Reportagem

Mais água potável em Massango

Francisco Curihingana | Malanje

Massango é um dos municípios que beneficiou de um grande projecto no âmbito da Linha de Crédito da China, que vai permitir canalizar água para as residências, a reabilitação dos chafarizes, bem como a instalação de torneiras para os moradores daquela circunscrição da província de Malanje.

Vista parcial do município de Massango
Fotografia: Eduardo Cunha | Edições Novembro-Malanje

A barragem de contenção no rio Loma já está praticamente concluída, e “ nesta fase está a ser erguida a Estação de Tratamento de Água “ETA” que vai acumular água que vem do rio. Aí vai ser tratada para depois ser lançada para o tanque aéreo para, por sua vez, o sistema de gravidade fazer a sua distribuição”. O empenho da empresa chinesa CPP que está a cuidar de todos os trabalhos em volta do processo da reposição da água no município está a fazer o seu trabalho conforme as clásulas  do contrato. A sede do município teve sempre problemas, porquue o antigo sistema de água antes concebido, era de fraca capacidade em termos da captação. O reservatório, com uma capacidade de cerca de 40 mil litros, a água que armazenava era consumida em um ou dois dias. O Governo Provincial atento a essa situação, privilegiou o município de Massango neste grande projecto, à luz da linha de crédito da China”, disse.

Energia Eléctrica
A sede municipal possui um grupo gerador que garante a iluminação durante as noites. Neste momento, o referido grupo apresenta problemas técnicos, mas como disse o administrador, o assunto tem os dias contados numa altura em que uma equipa técnica está a  cuidar da recuperação do mesmo e trabalha naquele município fronteiriço com a RDCongo.
“ Neste momento já temos os técnicos no terreno, já foi adquirida a placa que tinha queimado (Placa de Distribuição), então, em breve teremos a energia aqui na sede municipal” disse.
A questão de energia eléctrica no município de Massango conta, igualmente, com o concurso de empresas privadas que neste momento mostram o interesse de investir naquela circunscrição territorial.
Neste momento, segundo o administrador de Massango, há vários intervenientes que pretendem instalar o sistema térmico no município e postos de revenda de combustível, o que vai aliviar as dificuldades em que os automobilistas passam algumas vezes, quando "rasgam" a estrada que liga Malanje a Massango, num percurso de 210 quilómetros, em que o único posto de reabastecimento de combustível encontra-se na sede municipal de Calandula.
A adesão dos empresários interessados em investir naquela circunscrição da província de Malanje, ligada por uma estrada sem grandes constrangimentos, onde os automobilistas devem apenas contar com o factor prudência, já que o tapete asfáltico apresenta boas condições para circular, é enaltecida pelo administrador, assim como pelos automobilistas.

Saúde
No domínio da saúde, há progressos fundamentalmente no que tem a ver com a assistência médica, porquanto, no âmbito do programa do Executivo, Massango conta neste momento com três novos médicos nacionais de diferentes especializações, que já trabalham no município e vêm assim reforçar a capacidade em termos de atendimento.
Alguns constrangimentos na aquisição de certos medicamentos têm sido verificados com atrasos devido a demora no processamento das ordens de saque, mas, mesmo assim como disse o administrador, “o Depósito Provincial de Medicamentos tem dado a sua quota parte, abastecendo com alguns fármacos e temos estado a encontrar algumas saídas para minimizar a situação”.
O município de Massango tem a particularidade de prestar assistência a alguma população baseada no município de Calandula, já que geograficamente, muitas localidades daquela circunscrição são mais próximas do ex-Forte República. “Para quem não conhece bem Massango, a nossa área limítrofe para com o município de Calandula é mais ou menos de 18 quilómetros, quer dizer que aqueles todos bairros quase próximos pertencem a Calandula. Essa população praticamente corre para Massango por ser mais próximo”, explicou.
A região de Massango conta com doze unidades sanitárias, duas delas encerradas por falta de técnicos, isto nos sectores do Guvo e Holeca. Recentemente, explicou o responsável, foi reabilitado o posto de Kitalabanza, mas, mesmo assim, “para uma cobertura a 100 por cento, ainda há toda a necessidade de se construir mais postos, fundamentalmente nas localidades onde não existem serviços sociais. Aqui, refiro-me à zona baixa, (Dongos), considerada mais crítica”.
Actualmente garantem a actividade de enfermagem no município de Massango entre médicos e enfermeiros, um total de 125 técnicos. No dizer do administrador municipal, há toda a necessidade de aumentar mais enfermeiros para acudir a demanda. Das enfermidades que assolam o município em maior escala, a malária lidera a lista, secundada pelas doenças respiratórias agudas, cuja tendência é de baixar.

