Reportagem

Ministra assegura melhorias na saúde

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, anunciou, em Luanda, que o sector registará melhorias substanciais, a partir deste ano, com a recuperação ou conclusão de novas unidades hospitalares de referência, como o Instituto Hematológico Pediátrico.

Fotografia: DR

A governante fez saber que foram priorizadas, dentro do Programa de Investimentos Públicos, verbas para a criação e apetrechamento de algumas infra-estruturas que vão ajudar a melhorar a assistência aos pacientes.
De acordo com a responsável, a construção do Instituto Hematológico Pediátrico encontra-se já em estado avançado e obras terminam em Outubro deste ano.
Actualmente, o edifício projectado numa área de 11.700 metros quadrados, recebe trabalhos de instalação de redes de drenagem e sistemas eléctricos.
Construído de raiz desde 2017, o edifício terá sete andares e dará resposta às doenças de origem hematológicas (anemia falciforme, leucemias agudas e crónicas, além de linfomas).
O Instituto Hematológico Pediátrico terá várias zonas técnicas, como depósito de resíduos hospitalares, bloco operatório, bloco pré e pós-operatório, sala de imagiologia, unidade de cuidados intensivos, sala de internamento e farmácia, entre outros.
Com a sua construção, pretende-se reduzir o índice de doentes com anemia falciforme.
Dados oficiais dão conta que “cerca de 20 por cento” da população angolana tem um traço falciforme e “um por cento”, a doença, números que a ministra considera “muito grandes”, tendo em conta a população do país (mais de 26 milhões).
Além do Instituto Hematológico, a ministra anunciou a reabilitação do Hospital Neves Bendinha e a construção de uma unidade de referência para o tratamento de queimados.
A ministra da Saúde informou que, neste momento, está em fase final a parte do projecto do novo Hospital dos Queimados, que será submetido a concurso público, mas, não precisou o custo da obra.
“Como vai ser submetido a concurso público, nós ainda não sabemos qual será o custo. Mas posso adiantar que é um hospital com capacidade para 250 camas”, adiantou.
Para melhorar a assistência aos pacientes, Sílvia Lutukuta anunciou, também, para breve, a criação de centros de cirurgia da anca, joelhos e da coluna. Adiantou que a revitalização dos centros ortopédicos a nível nacional começou em Julho de 2018, com a produção de próteses, no município de Viana, em Luanda.
Segundo a ministra, são produzidas mais de 40 próteses por mês, no centro de Viana, que também está a reabilitar próteses com avarias.
O Centro de Medicina Física e Reabilitação produziu, em Janeiro último, 33 unidades desse tipo de equipamentos. Trata-se de próteses, orteses, calçados ortopédicos e cintas medicinais. A sua média de produção individual é de uma prótese em cada oito dias.
A partir de amanhã as salas de produção desses equipamentos no Centro de Medicina Física e Reabilitação vão beneficiar de obras de restauro.
Sílvia Lutucuta disse ser pretensão das autoridades recomeçar também a produção de próteses no Kuando Kubango e Moxico, ainda no primeiro trimestre deste ano.
Para tal, falta resolver apenas o problema ligado ao fornecimento de energia eléctrica em dois centros que já estão equipados e reabilitados.
O país conta com 11 centros especializados para a produção desses equipamentos.

Novos centros de referência

Outra pretensão das autoridades é criar centros para determinadas doenças, sobretudo no Cuando Cubango, que será referência em ortopedia, cirurgia cardíaca e neurocirurgia.
A ministra da Saúde admitiu que o país precisa de serviços diferenciados para diminuir a pressão sobre as unidades hospitalares, a nível municipal, provincial e nas unidades de referência nacional para atendimento às grávidas. Daí a razão da construção de um centro materno-infantil no Camama.
A titular da pasta da Saúde anunciou a construção de uma morgue no distrito do Camama, em Luanda, para melhorar a conservação de corpos, sublinhando que, ao contrário das actuais morgues, terá um pendor mais virado para a medicina forense.
Pelo país, disse que estão a ser construídas unidades hospitalares em províncias, cujas infra-estruturas estão bastante degradadas e necessitam de melhorias.
No Huambo, Cuanza-Sul e Bié estão a ser construídas hospitais provinciais, enquanto no Uíge, Cunene e Namibe decorrem obras de reabilitações de infra-estruturas já existentes e que são prioritárias.
Segundo a ministra, todas as unidades que estão a ser construídas de raiz ou ampliadas, como o Hospital Sanatório de Luanda, terão a componente de formação de quadros.
Sílvia Lutucuta disse que o país tem infra-estruturas em número bastante elevado, como postos, centros de saúde e hospitais provinciais, mas reconheceu que mais de metade apresenta problemas ou está em avançado estado de degradação.

