Reportagem

Modernas infra-estruturas potenciam a economia

César André|

Considerado espinha dorsal do desenvolvimento do país, o sector dos Transportes joga um papel preponderante para reforçar o crescimento da economia nacional.

Fotografia: José Soares|Edições Novembro

A remodelação recentemente de alguns aeroportos do país,  enquadrada no programa de reabilitação das infra-estruturas aeroportuárias de Angola, é uma das apostas das políticas gizadas pelo Executivo, que visa oferecer mais rapidez e comodidade aos passageiros que se movimentam um pouco por todo o país.
Este sector desempenha um papel fundamental na reconstrução e no desenvolvimento do país não só em termos de serviços a fornecer aos outros sectores da economia nacional, mas também como motor para a expansão de toda a actividade produtiva do país.
Com o intuito de dar seguimento e cumprimento aos projectos já gizados no domínio dos transportes pelo Executivo no seu programa de governação  2017-2022,   apresentado oficialmente ao público no mês transacto, pretende-se dar um grande impulso à construção e reabilitação dessas empreitadas que vão, certamente, dignificar o país.
Caso vença as eleições de 23 de Agosto, o partido dos camaradas compromete-se a concluir os projectos estruturantes de interesse nacional do sector dos Transportes, nomeadamente a construção e reabilitação dos aeroportos de Luanda (Novo Aeroporto Internacional de Luanda), Mbanza Congo, Cuito, Cabinda e a conclusão  e  recuperação do Caminho-de-Ferro de Benguela.
No seu programa de governação,  o MPLA diz que  pretende conceber e operacionalizar o plano de negócios e de marketing para o Novo Aeroporto Internacional de Luanda, visando a sua utilização como um “hub”, entre a América Latina e a Ásia, e de distribuição de tráfego da Europa para os países  vizinhos, nomeadamente da África Austral.
Uma das apostas do partido maioritário neste sector visa, igualmente, promover o surgimento de plataformas logísticas multimodais nos principais corredores de desenvolvimento, facilitando a distribuição de produtos no território, viabilizar a atribuição de concessões para a construção e operação de ramais ferroviários para grandes indústrias, complexos mineiros ou centrais de energia que sejam recuperados ou indicados ao longo das vias férreas existentes ou a criar.
O programa do MPLA compromete-se ainda a concluir a extensão da rede ferroviária à Zâmbia, elaborar o projecto executivo da rede prioritária sobre a interligação das três linhas de caminho-de-ferro, com o objectivo de criar uma  rede integrada de ferrovia, que potencie a mobilidade ferroviária  de pessoas e bens com maior segurança e a custos mais baixos.
Neste domínio, vai-se garantir a segurança do sector aéreo em todo o país e reforçar a sua credibilidade internacional, através do reforço da capacidade e competências do Instituto Nacional de Aviação (Inavic), bem como promover a exploração comercial privada do transporte aéreo interno, assegurando o efectivo controlo das licenças emitidas.
Consolidar  o processo de refundação da TAAG e da ENANA, melhorar a competitividade do sistema portuário nacional e do transporte marítimo, relativamente às boas práticas internacionais do ramo, aos preços praticados e à qualidade do serviço prestado, constam das acções a serem desenvolvidas pelo MPLA, caso vença o sufrágio universal que se avizinha.
Ainda neste domínio, o partido maioritário compromete-se a promover a realização de parcerias estratégicas com o sector privado no sector marítimo-portuário de passageiros e carga, a nível do país, plasmadas num plano de negócios e numa perspectiva de redução das assimetrias regionais, melhoria da mobilidade e do aumento do rendimento da população rural e ribeirinha, envolvendo na sua implementação entidades privadas com tecnologias e capacidade.
A construção de  terminais marítimos e fluviais de passageiros, a aquisição de embarcações e de peças sobressalentes e a construção de estaleiros  adequados, bem como a garantia do cumprimento de todas as normas e certificações concernentes aos transportes marítimo e fluvial, minimizando o esforço financeiro do Estado na execução destas acções, são acções que o MPLA se compromete realizar no próximo quinquénio.
Um outro desafio do partido no poder está relacionado com a concretização do objectivo de relançamento do transporte marítimo ­internacional da companhia de bandeira angolana (Secil Marítima), através de parcerias estratégicas, que chamem a si o esforço financeiro a desenvolver, bem como reforçar a capacidade dos serviços de busca e salvamento, da gestão e controlo do tráfego marítimo, da construção e recuperação de faróis e farolins, levantamento hidrográfico, actualização das cartas náuticas, criação  de brigadas hidrográficas, elaboração do plano nacional hidrográfico,  assim como o estreitamento das relações com outras autoridades marítimas, para  a vigilância da costa marítima e de toda a zona económica.
Compromete-se, também neste domínio, iniciar a construção do Porto da Barra do Dande e concluir as plataformas logísticas transfronteiriças de Santa Clara, Luvo, Kimbata, Massabi, Yema e do Lucau e concluir o projecto da rede de cabotagem do norte de Angola com a ligação Cabinda/Zaire/Luanda e subvencionar o preço dos bilhetes de passagem aérea de Cabinda para Luanda.   

