Reportagem

Mais de 64 mil pessoas curadas na China

Edna Mussalo| Alexa Sonhi e Mazarino da Cunha

O embaixador da China em Angola revelou que mais de 64 mil pessoas, das mais de 80 mil infectadas com coronavírus, estão curadas. O diplomata assegurou que a comunidade angolana em Wuhan está bem e sem nenhum caso de infecção. “Não há registo de mortes de nenhum estrangeiro pelo surto de coronavírus na China”, disse

Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Uma combinação de tratamentos convencionais e tradicionais da medicina chinesa permitiu a cura de mais de 64 mil pessoas, das 80.813 infectadas com coronavírus, na China, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país asiático em Angola.

Gong Tao, em declarações ao Jornal de Angola e a Televisão Pública de Angola (TPA), frisou que a taxa de cura registada representa “um grande avanço na luta contra a pandemia”.
“Essa é uma doença controlável e curável. É preciso confiar nos cientistas, médicos e nos tratamentos exactos. Não precisamos entrar em pânico. Todos juntos vamos vencer o coronavírus”, disse, acrescentando que, devido ao controlo do coronavírus e redução do número de casos, a China tem estado a enviar médicos, material gastável e kit de testagem aos países afectados, com destaque para o Japão, Coreia do Sul e Itália.
Apesar desses avanços, Gong Tao não entra em euforia e alerta que é preciso manter as medidas de prevenção da doença e evitar os contactos físicos.
O diplomata chinês, que lamentou a morte de 3.176 pessoas, referiu que a cidade de Wuhan, onde surgiram os primeiros casos da doença, regista uma redução no número de casos de infectados, apresentando hoje apenas cinco novos casos. “Aos poucos, a vida em Wuhan volta à normalidade, havendo já alguns serviços e empresas a funcionarem, embora escolas e universidades continuem encerradas”, disse.
Gong Tao garantiu o apoio do seu país a Angola em situação de casos positivos do coronavírus, referindo que os materiais de testagem da doença no país foram fornecidos pela China.

Embaixadas em Luanda

Muitos países estão a encerrar as suas fronteiras devido o alastramento do coronavírus. A reportagem do Jornal de Angola constatou o movimento nas embaixadas do Brasil, Portugal e China. Na primeira, havia fraca afluência de pessoas em busca do visto.
Na Embaixada portuguesa o movimento era o habitual, com longas filas de pessoas e grandes burocracias para conseguir o visto. Já na representação diplomática da China, segundo o embaixador, viu reduzir de forma drástica os pedidos de vistos devido ao coronavírus.

Ainda há desconhecimento

Os primeiros casos de Coronavírus surgiram em finais do ano passado. Hoje, estão contabilizados, no mundo, mais de 125 mil contágios e acima de 4.600 óbitos. Em Luanda, existe algum desconhecimento sobre a doença, o que constitui uma preocupação.

A maior parte das pessoas contactados pela reportagem do Jornal Angola conhece pouco o assunto. Moisés Dumbo, 30 anos, não soube dizer que tipo de doença se trata, que apenas ouve falar de coronavírus e nada mais.
João Augusto, por seu lado, diz que coronavírus é uma doença que tem como epicentro a República da China, mas que já se alastrou para outros países, como, por exemplo, Portugal.
“Infelizmente, não sei como se transmite. Já tentei perguntar a algumas pessoas no bairro da Boavista, onde vivo, mas, pelos vistos, também não dominam”, afirma.
Para Esperança Ferrão, 40 anos, residente na Centralidade do Kilamba, trata-se de uma doença normal, que pode ser curada. Logo, não há razões para tanto alarido. “Só não sei que tipo de medicamento devo beber, no caso se ser atacada”.
Felisbela Paulino, 39 anos, vive no Marçal. Explica que a doença veio da junção de uma serpente com o morcego e teve origem na China. “Pelo que oiço, está a alastrar-se de forma assustadora, por vários países do mundo”.
Já Filipe Chiquito, 35 anos, afirma que está informado sobre a doença, que se transformou numa epidemia mundial. Conta que tem como sintomas tosse, febres altas e dificuldades respiratórias e que pode ser, muitas vezes, confundida com a gripe normal.
Em relação à transmissão, Felipe Chiquito disse que pode ser pelo aperto de mão, espirro, tosse ou contacto com a pessoa infectada, mas desconhece quantos países têm casos positivos.
António dos Santos, por seu lado, diz que tem conhecimento da doença, porque está sempre coladinho à rádio, televisão e lê constantemente os jornais.
“Aproveito para solicitar ao Ministério da Saúde a criação de peças teatrais para melhor difundir a informação acerca da doença”, sugere.
Para o cidadão, há pessoas que apenas sabem o nome da doença, mas sequer conhecem onde teve início e quais os países com casos positivos.
“Por isso, aconselho as autoridade a trabalharem cada vez mais para que todos saibam do perigo que constitui a doença”, pede.

