Reportagem

Mulheres em destaque no Governo

Sérgio V. Dias | Bié

À semelhança do que acontece a nível da governação central no país e em outras instituições de relevância, no Bié, uma das províncias da zona do planalto central do território nacional, as mulheres assumem hoje, também, cargos de destaque.

Igualdade do género é actualmente realidade na província do Bié
Fotografia: Edson Fabrízio | Bié

Realce, nesse particular, para o facto de, presentemente, cinco dos nove municípios que compõem essa parcela de Angola serem dirigidos por mulheres, uma situação que se estende igualmente a vários organismos públicos da região.
Cunhinga, que tem à ‘testa’ da Celeste Elavoco David Adolfo; Chinguar, Beatriz Napende Diniz; Camacupa, Alcida Celeste de Jesus Camateli; Cuemba, Laurinda Capocolola; e finalmente Nharea, Maria Lúcia Chicapa, são os cinco municípios do Bié dirigidos por senhoras. Os restantes quatro municípios, a saber, Andulo, Catabola, Chitembo e Cuito, têm à frente das administrações homens.
Realce ainda para o facto de várias direcções provinciais do Bié serem também dirigidas por mulheres. Entre estas há a destacar as da Comunicação Social, conduzida por Maria Ester Pereira Canica “Henda”; Assistência e Reinserção Social, Alda Chapalanga Pedro; Família e Promoção da Mulher, Carolina Vihemba Isaac; Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Faustina Francisco Econge; dos Transportes, Adélia Eduardo, e da Hotelaria e Turismo, Ludmila Emília Gomes Ferreira, designadamente.
 
Dados mundiais

Num relatório da União Inter-Parlamentar (UIP), divulgado em Genebra, Suíça, há dois anos, Cabo Verde aparecia como o segundo país do mundo e o primeiro entre os lusófonos, com o maior número de mulheres ministras.
No mesmo relatório, apontava-se que, a nível mundial, 30 países contabilizam pelo menos 30 por cento de mulheres ministras, aparecendo nesse caso a Finlândia (62,5 por cento), Cabo Verde (52,9) e a Suécia (52,2) a ocuparem os três primeiros lugares.
Até Janeiro de 2015, entre os 17 ministérios do Governo de Cabe Verde, nove eram dirigidos por mulheres, de acordo com a UIP.
Na Finlândia, 10 dos 16 cargos de ministros eram, na mesma fase, ocupados por mulheres, enquanto a Suécia contabiliza 12 ministras em 23 ministérios.
Nos países de língua oficial portuguesa, além de Cabo Verde estavam incluídos nesse relatório da UIP a Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Angola, Brasil, Timor-Leste, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, respectivamente.
Angola surgia em 37º lugar da classificação mundial, face ao número de ministras, que na altura era de oito, para o total de 36 postos disponíveis e que correspondia, para o efeito, à cifra percentual de 22,2.
Num outro relatório, a Organização Internacional de Trabalho (OIT) apontava que a participação de mulheres em cargos de chefia nas empresas aumentara em todo o mundo, nos últimos 22 anos.
O mesmo estudo mostra que há uma ligação entre a liderança feminina e o bom desempenho de uma companhia e recomenda medidas para reduzir a diferença entre a quantidade de homens e de mulheres em posições de alto comando.
De acordo com a OIT, apesar da tendência crescente da presença feminina em cargos de chefia de empresas no mundo, apenas cinco por cento dos postos executivos no mundo estão confiados a mulheres.
A Organização Internacional do Trabalho afirma que as mulheres ainda não estão bem representadas em posições de alto comando.
Em países como o Brasil, China, Itália, México e Espanha, o índice de ocupação feminina em cargos executivos gira entre os cinco e os 10 por cento.
Segundo o estudo da OIT, os melhores desempenhos foram registados na Finlândia, na Noruega, no Reino Unido e na Suécia com mais de 20 por cento de mulheres em cargos. Os piores resultados foram registados no Iémen, Paquistão, Argélia e Jordânia, onde a presença de mulheres está abaixo dos cinco por cento.
O estudo indica que “a participação crescente das mulheres no mercado de trabalho tem sido a principal força por trás do crescimento global e da competitividade.”
O documento diz que “ainda há muito a ser feito actualmente para que se possa atingir uma igualdade de géneros nos locais de trabalho, especialmente em altos cargos.”
Em Angola, de uma forma geral, já se faz sentir a participação de muitas mulheres nos órgãos de poder de decisão, contribuindo para o desenvolvimento social e económico do país. Pairam no ar opiniões correntes de que hoje já se faz sentir a independência da mulher, principalmente como mãe, esposa e profissional.
Antes da Independência Nacional de Angola, a 11 de Novembro de 1975, a mulher não tinha poder de escolha e de defesa contra os maus tratos. Eram submissas aos homens, sem oportunidade de estudar e de trabalhar para garantir a sua liberdade.
Por isso, hoje, se defende uma maior valorização da mulher e exorta-se, principalmente as jovens, a aproveitarem todas as oportunidades criadas pelo Executivo para a inserção da camada feminina nos órgãos de decisão, na formação académica e também no mercado de trabalho.

  “Estamos bem representadas”

Maria Ester Canica “Henda”, directora da Comunicação Social do Bié, assinala o facto de as mulheres destacarem-se também a nível dos órgãos decisórios da região. “Nós, mulheres, estamos bem representadas no aparelho governativo da nossa província”, disse ela na conversa mantida com o nosso jornal, no Cuito.
A titular da pasta da Comunicação Social salienta que, só pelo facto de o Bié ter hoje à frente de cinco dos seus nove municípios senhoras, “isso é uma demonstração de que, efectivamente, as mulheres estão em destaque na governação nesta província.”
“Além disso, a nível das dezanove/dezoito direcções provinciais que compõem o aparelho governativo do Bié, se a memória não me atraiçoa, aparecem também outras tantas mulheres a dirigir vários pelouros”, acrescentou Maria Ester Canica “Henda”.
Antiga jornalista da Agência de Notícias Angola Press (Angop), Maria Ester Canica “Henda” revela que tal como acontece um pouco por todo o Mundo, “as mulheres têm hoje um papel decisivo a nível de várias esferas do aparelho do Estado.”
Nesse particular, a directora da Comunicação Social do Bié destaca a figura do Titular do Poder Executivo e Chefe de Estado angolano, engenheiro José Eduardo dos Santos, que muito contribuiu para que a questão do género merecesse hoje relevância no país.
“Isto é uma realidade. O nosso presidente jogou um papel preponderante para que as mulheres hoje figurassem numa ordem dos 30/35 por cento no tocante aos órgãos de decisão do país”, disse.

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