Reportagem

Lançado projecto de electrificação

João Mavinga | Kuimba

O município do Cuimba, região agrícola com cerca de 49 mil habitantes, testemunhou, o acto de lançamento oficial do projecto de electrificação da província do Zaire.

Governador do Zaire Joanes André
Fotografia: Edições Novembro

O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, deslocou-se ao Cuimba com uma comitiva multissectorial, que integrou o titular da pasta das Finanças, Archer Mangueira, e os secretários do Estado da Construção e da Agricultura.
O projecto global de electrificação da província do Zaire está orçado em 435 milhões de dólares. O financiamento do Governo Chinês vai beneficiar, pela primeira vez e numa primeira fase, mais de 72 mil famílias com energia eléctrica da rede pública. O ministro da Energia e Águas, que anunciou o facto no Kuimba, deixou claro que, na fase conclusiva da acção, com a duração de 30 meses, a electrificação da região vai beneficiar um total de 500 mil consumidores.
“Nós estamos aqui no município do Kuimba para lançar este importante projecto de electrificação da província do Zaire, porque, há três anos, o Presidente da República orientou a construção da central do ciclo combinado do Soyo e algumas vozes diziam que a energia do Zaire iria toda para Luanda e que a província continuaria a não ter energia, o que não é verdade”, assegurou João Baptista Borges.
A grande prioridade da acção está a ser dada às zonas que nunca tiveram energia eléctrica, bem como ali onde o fornecimento de luz eléctrica ainda é muito precário, como explicou o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, para quem “nos próximos dois anos e meio, o projecto de electrificação das sedes municipais da região será concluído.”
Além da dinâmica do projecto proporcionar múltiplas vantagens para a comunidade, a acção vai gerar postos de trabalho directos para mil jovens. Os trabalhadores recrutados vão ter actividades de subcontratados, enquanto outros vão estar vinculados à construção da rede eléctrica e das subestações, como apurou a reportagem do Jornal de Angola.
A empreitada exige a instalação da linha de electricidade de alta tensão que vem da subestação de Mbanza Kongo com a capacidade de 220/60 kv e uma outra de 60/15 kva, para permitir o transporte de energia eléctrica às sedes municiais do Kuimba e do Nóqui. “O Kuimba nunca teve energia da rede pública.  Tem tido gerador que volta e meia pára, por avaria técnica e problemas de falta de combustível”, disse.
Numa alusão ao processo eleitoral, João Baptista Borges desmistificou as informações, perante centenas de populares, de que o périplo que efectua às províncias, esteja ligado a compromissos eleitorais como vaticinam alguns círculos políticos.
“Este é um projecto que começou a ser preparado faz tempo. A empresa contratada começa com os trabalhos hoje. Não viemos aqui fazer campanha eleitoral, mas sim lançar um projecto que já começou a ser preparado e que neste momento tem condições para arrancar”, explicou.  
O ministro da Energia e Águas fez questão de explicar que neste momento está em construção a  ligação de cabos de transporte para Mbanza Congo com a previsão de conclusão no próximo mês de Junho. “Contamos com o apoio do Governo da China. O embaixador da China acreditado em Angola está aqui para testemunhar o produto do financiamento deste projecto”, frisou.
O governador provincial do Zaire, Joanes André, levou a comitiva ao Kuimba, cujo trajecto de terra batida consumiu duas horas, devido ao estado avançado de degradação de uma via, que em condições normais levaria 30 minutos.
Além da energia eléctrica, João Baptista Borges disse que o ministério tem em carteira,  para o Zaire, um importante programa inerente à reabilitação e ampliação dos sistemas de distribuição de água nas sedes municipais, na qual o município do Kuimba também está incluído. “Brevemente, vamos voltar aqui para prestar informação e mostrar o que  o Executivo está a fazer no domínio das águas nos municípios da província do Zaire”, elucidou.

Governo da China

O embaixador da China acreditado em Angola, Cui Aimin, afirmou no Kuimba que o seu país, ao financiar o projecto de electrificação da província do Zaire, abre novo desafio que reflecte a materialização  activa de consensos  estabelecidos entre os presidentes de Angola e da China, quanto aos resultados alcançados  na última cimeira realizada em Joanesburgo, África do Sul, que recomendou maior intercâmbio para facilitar melhorar a cooperação em todos os domínios.
Para o embaixador chinês, o curso das conversações mantidas na África do Sul, e não só, produziu razões suficientes para acreditar que, com a chegada do novo ciclo da cooperação de financiamento China-Angola, se abre uma nova fase de desenvolvimento para os dois países, para ao mesmo tempo se realizar uma complementaridade vantajosa para os dois Estados. 
“Temos uma grande equipa em funcionamento que acautelou todas as acções de protecção ambiental com equipa idónea, com tecnologia actualizada e gestão profissional também sofisticada em termos de equipamentos”, asseverou o embaixador chinês.
Cui Aimin anseia que a concretização do projecto energético da província do Zaire, como base catalisadora que permita realizar a electrificação de milhares ligações, satisfaça os requisitos plasmados no Plano Director do Governo Provincial do Zaire e a necessidade de utilização de energia eléctrica.           
 