 Infra-estruturas
 
O  vice-presidente do MPLA, João Lourenço, está consciente de que o desenvolvimento  não passa só pelos sectores da Energia e Águas e da Saúde, mas também pelos das Comunicações e dos Transportes, razão pela qual, disse, o Executivo também tem  apostado nessas áreas, com a construção  e reconstrução de estradas.  O também candidato do MPLA a Presidente da República, que teceu estas considerações durante um acto político da sua apresentação à população da província do Zaire, disse que, anteriormente, o aeroporto era invadido por cabritos que pastavam  nas proximidades e nem havia uma  aerogare para a venda de bilhetes de passagem. Hoje, acrescentou o cenário é diferente. Ainda assim, João Lourenço anunciou para breve a construção de um novo aeroporto com  maiores dimensões e condições, num local distante das residências, para evitar  eventuais acidentes.
Na província do Moxico, onde também viajou para a sua apresentação pública como cabeça de lista do partido no poder em Angola às eleições gerais de 23 de Agosto, João Lourenço afirmou que o MPLA só vai estar em condições de construir um futuro melhor para Angola se o povo angolano renovar a confiança no partido por via do voto.
João Lourenço disse que o Moxico pode jogar um papel importante para o desenvolvimento da região leste de Angola, porquanto nesta província passa o Caminho-de-Ferro de Benguela que deve desempenhar um papel importante na transportação de matérias-primas e de bens diversos para as províncias vizinhas.
“Vamos trabalhar no sentido que o Caminho-de-Ferro de Benguela cumpra com o seu papel de contribuir para o desenvolvimento do país e das nações vizinhas do Congo e da Zâmbia”, aferiu.
A Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea, instituição adstrita ao Ministério dos Transportes de Angola, tem vindo a levar a cabo, desde 2009, um programa de reabilitação de aeroportos em todo o território nacional, tendo beneficiado já com tais obras várias aerogares provinciais e zonas de movimento de aeronaves.

Plano de Desenvolvimento

O Plano Nacional de Desenvolvimento 2012/2017 tem como política no sector dos transportes aéreos assegurar a conclusão da construção do Novo Aeroporto de Luanda e concluir o programa de refundação da Transportadora Aérea de Angola (TAAG).  Criar condições efectivas de concorrência no sector e aumentar a capacidade de mobilidade nos transportes aéreos figuraram do Plano Nacional de Desenvolvimento já em execução.
No sector rodoviário, o Plano Nacional de Desenvolvimento vai estabelecer e implementar um programa de reordenamento do sistema de transportes das províncias, dinamizar e incentivar a implantação de uma rede de oficinas rodoviárias.
Estender a rede de táxis a todo o país, estimulando os programas de apoio ao emprego e à mobilidade, consolidar o sistema de controlo de tráfego de passageiros e meios, criar um sistema de transporte de massas eficiente, rápido e isolado (metro de superfície) em Luanda e adoptar medidas que conduzam à implementação do transporte intermodal serão projectos implementados no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento.  

Tempo

Multimédia