Reportagem

Níveis epidemiológicos são altos

Kayila Silvina | Mbanza Kongo

A hipertensão arterial, associada a diabetes e doenças cardiovasculares,  e doenças causadas por acidentes de viação e actos de violência criminal comandam a lista de casos mais frequentes na região.

Pacientes aguardam por assistência no hospital provincial
Fotografia: Garcia Mayatoko | Edições Novembro | Zaire

Este quadro aumenta, significativamente, a pressão às unidades hospitalares da região que se ressentem da dura realidade em termos de disponibilidade de fármacos. A falta de medicamentos, materiais gastáveis e básicos nos hospitais públicos, um pouco por todos hospitais do país e em particular na província do Zaire, cria transtornos de monta à sociedade.
Por exemplo, o hospital provincial do Zaire. em Mbanza Kongo, à semelhança do hospital do Soyo,  regista escassez de seringas, sistemas para soro e transfusão sanguínea, compressas de gazes, ligaduras e medicamentos. Cenário idêntico repete-se  na maternidade da unidade hospitalar, onde as parturientes, antes do parto, são obrigadas a adquirir pares de luvas, ampolas de Vitamina K3 ou Ergometrina em casos de hemorragias, seringas, lâminas, fio de sutura e anestesia.
Outras doenças são preveníveis através de campanhas de vacinação, nomeadamente o sarampo, febre-amarela e poliomielite. As queixas apresentadas pelos doentes e familiares foram unânimes.
Santos Makuela, 50 anos, foi um paciente ouvido pela reportagem do Jornal de Angola.   Mostrou-se agastado com a situação da falta de medicamentos nos hospitais da capital  do Zaire, cujos técnicos da saúde, segundo ele, não têm outros métodos, senão fornecer receitas médicas para os doentes se desdobrarem na aquisição de medicamentos nas farmácias privadas. "A maior parte das vezes muita das vezes os familiares  não têm meios financeiros para o efeito.”
Todos aplaudiram o nível de atendimento prestado nos hospitais públicos. “O atendimento é bom, mas a falta de medicamentos nos hospitais está a criar sérias dificuldades aos técnicos da saúde e dos doentes que necessitam desses serviços,”  disse Santos Makuela.
  Suzana Lourdes, que se encontra  no hospital municipal de Mbanza Kongo, para acompanhar o seu filho que padece de malária, solicitou às autoridades de direito que actuem com vista a uma solução  urgente para a penúria de medicamentos.
Visivelmente abalada com a situação, Suzana Lourdes recordou os tempos das “vacas gordas” em que as unidades hospitalares tinham medicamentos e material gastável à altura das exigências do mercado. “A população não sofria tanto e não recorria às farmácias privadas à procura de medicamentos como acontece hoje”, disse.
Para Suzana Lourdes, o Estado angolano deve trabalhar arduamente no sentido de colocar medicamentos nos hospitais para garantir a assistência médica e medicamentosa  para evitar que os pacientes se sintam obrigados a recorrer  às farmácias com receitas médicas.
Para melhor compreender o processo da aquisição dos medicamentos, o Jornal de Angola, contactou o director-geral do Hospital Provincial do Zaire, de quem obteve esclarecimentos que confirmam a escassez de medicamentos na província.
Domingos da Silva revelou que a cidade de Mbanza Kongo vive uma carência de medicamentos nas instituições sanitárias. Para inverter o quadro, os técnicos da saúde receitam e os familiares adquirem os medicamentos nas farmácias.
"O hospital às vezes recebe medicamentos antipalúdicos  as vezes as quantidades  são insuficientes para atender a procura."

 Sector com mais dificuldades
A falta de medicamentos nos hospitais da cidade de Mbanza Kongo constitui preocupação que inquieta não apenas os pacientes e as autoridades mas também o corpo clínico da região.  Domingos da Silva reconhece que a saúde é dos sectores com mais dificuldades provocada pela crise financeira.
Apesar da ruptura de stocks de medicamentos e materiais gastáveis, as autoridades locais fazem o que é possível para garantir um serviço razoável aos pacientes que acorrem aos hospitais, disse Domingos da Silva, que acrescentou: “A nossa população deve ter consciência   de que as unidades sanitárias da região não têm medicamentos nem recursos financeiros para a compra de fármacos. Quando o médico ou enfermeiro entregam a receita médica aos familiares, estes devem comprar os remédios para garantir a assistência  dos seus pacientes”, afirmou o director-geral do hospital de Mbanza Kongo.
Domingos Silva falou da aposta do sector estar virada na formação técnica e profissional dos  quadros, para esta fase da crise, para garantir uma assistência  de qualidade aos doentes.
“Por vezes, acontece uma ruptura de stocks de medicamentos quando há muitos casos de pacientes vítimas de acidentes de viação, o que tem provocado incómodos nos atendimentos,” explicou Domingos da Silva para quem a actividade de medicina requer muita ponderação e colaboração entre o hospital e os familiares dos doentes internados.
O director-geral do hospital provincial do Zaire aconselhou as pessoas a prevenirem  a propagação e contaminação das doenças   mantendo  hábitos de higiene  e banirem as práticas de automedicação. "As mulheres grávidas devem frequentar as consultas pré-natais para evitarem complicações durante o período de gestação e garantir saúde ao bébé e da própria mãe.”

Medicamentos são suficientes


O boletim epidemiológico do Hospital Provincial do Zaire refere que durante o primeiro semestre deste ano 54 pessoas morreram por malária na província do Zaire. 
O documento indica que durante o período em análise a Direcção Provincial da Saúde no Zaire diagnosticou  um total de 7.861 casos da febre tifóide, que resultaram na morte de nove pessoas.
Do mapa constam 820 casos de doenças cardiovasculares. Quanto à tuberculose, o Hospital Sanatório do Zaire registou 211 casos, com 17 óbitos.
A cidade de Mbanza Kongo diagnosticou, de Janeiro a Junho, 75 casos positivos de HIV/Sida e houve 13 mortes.
Convidado a pronunciar-se sobre a tuberculose e o HIV/Sida), Domingos da Silva assegurou haver medicamentos e reagentes suficientes para o atendimento de casos  a partir dos Programas Nacional de Luta contra estas doenças. Sobre a tuberculose, disse estar a enfrentar dificuldades em termos de assistência aos doentes, por falta de medicamentos necessários ao tratamento da doenças.

Medidas preventivas
Domingos da Silva garantiu que é comum os médicos recomendarem aos doentes e aos familiares para comprarem os fármacos para evitarem mortes. “As instituições têm penúrias em termos de medicamentos e recursos financeiros”, disse Domingos da Silva.
O sector da Saúde no Zaire privilegia  a prevenção das doenças com a realização de actividades educativas, campanhas de vacinação e o acompanhamento das mulheres grávidas e crianças menores dos cincos anos.

Tempo

Multimédia