Projecto agrícola

 
Num percurso de pouco menos de 25 quilómetros, o governador guiou a comitiva em que esteve presente o secretário de Estado da Agricultura, André de Jesus Moda, para aferir a maior fazenda do Kuimba identificada por “Dia-Dia”, com 900 hectares de milho plantados. Neste momento, a fazenda está engajada na colheita do milho para o armazenamento nos três silos (tanques) com capacidade de quatro toneladas cada. O secretário de Estado da Agricultura explicou que, até à data presente, a empresa chinesa colheu cerca de cinco mil toneladas de milho.
A ideia, segundo o secretário de Estado da Agricultura, visa amadurecer mecanismos que possam evoluir para a exportação do milho para a República Democrática do Congo. O único grande senão reside no estado péssimo das vias de comunicação, para o sucesso do projecto. Parte do milho recolhido é para o fabrico de ração.
A produção actual é resultado de uma agricultura de sequeiro (tempo seco) desenvolvida no período de Cacimbo. O responsável da empresa augura que, no período chuvoso, possa duplicar os níveis de produção actual. “No período das chuvas, a produção vai aumentar, enquanto aguardamos por outras possibilidades que passam pela aquisição de sistemas de rega para este tipo de projectos”, disse o governante, para quem a dificuldade que se assistia em relação à importação de sementes foi ultrapassada.
 ”A questão das sementes já foi resolvida, assim como o equipamento para a tracção animal. A­cabamos de receber um grande lote pelo ministério de tutela e acredito que, no momento da distribuição, o Zaire vai ser beneficiado”, assegurou.

 Estrada degradada

A estrada que liga Mbanza Congo ao Kuimba apresenta um estado crítico de conservação. A comitiva foi apanhada de surpresa pela chuva, quando regressava à cidade de Mbanza Congo. Se na ida ao município do Kuimba o percurso consumiu duas horas, de regresso à sede da província, o quadro complicou-se. Foram quatro horas.
O secretário de Estado da Construção, António Flor, ficou chocado com o que constatou no terreno.   
“Ainda estou aqui no Kuimba. Vou passar a informação do que constatei, para, que  dentro das estratégias do Ministério da Construção, com as orientações do titular do  Poder Executivo, ultrapassarmos esse situação, que é desgastante para os automobilistas que utilizam essa via”, frisou aquele secretário de Estado. A­crescentou: “não vou dizer que é numa ou duas semanas que se vai resolver a situação da via do Kuimba. Mas acredito que seja brevemente.”

Governo do Zaire


Face à dimensão do projecto de electrificação do Zaire, o governador Joanes André dedicou parte da sua intervenção no elogio do projecto e realçou “está de parabéns a população do Zaire pelo gesto do Presidente da República ao autorizar e delegar a comitiva de ministros à nossa região, para proceder ao lançamento daquilo que o povo pede, que é a energia eléctrica, a água e as vias de comunicação, sendo base fulcral para o desenvolvimento de qualquer sociedade.”.
Com o projecto de electrificação do Zaire, o país cria para a região um clima de confiança e alegria, respondendo ao lema “O desenvolvimento do Zaire é uma certeza”. De tal maneira que, com a orientação do Executivo, através do Despacho 270/16 de 17 Setembro, permite alavancar a economia da província, resolver o problema do povo e aí continuar a referenciar o cumprimento das orientações do Chefe de Estado aos sectores da energia eléctrica.

Juventude é beneficiada


As palavras de João Samuel, autoridade tradicional, mostravam satisfação pela inovação. Para ele, o projecto de electrificação do Zaire marca uma fase determinante para o desenvolvimento da região, por permitir o surgimento de muitas indústrias que vão empregar grande parte da juventude.
 ”O que vi nessa cerimónia é algo surpreendente que galvaniza todas as forças vivas da região, quando a acção atingir a fase de arranque pleno”, afirmou o soba que não deixou de agradecer a Deus por tamanha surpresa. “Nós queremos que sejam feitas estas e outras obras indicadas pelo Executivo”, acrescentou.

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