Casos em África exigem o redobrar das políticas de contingência

Até às primeiras horas de ontem, 13 países do continente africano tinham casos positivos do COVID-19, num total de cem, anunciou, em Luanda, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

África do Sul, Argélia, Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Egipto, Marrocos, Nigéria, República Democrática do Congo (RDC), Senegal, Tunísia, Togo e Ghana são os 13 países com casos confirmados.
Franco Mufinda, que falava ontem, na Escola de Formação de Técnicos de Saúde de Luanda (EFTSL), durante sessão de esclarecimentos sobre o Plano de Contingência do COVID-19, disse que África começa a sentir o peso do surto, o que vai exigir o redobrar das políticas de contingência.
Em relação à Região Austral, Franco Mufinda disse que os casos positivos reportados na África do Sul e RDC, apesar de serem importados, não deixam de ser preocupantes para o país, daí que urge o reforço da vigilância epidemiológica.
Temos bastantes ligações aéreas com a Europa e outros países, referiu. Por isso, a implementação do Plano de Contingência merece a contribuição de todos, por forma a preservar a Saúde Pública.
Em África, o Ghana tornou-se no mais recente país com casos (dois) confirmados.

Mundo
O secretário de Estado para a Saúde Pública informou também que, até ao dia de ontem, o mundo registava mais de 125 mil casos positivos do Covid-19, dos quais resultaram 4. 613 óbitos.
Na China, frisou Franco Mufinda, contrariamente ao que se via há algum tempo, os números de novos casos estam a observar um declínio. Já a Europa começa a preocupar, sendo o ponto culminante a Itália, com o aumenta de casos de óbitos.
“Até ontem (quinta-feira), os óbitos fora da China representavam 35 por cento do total”, informou o governante. Na sessão de esclarecimentos, esteve presente o secretário de Estado do Turismo, José Alves Primo, a directora Nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, e representantes de organizações da sociedade civil de instituições nacionais e estrangeiras.

Momento desaconselha viagens

O momento actual, marcado pela pandemia do coronavírus, desaconselha viagens ao exterior e até ao interior, nos próprios países. As deslocações, de acordo com infecciologistas, só devem ser realizados se necessário e não representarem risco de contágio, residindo aí a razão para que países como a Itália e mesmo Portugal estejam a isolar localidades.
As viagens ao exterior são tanto mais desaconselháveis quanto forem para países com casos confirmados de coronavírus. É, na verdade, uma situação de saúde pública. China, Coreia do Sul, Irão, Itália, França, Espanha e até Portugal estão entre estes destinos.
Na quinta-feira, o Presidente da República, João Lourenço, suspendeu as deslocações, em missão de serviço, ao exterior do país dos membros da função Executiva da Administração Central e Local do Estado.
A medida é justificada com a declaração da infecção causada pelo coronavírus (COVID-19) como pandemia, pela Organização Mundial da Saúde.
Num comunicado da Casa Civil do Presidente da República, o Chefe de Estado evoca a necessidade de adopção de medidas de contingência para se evitar a importação de casos e salvaguardar a saúde da população em geral, depois de se assistir a uma alta taxa de mortalidade e o impacto social e económico negativo em todo o mundo.
O Presidente da República, de acordo com a nota, autorizará excepcionalmente a saída dos membros da função Executiva, quando os interesses do Estado assim o justificarem.

Portugal
Há 112 casos confirmados e 1.308 suspeitos de infecção por covid-19 em Portugal. São mais 34 pessoas em 24 horas. Há 11 cadeias de transmissão activas, mais cinco que as de quinta-feira. Não há mortes a registar.
De acordo com o relatório da Direcção-Geral de Saúde (DGS) de Portugal, há ainda 172 casos a aguardar resultado laboratorial e 5.674 em vigilância pelas autoridades de saúde. Entre os doentes internados, estão os casos de um menino com menos de 10 anos e de 15 jovens entre os 10 e os 19 anos. Existem dois casos de doentes infectados internados acima dos 80 anos e seis entre os 70 e os 79.
É entre a população com idades entre os 40 e os 49 anos que se registam mais casos (28) de doentes internados, segundo o boletim da DGS, que indica a existência de 24 casos entre os 30 e 39 anos e 14 casos entre os 50 e os 59 anos. registe-se ainda 11 casos entre os 20 e 29 anos, 14 entre os 50 e 59 anos e 11 entre os 60 e 69 anos.
Os casos importados são de Espanha (9), França (5), Itália (15), Suíca (3), Alemanha e Áustria (1). Há 53 casos confirmados no Norte do país, 6 no Centro, 46 na região de Lisboa e 6 no Algarve. Há um caso confirmado no estrangeiro, segundo o boletim epidemiológico diário.
O mapa disponibilizado pela DGS continua a não apresentar qualquer caso no Alentejo e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O último balanço apontava para 78 casos de pessoas infectadas em Portugal. Nas últimas 24 horas, tinham sido confirmados mais 19 casos e aguardavam resultados laboratoriais 133 testes.
A maioria dos cidadãos infectados continuava estar a Norte do país (44 doentes), seguida pela região de Lisboa e Vale do Tejo (23) e depois pelas regiões centro (5) e Algarve (5). A faixa etária mais afectada é a das pessoas entre os 40 e os 49 anos.