Educação

No que toca à educação, há igualmente a preocupação da falta de professores em algumas localidades bem como de salas de aulas. Do diagnóstico efectivado, há a necessidade de mais 30 salas de aulas para minimizarmos a situação bem como de mais 100 professores, tudo porque as estatísticas apontam um total de 200 crianças fora do sistema de ensino só para a sede do município.

Agricultura
Massango continua a ser potencial em termos de produção de ginguba e não só, maso município acaba de ganhar um grande projecto, à luz do projecto Mosap-Dois, no sentido de estimular a agricultura praticada pela população local, que é de subsistência.
A intenção, segundo o administrador municipal, é de potenciar as famílias com capacidade técnica no sentido de alargar as áreas de cultivo e permitir a aquisição de imputes agrícolas, serviço de lavoura, entre outros.
Para Luís João José, o projecto Mosap-Dois  vai trazer grandes benefícios para a população, já que em torno do mesmo programa, foram realizados alguns seminários de formação, principalmente de algumas técnicas para o combate às pragas, numa altura em que se verificam já algumas pragas na cultura da mandioca, principalmente nas comunas de Kihuhu e Kinguengue.
Face à situação, o projecto Mosap já está a acautelar, porque neste momento, disse, “ está a fazer-se um diagnóstico sobre a situação. Também já mantivemos um contacto com a direcção da Agricultura, que vai reforçar a equipa do município para se fazer um estud no sentido de determinar a natureza dessa praga que assola o cultivo da mandioca”.

Odisseia na zona Baixa

A conhecida zona Baixa ou dos Dongos, que congrega consigo um total de treze aldeias, é a mais deficitária, devido ao elevado número de dificuldades que enfrenta.
A região, coordenada pelo sector do Bange Mudile, vive sérios problemas, particularmente no que toca à circulação. As pontes e estradas não apresentam condições para transitabilidade, fruto disso, a região vê-se privada de muitos serviços básicos, desde escolas, postos de saúde e trocas comerciais, essa última que obriga a “incursão” dos moradores para zonas distantes para lhes possibilitar a obtenção de produtos que tanta falta lhes fazem.
À título de exemplo, o administrador municipal recorda a primeira viagem efectuada para aquela região e afirmou: “ tivemos que fazer alguns troços a pé. Há áreas em que os carros não passam, principalmente devido à destruição das pontes e pontecos. Esse é o grande obstáculo e, associando, a isso o mau estado das picadas”.
Luís João José endereça uma mensagem de esperança àqueles munícipes pois, como disse, “o Governo Provincial já mandou fazer o levantamento das pontes destruídas, o  que quer dizer que quando as três pontes, passando pelo Lusitano,  forem reabilitadas, facilmente poderemos atingir o centro da zona Baixa para podermos implantar os projectos de que as populações necessitam”.
Apesar das dificuldades, aquela população dedica-se à agricultura de subsistência, o que lhes permite a realização de permutas ou comercialização dos seus produtos para adquirir o sabão, sal, óleo vegetal e roupas. Devido a ausência de professores na região, a Administração Municipal encontrou uma alternativa virada ao recrutamento de antigos docentes, que no âmbito do programa de Alfabetização e Aceleração escolar, vão ser enquadrados naquelas localidades.

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