Reportagem

Morrem cada vez mais pessoas a tirar selfies

Osvaldo Gonçalves

O levantamento, feito com base em casos noticiados pela imprensa, aponta que a tendência vem crescendo e que 72 por cento das vítimas eram homens.

Fotografia: DR

A estatística é preocupante, mas os seus autores acreditam que esse número seja ainda maior.
O número de mortes au-menta a cada ano. Em 2014, 15 pessoas morreram tirando fotos de si mesmo pelo celular. Em 2015, foram 39 e só nos pri-
meiros meses de 2016 qua-se dobrou, chegando a 73. As causas dos acidentes são várias. Afogamento, acidentes de transporte e quedas foram as mais comuns, mas também foram frequentes electrocuções e mortes causadas por incêndio, ataques de animais e armas de fogo.
Desde o advento das selfies, todos querem fazer uma pose e esticar o braço para se fotografar a si próprio num lugar novo, diferente ou bonito de-mais. A cada esquina é um flash. Só que muitas vezes tal acontece em locais e em situações perigosas, como o meio da rua ou no topo de uma montanha ou edifício.
Paris Hilton, a famosa “socialite” norte-americana, reclama para si e para a cantora Britney Spears a invenção das selfies. Em 2006, ela escreveu na sua conta no Twitter: “Onze anos atrás, eu & Britney inventámos a selfie!” Mas, como alguns dos seguidores do Twitter apontaram na altura, nem uma nem outra existiam quando a selfie foi inventada, 167 anos antes. Acredita-se que a mais antiga fotografia tirada a si mesmo seja de Robert Cornelius, que, aos 30 anos, tirou-a de fora da sua loja de lâmpadas em Filadélfia, nos EUA.
No momento da fotografia, ele parece não saber se a foto vai mesmo funcionar, o que pode ser explicado pelo facto de que a tecnologia da época obrigava a pessoa fotografada a permanecer em pé durante mais de 15 minutos para conseguir a imagem.
As fotografias tiradas à frente do espelho, populares antes de 2000, isto é, antes das câmeras com lentes frontais, são, de facto muito mais antigas. Cerca de um século antes, elas já era usadas na realeza russa, como se pode ver na foto da duquesa Anastásia Nikolaevna, filha mais nova do czar Nicolau II, em 1914, na altura com 13 anos de idade.Numa carta enviada ao pai, ela escreveu: “Tirei esta foto de mim mesma olhando-me no espelho. Foi muito difícil porque as minhas mãos estavam trémulas.”
Curiosa mesmo é a selfie tirada pelo fotógrafo nova-iorquino Joseph Byron em 1920. Ele e amigos fizeram-se fotografar a si próprios num terraço da cidade, mas, devido ao peso da câmara, uma caixa grande, dois deles seguram o objecto.
A origem da palavra selfie é atribuída ao australiano Nathan Hope, que na festa do 21.º aniversário de um amigo, em 2002, postou uma foto do lábio cortado. Na legenda, ele pediu desculpas e explicou que se tratava de uma “selfie”.Ora, os australianos são conhecidos por encurtarem as palavras e colocarem a terminação “ie” nalgumas delas, pelo que o termo pegou de imediato.
Com todo o mundo a fazer selfies para a frente e para trás, o número de acidentes tem aumentado de forma assustadora. Tanto que os fabricantes de telemóveis e os cientistas empenham-se a criar aplicativos para evitá-los, como um que mapeia quando alguém estiver a tirar fotos nalgum lugar arriscado, e multiplicam-se os conselhos nesse sentido, como pedir a outra pessoa que tire a foto por nós.De acordo com a sondagem, as pessoas entre 20 e 24 anos constituem o grupo de maior risco, com 45 mortes registadas, 35 por cento do total das mortes registadas, seguindo-se os menores de 20 anos, com 41 mortes, e as de mais de 30 anos, com 17.A ocorrência de mortes enquanto se fazem selfies é tão grande que até já ganharam nome.
São as “killfies”. O maior número de tragédias aconteceu na Índia (76), a seguir vem a Palestina (9), o Reino Unido (8), a Rússia (6), China e Filipinas (4 cada). Os homens são quem mais morre (2/3 dos casos).

  Dormir perto do telemóvel pode ser um perigo

Actualmente ainda não existe um consenso entre a comunidade científica no que diz respeito aos riscos do uso de telemóveis, no entanto, algumas investigações sugerem que o uso contínuo e elevado destes dispositivos pode ter impacto negativo na saúde.
"Embora a ciência ainda esteja a evoluir, já existem preocupações entre os profissionais da saúde pública e alguns membros da população em relação à exposição elevada e longo prazo à energia emitida pelos telemóveis", disse Karen Smith, directora do Departamento de Saúde Pública da Califórnia.
Os smartphones funcionam através do envio e recepção de sinais das antenas de comunicação. Esses sinais são uma forma de radiação eletromagnética, chamada energia de radiofrequência (RF).
Embora a energia de radiofrequência não seja tão perigosa como outros tipos de radiação eletromagnética - como raios X e raios UV do sol - existem estudos científicos que sugerem que o uso frequente dos telemóveis pode colocar-nos em risco.
Uma das maiores preocupação do Departamento de Saúde da Califórnia são as crianças. Nos Estados Unidos, a idade média em que uma criança recebe o primeiro telemóvel é aos 10 anos e a maioria dos jovens mantém os telemóveis por perto ao longo de todo o dia e até durante a noite.
 "O cérebro de uma criança desenvolve durante os anos de adolescente e pode ser afectado pelo uso de telemóvel", alerta Karen Smith. "Os pais devem considerar reduzir o tempo que os filhos dedicam ao uso dos telemóveis e encorajá-los a desligar os mesmos durante a noite", acrescenta.
As ondas de radiofrequência penetram mais facilmente no cérebro de uma criança que de um adulto. Além disso, pode ser mais prejudicial e ter efeitos mais duradouros num cérebro em desenvolvimento.
O ministro da Educação de França, Jean-Michel Blanquer, anunciou a decisão de banir os telemóveis das escolas do país.
A medida deverá ser colocada em prática em Setembro do próximo ano nas escolas frequentadas por crianças entre os 11 e os 15 anos. Blanquer considera esta decisão como "uma questão de saúde pública."
Depois de analisar as provas crescentes de que a exposição à radiofrequência pode provocar cancro, doenças mentais, infertilidade e até tumores no cérebro e ouvidos, o departamento de saúde decidiu lançar um guia de como reduzir esta exposição.
O primeiro conselho deste guia é manter o telemóvel afastado do corpo.

Portuguesa morre ao cair de 27º andar

Uma jovem portuguesa morreu na cidade do Panamá ao cair de uma varanda de um 27º andar quando tentava tirar uma “selfie”, noticiou  a imprensa local citando a polícia.
Segundo a polícia, a jovem portuguesa, Sandra Manuela da Costa Macedo, tinha título de residente no Panamá, mas chegara ao país há pou-co tempo.
O acidente ocorreu cerca das 10:00 locais (16:00 em Lisboa), no bairro de El Cangrejo, na Cidade do Panamá, segundo a polícia.
A imprensa panamenha publicou um vídeo em que se vê o acidente, filmado por operários que trabalhavam num edifício próximo e tentaram avisar a jovem do perigo ao verem-na sentar-se no corrimão da varan-da, segundo o jornal pana-
menho La Critica.
Um estudo divulgado no princípio deste mês concluiu que entre 2011 e 2017 pelo menos 259 pessoas morreram ao tentar tirar uma 'selfie' em situações perigosas.

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