Modernização de infra-estruturas melhoram oferta de água em Luanda

Victorino Joaquim |
11 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Levar a água potável a casa de todos os cidadãos é o maior desafio da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL). Para vencer este desafio, as infra-estruturas associadas ao sistema de abastecimento à cidade estão agora reforçadas e melhoradas. São vários os projectos em curso.

Durante o período compreendido entre os anos 2010 e 2014, a EPAL-EP empreendeu esforços que concorreram para a melhoria das infra-estruturas associadas ao sistema de abastecimento de água à cidade de Luanda. A política de investimentos da EPAL assenta  sobre três pilares, que visam a reabilitação e ampliação da capacidade de produção, a ampliação das infra-estruturas de engenharia associadas à rede de distribuição e o aperfeiçoamento técnico-operativo dos vários sectores da empresa.

Estação de Kifangondo

A reabilitação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Kifangondo teve como base a montagem de novos equipamentos assim como de tubagens e a renovação da estrutura dos filtros de areia, incluindo as bases de filtros e as modificações dos orifícios de entrada, renovação da estrutura dos tanques, substituição dos equipamentos e tubagens externas dos filtros e do canal de água de lavagem, renovação da estrutura dos tanques e equipamentos de misturas, renovação da estrutura civil do edifício das substâncias reagentes, cujo investimento está fixado em mais de 29 milhões de dólares é um financiamento chinês, cuja conclusão das obras foi aprazada para um período de 24 meses.

Centro do Cazenga
   
No Centro de Distribuição de Água do Cazenga, foram demolidos reservatórios antigos para dar lugar à construção de dois novos reservatórios de 15 mil metros cúbicos cada um, com a instalação de grupos geradores e uma estação de bombagem, edifício de coloração, arruamentos e iluminação, entre outros. Os trabalhos tiveram início em Dezembro de 2013, o seu término está previsto para o próximo mês de Agosto.
“Neste momento, estão cerca de 70 por cento da execução física da obra. Uma mais-valia é o aumento da capacidade de 15 mil litros cúbicos para 30 mil litros cúbicos”, como explicou o engenheiro Júlio Quental.
Diante de um mapa, explicou como foi reabilitado e ampliado o Centro de Distribuição do Cazenga, que visou o reforço e melhoria do abastecimento de água à zona da Precol, Tala Hadi, Cazenga, bairro da Madeira, Grafanil/Dr Agostinho Neto, Vila da Mata, Comissão do Cazenga, Calwenda, Curtume, Hoji ya Henda, Ngola Kiluanji, Kwanzas, Nocal e Sonefe. A obra teve um custo de mais de 41 milhões de dólares, num financiamento chinês.
 
Marçal

No Centro de Distribuição do Marçal foi feita, também, a demolição do sistema de tratamento de água existente, do reservatório para dar lugar à construção de dois reservatórios de 35 mil metros cúbicos cada, de uma estação de bombagem, uma casa de máquinas, construção de uma casa de coloração, de laboratório de drenagem fluvial e esgoto de águas residuais.  Os trabalhos tiveram início em Fevereiro de 2013, o seu término está aprazado para o mês de Maio deste ano. 
Quem entra naquele lugar vai ver montanhas de areia acumulada, buracos a serem tapados, homens uniformizados, cada um a executar a sua tarefa, e máquinas.  Gomes Rosa, director do projecto, explica que uma mais-valia é o aumento da capacidade de 35 para 70 mil metros cúbicos.
A velha casa de bombagem vai ser transformada em casa de exposição para que os estudantes universitários possam realizar estudos. A construção de uma mediateca, para acudir a camada estudantil que vive nos arredores, também, faz parte do projecto. “Neste momento, estão cerca de 80 por cento da execução física da obra, que vai reforçar e melhorar o abastecimento de água aos bairros Vila Alice, Maculusso, Miramar, Cruzeiro, Kinaxixi, Boavista, Patrice Lumumba e zona da Baixa nascente”, conta Gomes Rosa.

Maianga em funcionamento

O Centro de Distribuição da Maianga já está em funcionamento desde o ano passado. Na parte exterior, nada faz prever a existência de uma nova infra-estrutura, com os arruamentos devidamente asfaltados, sinalizados, passeios, jardins devidamente tratados e um pequeno parque de estacionamento. As paredes pintadas de branco apresentam um elevado grau de higiene. É um lugar acolhedor.
Nesta infra-estrutura, foram construídos dois reservatórios um com a capacidade de 10 mil metros cúbicos e outro com 21 mil, instalação de grupos geradores e uma nova estação de bombagem.Os trabalhos, a cargo da empresa chinesa Sinohydro Corporation, tiveram início em Fevereiro de 2013 e terminaram em Janeiro de 2016. O engenheiro Zacarias de Morais explicou que as obras ali efectuadas visaram o mesmo objectivo dos centros do Cazenga e do Marçal, que é melhorar o atendimento de abastecimento de água aos bairros Alvalade, Bairro Azul, Corimba, Samba, Ingombota,  Cidade Alta, Calemba, Cassenda, Cassequel, Maculusso, Mártires de Kifangondo, Praia do Bispo, Prenda, ruas Amílcar Cabral e Primeiro Congresso.

