Reportagem

Marketing cultural no Museu Regional

Domingos Mucuta | Estanislau Costa | Lubango

O reforço das acções de Marketing cultural, visando a divulgação ao público do acervo etnográfico dos povos da região sul e do país está em curso, numa iniciativa denominada “Museu Junto das Comunidades”.


O principal objectivo deste projecto é promover a valorização do material que simboliza os hábitos e costumes, que marcaram as vivências dos antepassados dos povos residentes na região sul, nos domínios da caça, pescas agricultura, pastorícia, música, adornos e peles.
O projecto associa artistas nas disciplinas culturais como teatro, pintura e escultura com peças e exposições de carácter temporário, como forma de juntar o útil ao agradável, estimulando os turistas e outros visitantes à aquisição de quadros e artigos de criadores locais.
A directora do Museu Regional da Huíla, Soraia Santos Ferreira, sublinha o trabalho de Marketing realizado no ano transacto, que permitiu o  aumento do número de visitas, em média de mais de mil pessoas por mês, uma marca inédita até então alcançada. Soraia Santos Ferreira disse que mais de 2.000 peças das cinco colecções dos museus regionais da Huíla já estão inventariadas. O processo de catalogação dos acervos do museu continua, para que outras peças sejam inventariadas e classificadas de acordo com a relação histórica, hábitos e costumes.
O Museu Regional da Huíla está aberto todos os dias úteis ao público, que beneficia do acesso gratuito ao acervo cultural dividido em oito salas, entre as quais, de instrumentos musicais, crenças e espiritualidade, adornos, agricultura e pescas, pastorícia e caça e maquete de bairros tradicionais.
A transformação no ano passado do Museu Regional da Huíla em unidade orçamental com estatuto orgânico conferiu à direcção autonomia financeira e maior margem de manobra, na execução das acções de preservação e divulgação do acervo etnográfico dos povos da região sul de Angola.
“A autonomia quer administrativa, como financeira tem permitido dar passos muito seguros no caminho da nossa estratégia de gestão desta unidade importante para a história. Queremos uma instituição dinâmica, mais próxima das pessoas e que orgulhe a todos”, disse a directora.

A requalificação
O Caminho de Ferro de Moçâmedes (CFM), com uma extensão aproximada de 900 quilómetros, impulsionou as transacções comerciais entre as províncias do Namibe, Huíla e Cuando Cubango.
O transporte de passageiros e mercadorias está a registar um crescimento considerável, com os dados mais recentes a atingirem acima de um milhão e 179 mil e 962 passageiros já transportados desde o ano passado até Junho do corrente. Já as mercadorias diversas ascendem as 55 mil toneladas. A circulação ferroviária de transportes de passageiros, por enquanto, só se processa no troço Lubango-Menongue. Por isso, é grande a expectativa do início do trajecto da via Lubango-Namibe com passageiros pela razão de a maioria das mercadorias ser desembarcada no Porto Comercial do Namibe.
Às 5h00, com excepção dos domingos, o comboio ruma para a cidade de Menongue, fazendo paragens nas estações da Arimba, Quipungo, Matala, Cuchi e outras localidades para carregar mais passageiros e mercadorias. A máquina, por enquanto, atinge uma velocidade de 70 a 80 quilómetros por hora.
A passagem e paragens em diversas estações erguidas com grande beleza e requinte motivaram o ancião Fernando Cambambwe a afirmar que “o Governo voltou a ligar as comunas, sanzalas e aldeias com a reabilitação da linha do Caminho de Ferro de Moçâmedes. As sanzalas estavam isoladas por se situarem distantes das estradas”.
Cambambwe destacou que a falta do comboio fazia com que os produtos do campo como hortaliças e frutas se estragassem por falta de escoamento. O comboio veio ligar-nos porque passa muito próximo das aldeias e o Governo construiu estações com condições para “as pessoas subirem no comboio e transportarem os seus produtos e animais”.
 
Em breve Namibe
O presidente do Conselho de Administração do Caminho de Ferro de Moçâmedes, Daniel Quipaxe, garantiu que estão a ser criadas condições para o comboio com passageiros atingir a cidade do Namibe.
A máquina funcional da empresa conta com o reforço de 40 jovens formados em operação de locomotivas, mecânica, gestão de estações, electricidade e outras áreas. A Administração do CFM empenha-se na criação de condições para que, a médio prazo, haja mais rendimento.
A linha ferroviária Namibe-Lubango-Menongue, com um percurso de 900 quilómetros de distância, esteve paralisada há sensivelmente 20 anos, em consequência da guerra de mais de três décadas que assolou o país. Um projecto gigante de construção e reabilitação foi elaborado pelo Executivo.
Milhares de dólares foram empregues. As obras estiveram a cargo de uma construtora chinesa, que envolveu, além de técnicos provenientes da China, dezenas de angolanos. A obra, sem mencionar algumas alterações feitas, incidiu na desminagem e desmatamento de largos quilómetros.Após essa operação, passou-se à fase de construção propriamente dita, com a implantação de 860 quilómetros de carris, construção de um número superior a 56 estações, subdivididas em três especiais, seis de 1.ª classe, 11 de 2ª classe e 36 de 3ª.
Todos os imóveis estão dotados de áreas de serviços administrativos, salas de espera, bilheteiras, restaurantes, agências bancárias e lojas.