Em busca de armas contra o coronavírus

Uma corrida contra o tempo, numa altura em que a epidemia alastra-se rapidamente pelo mundo e os governos e autoridades de saúde vão impondo medidas restritivas, com quarentenas, espaços públicos fechados e eventos e actividades canceladas, para tentar conter a progressão da doença, os cientistas estão em busca de armas para combater o novo vírus para o qual não existe ainda vacina ou tratamento específico.
Nesta frente, um grupo do laboratório de Farmácia Computacional da Universidade de Basileia, na Suíça, concluiu em poucas semanas o rastreio digital de um total de 687 milhões de moléculas, em busca de uma arma terapêutica contra o Sars-cov-2.
Liderada por André Fischer, a equipa conseguiu assim identificar um total de 11 substâncias com potencial para inibir a acção de uma proteína-chave do vírus que lhe é essencial para a própria replicação no organismo humano.
Apesar da semelhança do novo vírus com o Sars-cov-1, o "primo" que, entre 2002 e 2004 provocou uma infecção respiratória aguda e que a Organização Mundial da Saúde classificou na altura como pandemia (registaram-se em 26 países quase oito mil casos, dos quais mais de 700 foram mortais), as tentativas então realizadas para o desenvolvimento da vacina ou de medicamentos específicos acabaram por não chegar a bom porto.
“Mantém-se, por isso, a necessidade urgente de desenvolver terapêuticas antivirais específicas para vencer o Sars-cov-2”, escrevem os autores no artigo que publicaram na plataforma aberta ChemRxiv, uma de várias onde têm saído dezenas de estudos sobre os mais diversos aspectos do novo vírus e da infecção respiratória aguda que provoca.
Os investigadores da Suíça, um país também já afectado pela epidemia, com mais de 500 casos, dos quais 123 foram registados na terça-feira, sublinham que o trabalho representa o maior rastreio digital até à data relacionado com o Sars-cov-2, do qual resultou a identificação de 11 moléculas com potencial para travar a replicação do vírus.
A equipa fez questão de disponibilizar os seus resultados à comunidade científica, publicando-os de imediato, na esperança de que aqueles compostos agora identificados possam ser testados por outros grupos e laboratórios, com vista ao desenvolvimento de futuros medicamentos para o novo coronavírus.

Vírus afasta Champions

 A UEFA anunciou, ontem, que todos os jogos da próxima semana da Liga dos Campeões e da Liga Europa estão cancelados, devido à epidemia do covid-19. Em comunicado, o organismo que tutela o futebol europeu informou que, “à luz dos desenvolvimentos da propagação do covid-19, as partidas dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, dos 16 avos da Liga Europa e dos quartos-de-final da Youth League não vão jogar na data prevista”. Como consequência, o sorteio para as fases seguintes, que estava agendado para dia 20, foi igualmente adiado.

A UEFA informa ainda que mais decisões serão comunicadas atempadamente. O organismo, entretanto, tem uma reunião de emergência marcada para a próxima terça-feira, onde vão ser discutidas, com as 55 federações, futuras medidas a tomar. Um dos temas em cima da mesa será o adiamento do Campeonato da Europa, que estava previsto para este Verão, para 2021.

Ligas
Em Inglaterra, a Premier League e a Federação Inglesa decidiram, ontem, suspender os campeonatos até pelo menos ao dia 3 de Abril. Recorde-se que na Liga Inglesa sequer estavam decretados jogos à porta fechada. Mas o facto de o treinador do Arsenal estar infectado e terem já surgido casos de jogadores que contraíram o vírus levaram as autoridades a decretar a suspensão dos campeonatos.
A Liga Francesa anunciou, igualmente, a suspensão dos dois principais campeonatos com efeitos imediatos, inclusive a 29ª jornada, que se devia realizar neste fim-de-semana.
A Liga Alemã de Futebol também anunciou, ontem, que vai parar os campeonatos até ao dia 2 de Abril. Inicialmente, a decisão de suspender ou não a Bundesliga iria ser tomada só no início da próxima semana, mas, durante a tarde, os responsáveis decidiram cancelar a jornada prevista para o fim-de-semana.
As provas profissionais de futebol de Portugal, Itália e Espanha estão igualmente suspensas.

 

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