Reportagem

Longa precisa de investimentos para ampliar zonas de cultivo

Carlos Paulino | Longa

A empresa angolana gestora do projecto Faz Angola, Co-fergepo, prevê colher até finais deste mês mais de 1.500 toneladas de arroz na Fazenda Agro-Industrial do Longa, no município do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango.

Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

Segundo João Brotas, director-geral da Cofergepo, a colheita teve início no dia 5 de Junho numa área de mais de 500 hectares. Até ao momento, foram empacotadas cerca de 150 toneladas de arroz em embalagens de cinco e 25 quilogramas, que brevemente começam a ser comercializadas em vá-rios estabelecimentos comerciais do país, de acordo com as solicitações.
Além do arroz, a Cofergepo produziu igualmente, 13 toneladas de soja que foram cultivadas numa área de 23 hectares. O engenheiro agrónomo disse que, apesar de alguns constrangimentos, a produção experimental de arroz e de soja foi positiva, porque permitiu um melhor conhecimento e domínio do terreno e clima da comuna do Longa.
No caso do arroz, que é cultivado numa área de 700 hectares, as fortes chuvas que se abateram sobre a região em Março e Abril provocaram a destruição de 200 hectares que poderiam render cerca de 500 toneladas de arroz descascado.
“Nas próximas produções, vamos ter maior cautela, para evitar avultados prejuízos como tivemos nesta fase experimental. A experiência serviu, principalmente, para testarmos os solos da comuna do Lon-ga, que precisam de correcção com calcário, devido à acidez”, referiu.
A fazenda conta actualmente com 72 funcionários, dos quais 46 efectivos e 26 eventuais. Estes últimos contratados na fase da preparação das terras e do plantio.

Fábrica de embalagem
Na fazenda está instalada uma fábrica de secagem, limpeza e embalagem do arroz. A unidade custou aos cofres do Estado cerca de 76 milhões de dólares, mas devido à fraca capacidade de produção, funciona apenas um ou dois meses durante o ano.
“Actualmente, não temos produtos suficientes para colocar na fábrica e contribuir para o seu pleno funcionamento e rentabilizar o grande investimento que o Executivo fez na sua construção”, disse.
Para a fábrica atingir a sua capacidade real, é necessário produzir arroz nos 4.500 hectares de área de cultivo.
A Fazenda Agro-Industrial do Longa conta ainda com três silos, com capacidade total de nove mil toneladas, um laboratório, parque de máquinas e oficina, uma área residencial para os técnicos, um posto médico, refeitório e campo multiusos.
“Não é possível rentabi-lizar esta fazenda com este índice de produção, porque mesmo com o cultivo de 1.500 hectares que era feito anteriormente pela Gesterra não correspondia ao grande investimento deste empreendimento”, realçou, para defender mais recursos para au-mentar a área de cultivo. De um total de 4.500 hectares de cultivo que constitui a área da fazenda, apenas 1.500 estão disponíveis. Para ampliar a área de produção, é preciso a  abertura de valas de drenagem, para se evitarem inundações no período chuvoso, e corrigir os solos com calcário, devido à acidez do terreno.
João Brotas disse que, apesar de a Cofergepo fazer alguns trabalhos de abertura de valas de drenagem, durante a preparação dos campos agrícolas, na campanha 2017/2018, não foi possível evitar a enorme quantidade de água que transborda do rio Longa, que está a escassos metros da fazenda.
A Cofergepo começou a gerir a fazenda em Dezembro de 2016 e o trabalho tem incidido na recuperação de equipamentos agrícolas, sobretudo dos pivôs de rega e a abertura de valas de drenagem.

Novos investimentos
Até agora já foram empregues mais de três milhões de dólares na recuperação de sete pivôs de rega, dos 15 existentes e na reparação de 14 tractores, dos 35 avariados, a abertura de cerca de 30 quilómetros de valas de drenagem e na aquisição de 600 toneladas de sementes de arroz e 500 toneladas de adubos e fertilizantes.

Campanha agrícola
Sem avançar números, João Brotas garantiu que, na próxima campanha agrícola (2018/2019), a Cofergepo prevê aumentar as áreas de cultivo de arroz e de soja, para que, a cada ano, a fa-zenda possa produzir em grande escala.
“Apesar das dificulda-des que estamos a enfrentar, sobretudo da inundação dos campos e a acidez dos solos, pretendemos, também, na próxima época agrícola, produzir milho, feijão manteiga e girassol”, garantiu.
A Cofergepo pretende, igualmente, nos próximos anos, aumentar a produção de pepino, batata-doce e rena, tomate, cebola e massango. “É com estas e outras iniciativas que vamos rentabilizar e levar a bom porto este empre-
endimento de dimensão nacional e que continua a funcionar muito abaixo daquilo que é a sua real capacidade”, precisou.

  Ninho de bichos

Outra situação que preocupa o engenheiro agrónomo é o facto de estarem armazenadas, há dois anos, mais de 120 toneladas de farelo de arroz no armazém que está no interior da fábrica e a criar um ninho de bichos que ameaçam estragar a produção.
A reportagem do Jornal de Angola constatou que o farelo foi abandonado no local pela Gesterra, que geriu a Fazenda Agro-Industrial do Longa de 2013 até 2016. João Brotas disse que a Cofergepo já contactou a Gesterra para proceder a retirada do farelo, mas até agora não houve qualquer intervenção e a cada dia que passa a situação está a piorar.
“Além de contaminar o arroz que estamos neste momento a produzir, constitui também um enorme perigo à saúde dos funcionários que trabalham no interior da fábrica”, concluiu.

Tempo

Multimédia