Reportagem

Município investe em projectos de impacto social

Kayila Silvina | Mbanza Congo

A Administração Municipal de Mbanza Congo vai investir este ano mais de 640 milhões de kwanzas em projectos de impacto social. As acções vão incidir no aumento do número de escolas e centros de saúde, na construção de sistemas de abastecimento de água potável nas sedes comunais e na instalação de grupos geradores de electricidade.

Este ano vão ser reabilitadas as estradas para as comunas de Calambata e Caluca esta última em avançado estado de degradação
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Congo

A administradora municipal de Mbanza Congo, Isabel Nlandu Morena, disse ao Jornal de Angola que a prioridade é a construção de mais salas de aulas, de modo a reduzir o número de crianças fora do sistema normal de ensino.
A Saúde vai continuar a merecer atenção especial, com a reabilitação e construção de mais postos e centros médicos.
A falta de infra-estruturas sociais nas comunas de Madimba e Calambata foram referidas por Isabel Nlandu Morena como uma situação que vai merecer o cuidado especial da Administração Municipal no exercício económico deste ano.
Falando durante o primeiro Conselho Municipal de Auscultação e Concertação Social, a administradora municipal disse que das acções a desenvolver constam a construção de fontanários, no âmbito do Programa “Água para Todos”, de subordinação central, e a reabilitação das estradas secundárias de acesso às cinco comunas da região.
“O sector social é prioritário durante este ano. É nossa intenção desenvolver, também, projectos no domínio da agricultura para garantir o sustento das nossas populações”, sublinhou a administradora, que informou ter havido melhorias na circulação rodoviária em alguns troços entre Mbanza Congo e as sedes comunais de Nquiende e Luvu.
Este ano, prosseguiu a administradora municipal, vão ser reabilitadas as estradas para as comunas de Calambata, Madimba e Caluca, esta última a mais degradada, o que tem dificultado o escoamento dos produtos do campo para os centros de consumo.
Isabel Nlandu Morena disse estar ciente dos desafios que tem de enfrentar para a materialização dos projectos, pedindo o apoio dos seus colaboradores e da população em geral. “Vamos trabalhar e espero correspondência da vossa parte, para que possamos dar continuidade aos projectos traçados, para o desenvolvimento do município.”
O administrador de Madimba, Miguel Henrique, manifestou-se confiante na execução das acções projectadas para a sua comuna, para melhorar a vida das populações locais e atrair investidores.
Maria Luzolo, administradora da comuna de Calambata, destacou que as dificuldades no fornecimento de energia eléctrica e água potável foram ultrapassadas no ano passado, com a instalação de um novo grupo gerador e a construção de chafarizes.

Apoio à mulher rural


A administradora municipal de Mbanza Congo referiu que, no âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, uma maior atenção vai ser prestada à mulher rural, numa alusão às orientações do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo.
O apoio vai consistir na criação de lavras familiares e na instalação de moageiras nas sedes comunais.
“A população de Mbanza Congo ainda pratica agricultura de subsistência, feita manualmente”, reconheceu a administradora, que adiantou estarem as autoridades a trabalhar em programas de mecanização agrícola.
A Administração Municipal apoiou durante o ano passado 120 cooperativas agrícolas e associados afiliados com vários equipamentos agrícolas. Isabel Nlandu Morena afirmou que o Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza teve boa adesão da comunidade local.
No ano passado, foram construídos três mercados rurais nas comunas de Nquiende, Luvo e Calambata, localidades em que foram edificadas novas escolas, postos de saúde, residências para os enfermeiros e professores, entre outras infra-estruturas sociais.
Os participantes no Conselho de Auscultação e Concertação Social defenderam a permanência nas comunas dos tractores destinados à mecanização agrícola e a intensificação das campanhas de sensibilização das populações sobre saneamento básico.
Outras recomendações saídas do encontro vão no sentido de um maior entrosamento entre a Administração Municipal e o Instituto de Desenvolvimento Florestal nas acções que visam impedir o abate indiscriminado de árvores no município e a concessão de créditos aos agricultores.
“O aumento do número de salas de aulas nas comunas e aldeias vai permitir a expansão do Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar 2”, disse a administradora municipal de Mbanza Congo, que destacou o trabalho realizado em parceria com várias instituições e entidades, com destaque para as igrejas e autoridades tradicionais.
Isabel Nlandu Morena exortou a população a aderir às aulas de alfabetização. “Não basta ter meios e não saber ler e escrever para melhor entender a sua utilização”, realçou a administradora, que pediu também aos pais e encarregados de educação um maior acompanhamento dos seus educandos.

Município em expansão


Mbanza Congo, sede da Província do Zaire, tem uma população calculada em 68.000 habitantes, distribuídos pelas comunas de Madimba, Calambata, Nquiende, Caluca e Luvu.
O município, cuja população acompanha com grande expectativa a execução do projecto “Mbanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar”, no âmbito do processo de candidatura da cidade-sede a património mundial, tem vivido nos últimos dias grande movimentação por parte das autoridades provinciais e do Executivo Central. Um dos principais motivos dessa movimentação tem a ver com a reabilitação do aeroporto local, de modo que, dentro em breve, a cidade volte a receber aviões de grande porte, incluindo os da transportadora de bandeira, a TAAG. A Direcção Provincial dos Transportes, Correios e Telecomunicações informou recentemente em comunicado estar em construção uma nova torre de controlo, a reabilitação da aerogare e a vedação da pista do aeroporto, que deixou de receber voos de grande porte em 2006.
Com a reabilitação, a pista passou de 1.800 metros de comprimento para 2.730 metros, num investimento de cerca de mil milhões de kwanzas. Ainda no âmbito dos transportes, foi inaugurada há dias uma estação rodoviária para o embarque e desembarque de passageiros na localidade de Ncunga-a-Mpaza, em Mbanza Congo.  A estação, com bilheteiras, serviços administrativos, sala de espera, um parque de estacionamento para autocarros e uma área reservada a táxis, resulta do Programa de Investimentos Públicos do Governo Provincial do Zaire.
Mbanza Congo viu ainda lançada há alguns dias pelo secretário de Estado da Construção, Ilídio Martins, a segunda fase da construção e reabilitação das infra-estruturas integradas da cidade, que contempla os bairros Álvaro Buta, Martins Kidito e 11 de Novembro.

Doença grave

“Há necessidade urgente de se reabilitarem os centros médicos e construir mais postos médicos”, disse Américo Baptista, para quem as comunas “estão com uma doença grave”.
Falando ao Jornal de Angola, Américo Baptista, que participou no Conselho de Auscultação e Concertação Social, acrescentou que com os doze anos de paz efectiva não se justifica que cidadãos que vivem nas comunas e que padeçam de paludismo ou de outro tipo de doença tenham de se deslocar à sede do município para receber assistência médico-medicamentosa. “Espero que as conclusões saídas deste conselho de concertação social sejam executadas o mais breve possível”, referiu.

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