Reportagem

Lubango ganha um novo rosto

Arão Martins

A execução do projecto de construção de infra-estruturas integradas em curso na cidade do Lubango, província da Huíla, tem como essência, o reflexo na melhoria da qualidade de vida dos habitantes e visitantes, como reconhece o governador local, João Marcelino Tyipinge.

O programa abrange ainda a reabilitação da avenida da Mapunda, a ligação do casco urbano até à Fábrica de Cerveja N’gola
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

As obras de construção de infra-estruturas integradas da cidade do Lubango estão orçadas actualmente em 212 milhões 682 mil 926 dólares norte-americanos e têm a duração de 36 meses. A execução dos trabalhos proporciona também mão-de-obra nacional.
Vão ser intervencionadas as zonas no casco urbano da cidade: as ruas 1º de Agosto, avenida Dr. António Agostinho Neto, ruas Patrice Lumumba, Comandante Hoji ya Henda e Deolinda Rodrigues, Boulevard do Mucufi, R1, R2, R3, R4 e avenidas 4 de Fevereiro e Comandante Satanás. A intervenção contempla ainda as ruas 8 e 27 de Março, Môngua, Aníbal de Melo, 2 de Maio, R5, R6, avenida 11 de Novembro, 19 de Janeiro, R7, R8, R10 e R11.
O programa abrange ainda a reabilitação das ruas locais, avenida da Mapunda, a ligação do casco urbano até à Fabrica de Cerveja N’gola e a ligação 2, que abarca a junção da avenida 4 de Fevereiro, zona da Eywa e do Aeroporto da Mukanka e a avenida que dá acesso à Centralidade da Quilemba.
O Projecto de Construção de Infra-estruturas Integradas do Lubango, capital da província da Huíla, circunda também a intervenção da rede de drenagem das águas residuais.
O jardim situado na parte frontal da direcção dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM), centro de protecção ambiental, parque infantil, passagem hidráulica existente e a proposta, linha de água natural são outras acções a serem intervencionadas no projecto.
As obras de paisagismo e arranjos exteriores contemplam quatro unidades e as infra-estruturas a serem desenvolvidas contemplam 100 quilómetros. A DAR Angola é a empresa fiscalizadora. O abastecimento de água à centralidade da Quilemba é outra vertente constante nos trabalhos.
O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, recebeu o director nacional de Infra-estruturas Urbanas do Ministério do Ordenamento do Território e Habitação, Fernando Francisco, e os representantes do Consórcio Omatapalo e a Imosul, que trabalham nas obras integradas do Lubango.
João Marcelino Tyipinge garante que quem se deslocar ao Lubango, província da Huíla, no intervalo de 36 meses, a contar de Julho (2017), vai encontrar uma cidade completamente renovada.
O lançamento da primeira pedra do projecto de construção de infra-estruturas integradas da urbe aconteceu em Julho último. O Governo Provincial da Huíla é o principal interessado nas obras, “mas desde que aconteceu o lançamento da primeira pedra e a consignação das obras, sentimos algum silêncio. Estamos preocupados”, disse o governador, acrescentando que “já por vontade nossa, visitámos as obras que estavam a dar sinais positivos, mas não com a velocidade desejada.”
O acelerar dos trabalhos é uma obra de impacto e os citadinos estão expectantes com os trabalhos de reabilitação das ruas e outras componentes da cidade.
A obra é executada pelo consórcio de empreiteiros Omatapalo e a Imosul. O Ministério do Urbanismo e Habitação é o dono da mesma.
Os responsáveis da empresa fiscalizadora, Dar Angola, salientaram que o projecto  reflecte um trabalho longo de coordenação. Em 2012, foi elaborado o plano director da cidade do Lubango, província da Huíla, onde foi apresentado o projecto de reabilitação das infra-estruturas integradas às entidades competentes e chegou-se a um foco prioritário.
O plano foi apresentado e discutido junto das autoridades com os membros do governo provincial até chegar-se ao foco prioritário. O Plano Director do Lubango (PDL) foi apresentado para um horizonte de 25 anos, sendo que a sua primeira implementação tem uma fase de quatro anos.
Foram vistas como prioritárias dessa primeira fase, várias acções, como a do bairro da Escola Portuguesa, a zona industrial. As acções foram definidas como preferências porque desafogam de certa forma a actual pressão que o casco urbano tem sofrido.
As dimensões das vias estão definidas. Haverá também melhorias a nível das bibliotecas, implementação do jardim dos caminhos- de-ferro, parques infantis, algumas obras de paisagismo e a bolivar do rio Mucufi, entre outras.
Durante o plano das infra-estruturas, todos os projectos são considerados. “Todas as acções foram consideradas”, disse o director nacional de Infra-estruturas Urbanas do Ministério do Ordenamento do Território e Habitação, Fernando Francisco.
Em conformidade com o plano director todas as acções vão ser aproveitadas. Vai-se desassorear as linhas de água existentes, o perfilamento de alguns canais também será  tido em conta nesta fase.
Todos os trabalhos de baixa e média voltagem, abastecimento e drenagem das águas e as novas linhas e antigas existentes vão ser considerados, não apenas dentro do plano que tem um horizonte de 25 anos, mas já dentro desta acção a ser desenvolvida em 36 meses. As águas residuais também estão a ser tidas em conta, garantiu.
 
