Reportagem

Menores arriscam até a vida no percurso que leva à escola

Edivaldo Cristóvão e Manuela Gomes

“A nossa família já não é a mesma, desde que a Jéssica 'foi'. Não há nada pior do que saber que a sua filha nunca mais vai regressar a casa”. Estas são palavras de desabafo de um inconsolável pai, que perdeu a filha mais nova, em consequência de um atropelamento, na Centralidade do Kilamba, quando a menina saía da escola para casa, na tarde do dia 16 de Abril deste ano.

Fotografia: Paulo Mulaza| Edições Novembro

Jéssica Leite é descrita como tendo sido uma menina de trato fácil, calma, meiga e nunca se envolvia em confusão com os colegas. Com apenas 11 anos, percorria diariamente mais de 15 quilómetros, para poder estudar. Saía às 10h00, do bairro da Mutamba (imediações da via expresso), para poder chegar antes das 12h30, à escola Lueji Ankonde, localizada no "Quarteirão D" da Centralidade do Kilamba.
Recentemente criado, o bairro onde habitava a menina apresenta difíceis condições de acesso, face aos inúmeros buracos e águas estagnadas nas vias. Quando se ultrapassam os obstáculos comuns a todas as acessibilidades, há ainda que lidar com a complicada circulação no interior da localidade, só possível por via de moto-táxis e alguns turismos com motoristas mais atrevidos para ousar transpor terreno íngreme.
Da via-expresso à residência da família Leite, o percurso dura pelo menos quinze minutos. Quando chove, as dificuldades são redobradas, porque o piso fica intransitável para as motorizadas e a única solução é chegar a pé, percorrendo um caminho difícil e perigoso.

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