Reportagem

Lembrada a promessa de construir o Memorial da Batalha do Ebo

Casimiro José | Ebo

Autoridades municipais e tradicionais do município do Ebo solicitam aos órgãos competentes que materializarem a promessa eleitoral, de construção de um Memorial da Batalha do Ebo para dignificar os heróis que se sacrificaram para o alcance da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

Com a reabilitação da via principal de acesso à sede do município diminuem distâncias o que facilita os negócios
Fotografia: Edições Novembro

Com a construção do Memorial da Batalha do Ebo, o município vai ser alvo de visitas de turistas nacionais e estrangeiros, bem como de historiadores para a pesquisa sobre a epopeia da batalha e outros feitos protagonizados pelos patriotas angolanos.
O regedor do Ebo, soba Anacleto Fialho “Ngana Wingui”, mostrou-se preocupado com a pouca atenção histórica dada ao município, assinalando que além de uma embarcação que ostentava o nome de Ebo, a Companhia de  Transportadora Aérea (TAAG) também deu nome de Ebo a uma das aeronave.
“O nome de Ebo é conhecido internacionalmente, devido à batalha que ocorreu nesta localidade, mas até aqui nenhuma entidade máxima se deslocou a esta região para rebuscar a História. Pedimos que se desloquem para o município a fim de honrarem o nome que deram ao avião”, disse.
Quanto aos níveis actuais do desenvolvimento do município, o regedor considera satisfatório, tendo em conta os níveis alcançados, caracterizados com a construção de mais escolas, postos de saúde, sistemas de abastecimento de água. “Não é possível fazer tudo ao mes-mo tempo e aqueles que dizem que o município está estagnado fingem-se de cegos”, desabafou.
A autoridade tradicional manifestou-se satisfeita com a obra de reabilitação e asfaltagem da via que liga a sede comunal do Condé à sede municipal. “Estamos satisfeitos com as obras da reabilitação da estrada, ainda que esperamos muito, o sonho está-se tornar numa realidade”, garantiu.

Investimentos
no sector privado

O município do Ebo tem po-tencialidade agro-pecuária, mas a falta de investidores  para desenvolver o sector  está na origem de 63 por cento de jovens com idade produtiva estarem desempregados. Rui Miguel, administrador municipal, anun-
ciou que o município pode oferecer um ambiente de negócios favorável, numa altura em que a principal via vai ser asfaltada. “Estamos a reabilitar a nossa estrada e hoje a marcha da comuna do Condé para a sede municipal é feita em 18 minutos e vai melhorar ainda quando for asfaltada”, disse com uma certa emoção.
Outra preocupação do administrador municipal prende-se com o facto de grandes fazendas estarem inoperantes, cujos proprietários continuam sem capital para gerarem bens e serviços e garantirem o emprego aos habitantes da região.
“O problema das fazendas inoperantes já é antigo e sem soluções imediatas à vista, mas vamos advogar junto dos investidores para escolherem o nosso município como destino dos seus investimentos”, disse, garantindo que a Administração vai apoiar com meios ao seu alcance as iniciativas de investimentos.

Turismo
O município do Ebo é rico em zonas de turismo e de lazer, mas a degradação das vias de acesso está a adiar, a cada ano que passa, o sonho e vontade de empresários nacionais e estrangeiros ligados ao ramo.
A reportagem do Jornal de Angola apurou junto da Administração Municipal do Ebo,  que está com as mãos “atadas”, porque não consegue “dar a volta” para se activar inúmeras zonas turísticas  em estado de abandono, destacando-se as Quedas do Dembo, Centro do Hungulo e “Quissobe.
O município do Ebo tem uma superfície de 2.520 quilómetros quadrados, conta com uma população estimada em 158.051 habitantes, distribuídos pela sede e 141 aldeias. Administrativamente, o município do Ebo divide-se em três comunas, nomeadamente, a sede, o Conde e Cassanje e a povoação administrativa da Choa.
A Administração Municipal do Ebo está há um ano a executar  um conjunto de projectos nos domínios sociais e económicos, vi-sando satisfazer as necessidades das populações e acelerar o desenvolvimento do município. />Rui Feliciano Miguel disse ao Jornal de Angola que, no presente exercício económico a Administração recebeu uma dotação financeira de 611 milhões, 147 mil e 456 kwanzas, que se destinam à execução de projectos ligadas as áreas de infra-estruturas urbanas, abastecimento de água potável nas comunidades, construção de imóveis e outros bens de capital fixo, construção de um centro médico na comuna de Cassanje com capacidade para 30 camas, construção e apetrechamento dos postos de saúde e casa do enfermeiro nas localidades da Chôa  e da Balaia, aquisição de kites para as parteiras tradicionais, aquisição de medicamentos e produtos anti-larval, merenda escolar e construção de lojas e armazéns comunitários.
Para o administrador municipal do Ebo, durante o corrente ano vão ainda serem executadas as obras ligadas ao saneamento básico, aquisição de meios de transporte e equipamentos sociais, combustíveis e lubrificantes, o asseguramento às comunicações, serviços de manutenção e conservação dos equipamentos, construção de uma escola com doze salas para a formação de professores, construção de duas escolas com quatro salas para a iniciação nas localidades da Chôa e Tunga.

Rede viária
A reabilitação da principal via que liga a comuna do Cndé para a sede municipal corre a bom ritmo e abre perspectivas para o desenvolvimento do município, como constatou a reportagem do Jornal de Angola.
“Com a reabilitação da via principal que dá acesso à sede municipal encurta-se a distância e perspectiva-se bom ambiente de negócios na região, com a atracção de investidores para alavancarem a economia do município”, disse o administrador.
Terminada a reabilitação da via, a Administração, como referiu o administrador,  vai, também, na reabilitar   outras vias, como a que liga à cidade da Gabela, passando pela  comuna do Assango, que dá acesso ao Morro do Tongo, em direcção ao município da Cela para impulsionar as trocas comerciais.
Outro desafio,  apontado pelo administrador municipal do Ebo,  tem a ver com a necessidade da construção de uma subestação eléctrica para a electrificação do município, a construção de um sistema de captação e tratamento de água na sede municipal, uma vez que a actual data de 1930 e construída para um contexto em que residiam no local poucos habitantes. A requalificação da vila, a necessidade da construção de um Centro de Formação Técnico-Profissional e a conclusão do projecto de 200 fogos habitacionais, constituem outros desafios para o município.

Saúde e Educação
Os sectores da Saúde e da Educação registam um funcionamento regular, devido a actual conjuntura financeira que não pode  dar respostas à todas as preocupações que esses sectores enfrentam. A rede sanitária é composta de 21 unidades, sendo um hospital municipal, dois centros de saúde, sendo um na sede e outro na comuna do Condé e 18 postos de saúde, distribuídos nos arredores da sede e nas comunas. O corpo clínico é composto por seis médicas e 40 enfermeiros de diversos escalões.
A rede escolar do Ebo comporta 40 escolas, sendo 37 do ensino primário e três do I e II ciclos, das quais 15 definitivas e restantes de construções precárias. Para o presente ano lectivo frequentam um total de 32 mil e 57 alunos da iniciação a 12ª classe, assegurados por 610 professores de vários escalões. O processo de alfabetização contempla um total de 1.077 alfabetizandos, assegurado por 24 alfabetizadores.

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