Aproveitamento das linhas 
O total aproveitamento das linhas existentes foram todas elas estudadas e vistas de forma a aproveitar o seu perfilamento. “Em todos os investimentos, de forma a rentabilizar os gastos já feitos, as centralidades da Quilemba, na área de abastecimento da água, foi incorporada a construção e captação de uma Estação de Tratamento de Águas (ETA), que vai ser bombeada a partir de uma distância de 17 quilómetros da centralidade da Quilemba, a fim de abastecer de água a população”, frisou.
A rede viária que dá acesso às centralidades existentes estão concluídas. “Tivemos um encontro com o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, respeitante à implementação do projecto de grande impacto para a mudança da qualidade de vida da população do Lubango, com o projecto de infra-estruturas integradas da cidade”, disse.
O responsável assegurou que as infra-estruturas da cidade do Lubango, relativamente ao projecto, contemplam 100 quilómetros de estradas, onde estão incorporadas todas as infra-estruturas.
A pavimentação das ruas, rede de drenagem e a iluminação pública, entre outras, estão asseguradas. “O projecto desta natureza está a ser realizado num plano bem definido e assente em cinco pacotes de especialidade, onde existem, como prioridade no primeiro pacote de prioridade, seis ruas da cidade do Lubango”, sustentou.
A asfaltagem é uma componente final do projecto de uma rua. “Antes de se chegar à asfaltagem, vai-se realizar trabalhos de preparação, a nível da base, sub-base e depois no pavimento. A prioridade são as ruas que ligam a rotunda do João de Almeida, a zona dos barracões, o acesso que vai à nova centralidade e o do Aeroporto da Mukanka.