Telemedicina em todo país até 2020
Os serviços de telemedicina vão estender-se a todo país até 2020 ou 2021, para garantir consultas à distância, discutir casos, avaliar exames, abordar diagnósticos e orientar tratamentos nas unidades hospitalares em tempo real, garantiu a ministra da Saúde.
Para a governante, a expansão deste serviço permitirá revolucionar os serviços de assistência médica em Angola, facilitando a monitorização dos pacientes.
Fez saber que, com a telemedicina, será possível ver o doente durante a consulta, por se tratar de tecnologia avançada, que fará reduzir o número de transferências de doentes.
Uma vez expandido pelo país, disse, só serão transferidos pacientes, de facto, quando a capacidade técnica local não for bastante para o diagnóstico e tratamento.
A governante reconheceu a falta de quadros especializados a nível do sector, mas assegurou que a telemedicina permitirá aproximar as áreas longínquas e quebrar o isolamento dos profissionais.
Além da província do Huambo, o serviço está a ser implementado no Moxico (está a ser expandido para todos os municípios) devendo, a curto, médio e longo prazos ser criado nas províncias da Lunda Sul, Uíge, Bié e Benguela.
Sílvia Lutucuta explicou que a escolha destas províncias deve-se ao seu perfil epidemiológico, ou seja, têm maior número de patologias e taxas de mortalidade mais elevadas.

Expansão dos serviços de oncologia

O Ministério da Saúde prevê expandir os serviços de oncologia em todo o país, até ao final do presente ano, com a criação de centros especializados nas províncias da Lunda-Norte e do Cuando Cubango, para garantir o diagnóstico precoce do cancro.
Com esta iniciativa, pretende-se facilitar a prevenção e reduzir o número de casos de pacientes de cancro que chegam aos hospitais em estado terminal.
Dados oficiais apontam que, só em 2018, foram registados em todo país 311 novos casos de cancro da mama, 280 de cancro do colo do útero e 75 de cancro da próstata.
A ministra anunciou a criação, a curto ou médio prazo, de centros regionais nas províncias do Huambo, Huíla e Benguela, para melhorar a assistência aos pacientes, garantir o diagnóstico e o tratamento em quimioterapia, numa primeira fase.
“É necessário trabalhar mais na prevenção, no diagnóstico precoce, na expansão dos serviços e na formação de quadros”, referiu a ministra, que lembrou que o Ministério da Saúde tem realizado campanhas de rastreio do cancro da mama e instalou, em algumas provinciais, clínicas móveis com capacidade de fazer mamografia, mas, ainda assim, pensa ser necessário ensinar as mulheres a fazerem o auto-exame da mama e a procurarem os serviços de saúde com regularidade.
Outra componente importante é a formação de técnicos de oncologia, para reforçar os serviços, usar quadros disponíveis e pessoas que se queiram dedicar à área.

VIH/Sida preocupa no Cunene
Quanto ao VIH/Sida, a ministra disse que o país tem uma prevalência (soma dos novos casos e antigos) de dois por cento, “considerada baixa em relação a outros países da região”.
Ainda assim, a ministra disse ser preocupante a situação no Cunene, cuja prevalência é de 6,1 por cento, por ser uma província fronteiriça e bastante exposta à contaminação.
Actualmente, o Ministério da Saúde trabalha para o controlo das novas transmissões, facto que levou à tomada de medidas para testar, tratar e participar nas directivas internacionais conhecidas como 90/90/90 (90 por cento das pessoas com VIH/Sida diagnosticadas, 90 por cento em tratamento e 90 por cento com a carga viral indetectável ao ponto de ser impossível transmitir a infecção).
A ministra destacou a campanha “Nascer Livre para Brilhar”, liderada pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, que tem como foco a sensibilização das grávidas com VIH para aderirem ao corte vertical.

Casos de negligência médica na PGR

Trinta processos, envolvendo médicos acusados de negligência, estão sob a alçada da Inspecção-Geral da Saúde e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os casos entregues à PGR, de acordo com a ministra, está o do técnico de testagem, envolvido na transfusão, com sangue contaminado, a uma criança no Hospital Josina Machel.
Apesar de o caso ter sido transferido para as instâncias judiciais, a ministra disse que o inquérito interno da inspecção da saúde revelou “negligência grosseira” do operador de serviço.
A ministra informou que a PGR já investiga, igualmente, o processo contra a equipa médica que, em finais de 2018, se negou a atender uma paciente no Hospital Municipal do Kapalanca, em Viana, que morreu à porta da unidade sanitária. De acordo com a ministra, concluídos os respectivos inquéritos internos, o Ministério da Saúde, através da Inspecção-Geral da Saúde, encaminhou os processos para as instâncias judiciais para o devido tratamento.
A ministra lamentou o facto de, em alguns casos, ter havido erros que podiam ter sido evitados.
Para evitar que situações do género ocorram com frequência, a ministra adiantou que tem sido efectuado um esforço para o refrescamento dos profissionais e a melhoria dos equipamentos nas unidades sanitárias.
Apesar dos casos apontados, a ministra destacou que o sector conta com “muitos profissionais capacitados”, cujo trabalho merece o devido reconhecimento.

 

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