  Queijo com sabor a Tundavala

 

Raclette, Tilsit, Edam, Mestre e Gouda são alguns tipos de queijo suíço com características genuinamente locais, fabricados na queijaria “N’tandavala” no Bairro da Mapaunda, na cidade do Lubango. />Inaugurada em 2010, com um investimento inicial de 1,5 milhões de dólares, a queijaria pertence à empresa Jembas Assistência Técnica (JAT), que levou 10 anos a instalar a primeira unidade do género na região.
No início, a fábrica utilizava cerca de 380 litros de leite, fornecidos por 50 vacas de origem sul-africana, mas agora tem mais 75 animais que produzem cerca de 60 litros.
O incremento no número de animais permitiu o aumento dos níveis de produção de 150 unidades para cerca de mil por dia, em duas linhas de processamento de origem suíça e alemã.
Esta matéria-prima permite à empresa produzir cerca de 300 quilogramas de queijo por dia, leite pasteurizado, manteiga, iogurte, natas e requeijão. Os produtos são encaminhados para as redes comerciais do Lubango e Luanda. A capital recebe a maior quantidade de requeijão.
A fazenda ocupa uma área de cerca de 300 hectares, divididos em três parcelas onde estão instalados dois grupos geradores que alimentam sete transformadores, linhas de transporte de energia de 15 quilo watts, sete tangues de 500 mil litros, valas e seis represas.
A produção é assegurada por um grupo de jovens angolanos formados nos últimos anos pelo queijeiro suíço Hans Allemann, que transmitiu à equipa a sua experiência profissional de mais de 38 anos.
O director da Queijaria, José Angélico, sublinha que a Província da Huíla, pelas suas características naturais, propicia a criação de diferentes raças de gado bovino, caprino e ovino. Por isso, obtém facilmente uma produção diária de mil litros de leite de alta qualidade, principal matéria-prima do queijo.
O processo começa com a obtenção de leite, que passa por cuidadosas medidas de higiene, pasteurização e hegemonização até aos produtos finais.
A empresa pretende, em dois anos, ampliar os sistemas de rega para a produção de ração e duplicar o número de cabeças de gado. O processo de transformação de leite é diário, o que garante a cadeia de produção para atender à procura.
“Preciso de cumprir alguns requisitos em termos de temperatura, para assegurar que o leite fresco, por exemplo, chegue com qualidade ao consumidor.

  Chouriço caseiro consta da ementa turística da Huíla

 

O chouriço caseiro, com o seu sabor sedutor, já é uma referência na ementa turística das terras da Chela, sendo que a sua produção nas fábricas caseiras destas paragens deu azo à proliferação dos enchidos nos restaurantes do Lubango e de outros pontos do país.
A cobiça pelo produto, que aumenta dia-a-dia, motivou o surgimento de várias unidades caseiras nos Municípios do Lubango, Humpata e Chibia. A evolução do negócio, que é secular, permitiu às pequenas empresas adquirir equipamentos apropriados e organizar melhor a actividade.
Um número considerável de jovens teve, com isso, a oportunidade de encontrar o primeiro emprego. Após se aperfeiçoarem, vincam as suas habilidades e dedicação aos produtos que colocam à disposição dos clientes, com realce, além do chouriço caseiro, o chouriço de sangue, para o presunto, torresmo, paio, linguiça, farinheira, salpicão, farinheira, morcela e outros. As famílias lubanguenses, turistas nacionais e estrangeiros  há muito que não dispensam um chouriço assado na brasa ou com lume de cachaça, preparado a rigor e com os padrões de sanidade, por gente que se envolveu nesta actividade há décadas. Certos boémios admitem que o produto, por se tornar referência na ementa turística da cidade do Lubango, está em pé de igualdade com a fama do Cristo Rei, Nossa Senhora do Monte, Serra da Leba, Tundavala, Cascata da Huíla e outros cantos e encantos fascinantes da Huíla.
 
Dona Henriqueta
A materialização de projectos com vista a melhorar a qualidade do processo de produção e comercialização, assim como dispor de mais comodidade para os clientes, prossegue. No Bairro Benfica, a histórica Salsicharia Caseira e o Talho do Lubango, abriram as portas ao público com novas infra-estruturas.
O Vice-Governador para o Sector de Infra-Estruturas da Huíla, Nuno Mahapi Dala, encarregou-se da inauguração do imóvel, que está com mais espaço, novos equipamentos para conserva de frescos e produção de chouriço caseiro e outros derivados da carne de suíno. A empresária Maria Henriqueta, 70 anos de idade, proprietária do imóvel, faz da produção de chouriço caseiro uma verdadeira arte. O seu cordão umbilical está na cidade do Bié. Mas preferiu o Município de Caluquembe, jna Província da Huíla, para os primeiros passos de “luta pela vida”. Na década de 80, a guerra forçou-a a abandonar todos os pertences da família para migrar para as terras da Chela, local com mais segurança e sossego. “Tivemos de começar do zero, porque tudo foi  saqueado na vila de Caluquembe”, contou, para descrever que ninguém deve ser tomado pelo desespero.
Dona Henriqueta, como é carinhosamente tratada nas lides dos enchidos do Lubango, arregaçou as mangas, criando suínos e produzindo verduras.
A iniciação na produção do chouriço caseiro começou com um cunhado, que a considera “grande mestre”. Começou assim o gosto pela produção, no princípio, sem interesse para o comércio. Transcorridos alguns meses, a procura pelo produto começou a aumentar e surgiu a ideia de ampliar a produção para satisfazer as encomendas.
Diona Henriqueta explicou que o crescimento da procura e sucesso das vendas foi crucia.
                   

Tempo

Multimédia