Reportagem

“Não há angolanos entre as vítimas do coronavírus na Itália”

Alexa Sonhi, André Sibi , Anacleta Oliveira, Mazarino da Cunha

A embaixadora de Angola na Itália, Fátima Jardim, garantiu, quarta-feira, em Roma, não haver angolanos entre as vítimas do novo coronavírus, que desde o início da crise já infectou um total de 12462 pessoas naquele país da Europa.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

A diplomata, que falava em exclusivo ao Telejornal da Televisão Pública de Angola (TPA), assegurou que os mais de três mil angolanos residentes na Itália encontram-se saudáveis, tranquilos e cumprem com as instruções das autoridades italianas.

Apesar das dificuldades de mobilidade, devido as fortes restrições impostas pelo Governo italiano, Fátima Jardim disse que tem havido contactos regulares entre a Embaixada e comunidade angolana na Itália, onde o número de mortes associadas ao novo coronavírus subiu esta quarta-feira para as 827, um aumento de 196 face a terça-feira.
“A Embaixada criou uma rede de comunicação em que, dentro da comunidade angolana, cada um controla o outro e, de forma regular, informa a representação diplomática sobre o estado de saúde do seu compatriota”, explicou.
Fátima Jardim revelou que a Embaixada de Angola na Itália criou um plano de contingência, com um orçamento excepcional, que visa prestar ajuda caso algum angolano seja infectado pelo coronavírus.
A diplomata referiu que o abastecimento de bens essenciais está a ser feito com recomendações específicas, na medida em que a Itália decretou quarentena geral até o dia três de Abril, para analisar o evoluir da situação.
“Nos supermercados as pessoas ficam perfiladas no mínimo com dois metros de distância. Mas, com medo de serem infectadas, quase ninguém sai às ruas”, descreveu a situação.
O processo de quarentena geral no país inclui a suspensão de todas actividades, com destaque para a Série A do Campeonato Nacional de Futebol. As previsões apontam que a Itália vai perder cinco mil milhões de Euros com receita do turismo por causa do coronavírus.
A Europa constitui agora a maior preocupação da Organização Mundial da Saúde, na medida em que a Itália passou a ser o segundo país do Mundo, depois da China, com mais casos.

Centros de quarentena
Dezasseis cidadãos, dos 120 em quarentena no centro da Barra do Kwanza, receberam alta e os restantes foram transferidos para o centro de Calumbo, município de Viana, informou o secretário de Estado para Saúde Pública, Franco Mufinda.
O centro de quarentena da Barra do Kwanza, explicou, vai deixar de receber pessoas para ser transformado num centro de tratamento de coronavírus, caso de testes positivos no país.

Novo coronavírus é tema de debate

O Colégio de Especialidade das Doenças Infecciosas da Ordem dos Médicos de Angola discute, em Luanda, as medidas a ter em conta no manuseamento e cuidados de saúde com os doentes internados devido ao novo coronavírus, o Covid 19.
Convidado para explicar os contornos da doença, Ruben Pedro Caiavala, médico especializado em infectologia, disse terça-feira que a primeira medida passa por evitar os grandes conglomerados populacionais, bem como o contacto com pessoas contaminadas.
Segundo Ruben Caiavala, os fluidos, como ranho e sangue, constituem as principais formas de contaminação.
O médico aconselha a população a lavar constantemente as mãos com água e sabão e ao Estado angolano a investir em primeiro lugar em triagem e na prevenção contra o vírus, seguindo-se a quarentena.
Waisa Miguel, especializada em medicina geral, disse que o encontro foi proveitoso, pois aprendeu muito sobre a doença, bem como as medidas de combate.
A médica considerou necessários encontros desta natureza, para sensibilizar a população sobre os perigos da doença.
José António, estudante finalista do curso superior de medicina, valorizou o encontro, pois lhe permitiu saber as formas de contaminação, bem como os fármacos a serem usados, caso haja casos confirmados em Angola.
O encontro contou com mais de 100 participantes, entre médicos, estudantes de medicina, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) e bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar.

Idosos e doentes crónicos com maior risco de contágio

Pessoas adultas com mais de 65 anos e doentes com diabetes, VIH-Sida e hipertensão arterial constituem a população de risco de contágio do COVID-19, afirmou, ontem, em Luanda, o especialista em Saúde Pública, Doenças Tropicais e Controlo da Malária, Filomeno Fortes.
O especialista, que falava durante uma conferência sobre Coronavírus, realizada pela Universidade Privada de Angola, explicou que as pessoas adultas e doentes crónicos correm maior risco de contágio devido ao deficiente sistema imunológico do seu organismo.
Além destes, Filomeno Fortes apontou que os fumadores também apresentam maior probabilidade de contaminação, na medida em que o COVID-19 ataca os pulmões e as demais vias respiratórias.
Em relação a expansão rápida do COVID-19, a nível do continente africano, o especialista em Saúde Pública, Doenças Tropicais e Controlo da Malária explicou que as condições climáticas não favorecem a propagação do vírus. Todavia, alertou, o vírus pode adaptar-se as altas temperaturas da região.
No que diz respeito as medidas de controlo da pandemia, Filomeno Fortes disse que, independentemente da disponibilidade de recursos tecnológicos, laboratoriais, financeiros, entre outros, é necessário informar, comunicar e educar a população, no sentido de se “evitar boatos” sobre as características de infecção do COVID-19.
O COVID-19, frisou, apesar da sua virulência, não é considerado o mais letal da história. Para exemplificar, Filomeno Fortes apresentou um gráfico onde a Tuberculose, a Hepatite B e a Malária apresentam maior índice de mortalidade no mundo do que a pandemia do COVID-19.
Filomeno Fortes apelou a população a não se deixar levar pela mediatização do assunto em causa e muito menos aceitar vacinas ou realizar testes rápidos do COVID-19 apresentados por instituições privadas.
Estas e outras tarefas, frisou o especialista em Saúde Pública, Doenças Tropicais e Controlo da Malária, são feitas única e exclusivamente pelo Ministério da Saúde.

 

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