  Enquadramento da estrutura actual da cidade do Crito Rei

O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, disse que as infra-estruturas técnicas do Lubango são velhas e não se enquadravam na actual.
João Marcelino Tyipinge reconheceu que a cidade do Lubango tem um crescimento exponencial de população. Por causa da guerra, Lubango absorveu uma parte significativa da população do interior da província e não só.
A solução da preocupação das infra-estruturas é antiga e conheceu um desfecho positivo. Temos um desfecho feliz.
“Temos outros projectos relacionados com os programas de abastecimento de água às populações, quase na sua fase final, que vai proporcionar benefícios positivos.”
João Marcelino Tyipinge disse que Lubango beneficiou de vários projectos na área das telecomunicações, energia e água, o que aumentou a degradação da cidade. Com a nova intervenção, sob responsabilidade do Executivo, vai ter uma cidade linda e modernizada e a população vai ficar satisfeita.
Os problemas da província e do Lubango em particular são bem conhecidos. O governador João Tyipinge disse que existem projectos e estudos concluídos e muitos deles já estão junto das estruturas competentes, que a seu tempo vão ser executados com êxito.
As barragens à margem do rio Caculuvar, logo que forem executados, vão minimizar os problemas da seca cíclica que são registados periodicamente nos municípios dos Gambos, Chibia e Gambos.
Existem ainda projectos nos sectores da Agricultura e Energia e Águas. A parte sul da província da Huíla tem sido assolada permanentemente pela seca. E traçou-se estratégias para salvar essas regiões que fazem fronteira com as províncias do Cunene e do Namibe.
João Marcelino Tyipinge afirmou que ainda não se realizou trabalhos de profundidade para conter o fenómeno da seca nos municípios da província da Huíla e todas as medidas que foram feitas são paliativas.

Fundos do PIP
O programa de reabilitação das infra-estruturas integradas é um projecto que consta no Programa de Investimentos Públicos (PIP) do Executivo. “Sem dúvida que é um marco importante para a cidade do Lubango, que ocorre numa altura em que, depois de visitar a província oficialmente, a expectativa era dar solução ao programa de reabilitação das infra-estruturas integradas”, precisou.

 Impacto positivo

As obras
integradas do Lubango têm impacto positivo, na medida em que se vai elevar a qualidade de vida da população. O saneamento é a base para a prevenção das doenças. E essa componente vai ter o assunto resolvido dentro do projecto, explicou Fernando Francisco. O administrador municipal do Lubango, Francisco Barros, disse que, com uma superfície territorial de 3.140 quilómetros, o município do Lubango foi concebido para 50 mil habitantes e passados 94 anos, desde que a urbe ascendeu à categoria de cidade, a 31 de Maio de 1923, congrega actualmente 766.249 habitantes, em conformidade com os dados do Censo Geral da População e Habitação, realizado pelo Governo, em 2014.
Lubango, explicou Francisco Barros, já foi considerado nos tempos idos “cidade Jardim de Angola.” Com o processo de requalificação e modernização do sistema de telecomunicações e de abastecimento de água, Lubango regista hoje, uma “cara” diferente, que vai ser mudada, completamente, com o projecto de reabilitação da urbe. “As grandes preocupações que têm sido apresentadas pela administração municipal e pelo Governo Provincial da Huíla foram ouvidas pelo Executivo e tivemos sempre a convicção de que o Executivo poderia olhar para esta grande cidade por forma a garantir a sua mobilidade e a circulação de pessoas e bens”, assinalou.
O lançamento da primeira pedra do projecto foi de grande satisfação, “deixamos o pessimismo atrás e agora estamos convictos de que teremos uma cidade que justifique, pela sua densidade populacional e infra-estrutural, para que possamos garantir a circulação de pessoas e veículos com segurança.”
Francisco Barros explicou que o programa vai ser executado em três anos e as obras vão iniciar nas áreas prioritárias para se garantir a mobilidade da cidade e paulatinamente estender-se o projecto para a periferia. “São 100 quilómetros de estrada e, a ser intervencionados, o ganho vai fazer com que o Lubango renasça e conheça uma nova dinâmica, quer do ponto de vista da sua imagem, quer da própria circulação de veículos e pessoas”, disse.
O projecto é global, tendo em conta o Plano Director do Lubango traçado em 2002. De qualquer das formas, afirmou, existem áreas que garantem maior acesso, quer de entrada quer de saída e indicou as ruas da Mapunda de Baixo e a da Escola de Sargentos à Santa, a avenida que dá acesso ao aeroporto. Dentre estas, informou, existem outras prioritárias e pensa-se que os empreiteiros vão trabalhar numa operação “no stop”, com componentes de 4 brigadas, fazer com que a cidade não pare por causa das obras e criar alternativas de circulação de pessoas e bens.

Tempo

Multimédia