Reportagem

Multidão na festa do MPLA

Gabriel Bunga e Ana Paulo |

O MPLA voltou a testar ontem em Luanda a sua veia mobilizadora, no dia em que completou os 60 anos da sua fundação. O Estádio 11 de Novembro, com capacidade para 50 mil pessoas sentadas, foi pequeno para acolher a moldura humana que se deslocou na manhã de ontem ao local para ouvir dos dirigentes do partido as ideias e estratégias para a concretização dos mais profundos anseios dos cidadãos.

Vice-presidente do MPLA João Lourenço pediu aos militantes e amigos do partido voto de confiança para continuar a conduzir os destinos do país e resolver os problemas do povo
Fotografia: Vigas da Purificação

Militantes, amigos e simpatizantes saídos de todos os pontos da província lotaram o estádio. Assentos foram colocados sobre a relva para acomodar aqueles que não conseguiram um lugar nas bancadas e convidados. Muitos ficaram do lado de fora do estádio, que estava engalanado com dísticos com dizeres como: “MPLA nunca abandonou o povo e nunca combateu contra o povo”, “MPLA - Com o Povo Rumo à Vitória”, “MPLA Nasce da Esperança de um Povo. Foi Forjado na Coragem deste Povo” e o famoso lema “O Mais Importante é Resolver os Problemas do Povo”.
Os lemas traduziam a emoção dos milhares de militantes que resistiram ao ardente sol sabático, num ambiente animado por cantores que contribuíram para a luta de Libertação Nacional e para a conquista da paz definitiva, assim como para a reconciliação nacional.  A festa teve participação de Carlos Lamartine, Santos Júnior, Elenco da Paz, Irmã Sofia, Baló Januário e Sabino Henda.
Cada um a seu jeito exibia as cores do partido fundado a 10 de Dezembro de 1956 e que conduziu à vitória sobre o colonialismo e à conquista da Independência Nacional de Angola, sob liderança do Presidente Agostinho Neto. Refundado em 10 de Dezembro de 1977 como partido, pôs fim às agressões militares externas, garantiu a conquista da paz e tem vindo a consolidar o Estado democrático de direito.
A moldura humana registada ontem no Estádio 11 de Novembro era também a confirmação da grande  popularidade, como realçou, em comunicado, o Bureau Político, na véspera, que, “como maior partido de Angola, o mais capaz e o mais organizado, o MPLA nasceu da esperança de todo um povo e foi forjado na sua própria coragem, tendo-se transformado, quantitativa e qualitativamente, ao longo da sua existência”.

Teste para Luanda

O primeiro secretário do Comité Provincial do MPLA em Luanda, Higino Carneiro, nas suas palavras de boas-vindas, reconheceu o papel dos combatentes e nacionalistas pela conquista da Independência Nacional e da paz. E justificou o propósito de juntar milhares de pessoas para celebrar as “vitórias redundantes alcançadas durante a existência do glorioso partido”.
“É merecido que todos juntos saudemos o Presidente José Eduardo dos Santos pela celebração do 60º aniversário da fundação do MPLA que é, de facto, uma vida feita  com sacrifícios, onde combatentes e nacionalistas lutaram para a paz e reconciliação nacional. Não foi fácil o percurso longo percorrido”, disse.
O político dirigiu-se especialmente ao presidente do partido, representado pelo seu vice, João Lourenço: “Presidente José Eduardo dos Santos, cumprimos com as suas orientações, e cá estamos presentes no Estádio 11 de Novembro, para comemorarmos este dia, juntando os militantes dos seis municípios da nossa província e figuras lendárias do nosso partido”.
Durante os seus 60 anos de existência, o MPLA transformou-se em partido selectivo e, posteriormente, em partido de massas e de quadros, para vencer todos os desafios e realizar a sua missão política e social de cada etapa histórica. Tudo graças à bravura de milhares de filhos da pátria angolana, à dedicação dos seus dirigentes em várias etapas, à qualidade, responsabilidade e honestidade dos quadros e ao sentido de fidelidade de milhões de militantes aos princípios que juraram defender.
Como destacou em comunicado o Bureau Político, como depositário da confiança de muitas gerações, o MPLA celebra o 60.º aniversário da sua fundação com um sentimento de orgulho, pelas vitórias conseguidas para o povo angolano e de reflexão pela enorme responsabilidade, resultante do lugar singular que a História de Angola e as aspirações do povo lhe conferem.  

Tempo

Multimédia