Porta-voz explica

Os centros de distribuição do Marçal, Maianga e Cazenga, segundo Domingos Paciência, porta-voz da EPAL, foram construídos há mais de 60 anos e o seu funcionamento já não correspondia à capacidade instalada. “Apresentavam muitas debilidades, em média, poderiam funcionar em menos de 90 por cento. O trabalho de requalificação e ampliação dos centros de distribuição permitiu assegurar a recuperação de 150 mil metros cúbicos por segundo de água potável”, garantiu. No caso da Estação de Tratamento de Água de Kifagondo, antes da substituição dos equipamentos, apenas produzia cerca de 80 mil metros cúbicos de água.

Projectos

A Empresa Pública de Águas tem em carteira a execução de 26 projectos, dos quais se destacam: os de impacto imediato no abastecimento de água de Luanda, lançamento de condutas adutoras para o reforço do abastecimento de água no Benfica, vila da Funda, Zango, Centralidade do Sequele, Kilamba e Cajueiro, além de 700 mil ligações.A região onde hoje se localiza o bairro Mulenvos de Cima, em Viana, no tempo colonial, era considerada zona agrícola. Hoje, passados 40 anos, a zona tornou-se residencial, resultante da ocupação ilegal com construções residenciais não dirigidas. Como consequência, o ordenamento territorial é de difícil acesso.
Com uma extensão territorial de 3.500 hectares, o bairro Mulenvos de Cima, no município de Viana, faz fronteira com o bairro Quilómetro 12 B, ao leste, rua da Boa-Fé ao ­Quilómetro 14 B a sul, ao norte com o município de Cacuaco e a oeste com a vila da Boa-Fé. Homens e máquinas despertam os moradores logo ao amanhecer com o barulho do funcionamento dos motores, o bater insistente das picaretas e outras ferramentas utilizadas no decorrer da empreitada das 700. 000 ligações domiciliares das quais o município de Viana beneficiou já de 96.000, isto até 2015.
João Roberto da Costa, técnico médio de Construção Civil, funcionário da área de projectos da Empresa Pública de Águas, é o responsável pelas ligações domiciliares no bairro Mulenvos de Cima.  Perante o olhar incrédulo dos transeuntes e dos moradores, estão as escavações, montes de terra vermelha e ruas intransitáveis que denotam o trabalho que uma das empreiteiras  está a realizar no âmbito das 700 mil ligações domiciliares.
Passados mais de dois anos, o tempo e a realidade são outros. Acabaram-se os olhares cépticos, algumas ruas tornaram-se transitáveis e o bairro ganhou vida devido às 41 mil 166 ligações efectuadas.
Giza Domingos Sampaio, 23 anos, moradora da rua das Madres, sector 09, sempre pensou que eram miragem a implementação e a finalização do projecto no bairro, mas agora já pensa e vê o projecto como uma realidade porque “já toma banho de chuveiro” e deixou um recado à EPAL “para continuar com o projecto em outros bairros.” Emília Nangoleta, moradora do bairro circunvizinho ao dos Mulenvos de Cima, gostou do trabalho feito pela EPAL de canalizar água potável na zona, mas lamentou o facto de a sua casa ter sido cadastrada e até ao momento não ver a implementação da rede de água no seu bairro.Passados dois anos desde o lançamento do projecto nos diferentes bairros e municípios de Luanda, onde jorra água no âmbito da execução das 700 mil ligações domiciliares, o número de famílias que beneficiaram do fornecimento de água da EPAL aumentou e a satisfação dos moradores é notória em cada residência que a equipa de reportagem do Jornal de Angola visitou.
A primeira paragem da equipa foi no município do Cazenga, no bairro Vila Flor, rua do PT, onde começamos por ouvir a jovem estudante Ana Miranda, moradora há 22 anos, que agradece a execução do projecto, outrora, percorria muitas distâncias para adquirir água. Às vezes, precisavam de deslocar-se ao bairro Palanca com o bidon à cabeça para acarretar água, onde pagavam 100 kwanzas por cada recipiente, com capacidade de 20 litros.
“Antes, precisávamos de levantar muito cedo, agora, que já temos água em casa, a vida melhorou muito”, conta Luísa Kissanga, outra moradora do bairro Vila Flor, há mais de 20 anos. Luísa Kissanga lembra que viveu com esta dificuldade muito tempo. Sobre o dever de efectuar o pagamento da taxa de ligação, afirmou ter conhecimento do compromisso, mas que ainda não efectuou o pagamento por falta de condições de o fazer no momento, mas “assim que tenha condições, vou pagar o contrato e a taxa de ligação”, assegurou a jovem Luísa Kissanga.

Constrangimento

Num encontro com jornalistas, no âmbito de mais um aniversário da EPAL, assinalado no dia 30 de Março, o porta-voz da EPAL denunciou que grande parte dos equipamentos instalados para levar água aos consumidores, no âmbito das 700 mil ligações domiciliares realizadas pela referida empresa, está a ser vandalizada por alguns populares.
Domingos Paciência explicou que a vandalização das condutas e contadores tem estado a criar dificuldades na execução do projecto das 700 mil ligações domiciliares e a causar prejuízos avultados à empresa.

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