qualificada.

Formação de quadros

O Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ) até 2025 vai promover e melhorar o acesso dos angolanos a um emprego produtivo, qualificado e assegurar a valorização sustentável dos recursos humanos.
O PNFQ constitui um instrumento de gestão dos recursos humanos para a economia e visa a melhoria de competências à população activa desempregada, centradas em objectivos estratégicos da economia, assegurando o equilíbrio entre a procura e a oferta de mão-de-obra qualificada e competente para os desafios actuais e futuros.
Depois de formados, os novos profissionais contam com o apoio total do Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE) em 56 centros de emprego. O Banco Sol tem sido o parceiro que financia o Micro Crédito Amigo, que já beneficiou mais de 6.000 empreendedores.
Destes, 13 já estão a gerar outros empregos e outros 1.338 investidores na base da economia formal.
O CLESE joga um papel importante, devido aos vários programas que estão a ser implementados para proporcionar ideias para negócios estruturados, abrir empresas e facilitar a colocação dos jovens no mercado de trabalho.
O MAPTSS criou outros programas que promovem e favorecem o acesso aos jovens que prestam serviço nos mercados e mecânicos para oficinas de geradores, com oficinas nas zonas rurais perto das residências para facilitar a deslocação.
O CLESE ministra uma diversidade de cursos nas áreas de contabilidade, informática, electricidade, alvenaria, mecânica, corte e costura e outros.

Centros móveis

Os centros móveis têm servido para formar pessoas que vivem em zonas de difícil acesso. Já chegou até à comuna de Catuitui, zona que faz fronteira com a Zâmbia, província do Cuando Cubango e Cazombo, na província do Moxico.
Os cursos mais procurados a nível dos centros de formação têm sido o de informática, electricidade, contabilidade, gestão de empresas e bancário, especialidades informáticas e transversal.
O Instituto Nacional do Emprego conta com l.232 formadores, devidamente especializados. Este ano foi implementado o curso da agricultura tendo em conta a situação actual que o país vive, que passa pela diversificação da economia. O CLESE está em dez províncias do país e tem a finalidade de mudar as comunidades por via do empreendedorismo, ensina os jovens a ter um domínio básico na gestão da sua conta e a ter domínio da contabilidade básica para negócios e marketing. Com este programa de formação, muitos vêem as suas vidas mudadas, tornando-se mais úteis à sociedade.
O CLESE tem cursos de informática, serralharia, carpintaria, alumínio, construção civil, canalização, panificação, costura industrial, electricidade, informática e reparação de computadores. Estes cursos dão ao cidadão uma capacitação empresarial, assessoria jurídica, contabilística e financeira.
Existe um seguimento específico que tem a ver com a formação profissional dos desmobilizados de guerra e de outros grupos vulneráveis, a reabilitação profissional dos mutilados de guerra e de outros estratos vítimas de guerra.

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