Reportagem

Nancova à espera de mais obras

Carlos Paulino | Nancova

A contínua degradação de estradas deixa cada vez mais isolada a população do município de Nancova, no Cuando Cubango.

Fotografia: Nicolau Vasco|Cuando Cubango|Edições Novembro

Por esse motivo, faltam serviços básicos e bens de primeira necessidade.A antiga Vila de Armada fica a 360 quilómetros do Menongue e situa-se naquela que é considerada a região menos desenvolvida da província. Com quilómetros quadrados, conta com as comunas sede e Rito.
A localidade foi em tempos um quartel dos fuzileiros navais portugueses. Os militares faziam rondas na zona através de barcos de pequeno e médio porte. Passou à categoria de município a 8 de Agosto de 1978, com a designação de  Nancova, nome de um riacho que por ali passa.
Devido às inúmeras dificuldades que enfrenta, o município de Nancova tem apenas cerca de 2.800 habitantes. A localidade faz fronteira a norte com os municípios de Menongue e Cuito Cuanavale, a leste com Mavinga, a oeste com Cuangar e a sul com Calai.
A circulação de carros faz-se por picadas. O terreno arenoso provoca constantes avarias. As viagens de e para o Menongue chegam a demorar 12 horas. O aluguer de um camião no Menongue custa à volta de 380 mil kwanzas, mas, devido aos obstáculos, é raro encontrar ­motoristas dispostos a encarar esse desafio, sobretudo, durante a época chuvosa.
 
Cuito Cuanavale

O novo administrador municipal, Carlito André, disse que, enquanto está por construir a estrada de 160 quilómetros para o Cuito Cuanavale, a população de Nancova continua a viver dias difíceis.
“Uma vez construída a estrada para o Cuito Cuanavale, o município pode registar o desenvolvimento que tanto se almeja, porque permite ao governo provincial trazer os principais serviços sociais básicos para a região.”
Desde o alcance da paz em 2002, foram construídos no município apenas sete escolas, um hospital municipal e três postos de saúde, 87 casas sociais do tipo T-3, instalações da administração municipal e um sistema de captação de água potável.
A construção do novo edifício da administração municipal,  de três escolas de seis salas de aula cada, de duas residências para professores e a abertura de sete furos está parada por falta de recursos financeiros.
Nomeado em Dezembro do ano passado, Carlito André disse que, sem estradas, pouco se pode fazer e pediu às autoridades competentes para olharem para a situação.
Numa primeira fase, as acções devem estar viradas para os projectos de saneamento básico, urbanização e pintura de residências e árvores, de modo a dar outra imagem à sede municipal que, sem infra-estruturas, ainda se confunde com uma aldeia.

Processo de desminagem

A permanência de campos de minas também preocupa Carlito André. A agricultura é o único meio de sobrevivência da população. Só este ano, houve quatro mortos e um ferido grave, em consequência da explosão de uma mina anti-pessoal e de um projéctil de 82 milímetros. />Carlito André disse que Namavimbi, a zona conhecida como chana dos cubanos, e a montanha do Tchissongo são as áreas mais suspeitas de minas. Ficam entre oito e dez quilómetros da sede municipal. A equipa de desminagem da MGM-alemã deixou Nancova em 2009 sem justificação aparente, ao passo que a Brigada de Engenharia Militar se encarregou de desminar todos os traçados do município, trabalho que ficou concluído em 2014, apesar de carecer ainda de alguma revisão.

Energia e Águas

Nancova está sem electricidade e água potável há mais de um ano e meio. O gerador de 100 kva, para atender a sede municipal e alguns bairros periféricos, está parado por falta de combustível.
O sistema de captação e distribuição de água, com capacidade para bombear 30.000 metros cúbicos por dia, inaugurado em 2015, está avariado há mais de um ano.
A situação obriga as pessoas a acarretarem água do rio Cuito, onde são, muitas vezes, atacadas por jacarés. O consumo da água não tratada provoca o aumento de doenças diarreicas agudas. Estão em conclusão sete furos de água na região, três dos quais na sede municipal.

Educação e Saúde

Nas sete escolas do município, estão este ano matriculados 1.447 alunos da iniciação à 9ª classe, com 12 professores. Mais de 400 crianças estão fora do sistema de ensino por falta de professores e de salas. Está em conclusão a construção de três escolas que devem receber 18 professores, no quadro do concurso público realizado em Dezembro. A administração vai este ano reforçar o controlo dos professores, muitos dos quais saem do município e chegam a estar um mês inteiro sem leccionar.
O administrador reclama por um médico de clínica geral. O número de enfermeiros também é pequeno. As enfermidades mais comuns são a malária, febre tifóide, doenças respiratórias e diarreicas agudas. Nancova tem quatro unidades sanitárias, com 17 enfermeiros.

Cooperativa de pescadores

A falta de quadros e equipamentos impede a organização dos camponeses e pescadores. Falta à administração municipal um controlo de quantas associações ou cooperativas de camponeses existem na circunscrição.
Em Janeiro, a Direcção Provincial da Agricultura enviou para Nancova cinco toneladas de milho, massambala e massango, para serem distribuídas aos camponeses nos próximos dias. “Com as poucas sementes que recebemos e a chuva frequente no município, esperamos uma boa colheita”, disse.
A administração municipal pretende criar uma cooperativa de pescadores artesanais para aproveitar o potencial dos rios Cuito e Longa. “Pretendemos tornar Nancova numa das principais zonas pesqueiras do Cuando Cubango.”

 

Tempo

Multimédia