Reportagem

Novos centros de distribuição para 475 mil beneficiários

Fula Martins

Três centros de distribuição de água estão a ser construídos no município de Viana, em Luanda, para beneficiar mais de 475 mil habitantes, nos bairros da Sapú, Viana II, e no Distrito Urbano de Vila Flor. Na localidade, decorrem, também, obras de construção de uma estação de tratamento com capacidade para 256 milímetros cúbicos de água, um centro de distribuição no Pólo Industrial de Viana (PIV) para 2000 milímetros cúbicos, além das ligações domiciliárias em curso nos bairros 4 de Abril, Zango 3 e Caop C.

Fotografia: DR

No bairro Bita Sapú, o novo centro de distribuição vai beneficiar mais de 150 mil habitantes. O sistema de água do Distrito Urbano de Vila Flor tem capacidade para fornecer o produto a mais de 175 mil habitantes, e o de Viana-II a 150 mil moradores. Em fase conclusiva, está a obra do centro de distribuição de água do KM-9-A, localizado no bairro do Capalanga, com capacidade para cinco milímetros cúbicos e 10 fontenários.

No âmbito do combate ao COVID -19, a Administração Municipal de Viana, em parceria com a Empresa Provincial de Águas de Luanda (EPAL) está a recupe-rar os sistemas de água instalados nas zonas ribeirinhas do Rio Kwanza, para tratamento e distribuição do precioso líquido aos moradores dos bairros Kakila, Mbanza Calumbo, e Ananguengue e Kinzenza, na co-muna do Calumbo.

O director municipal de Energia e Águas em Viana, José Manuel António, disse ao Jornal de Angola que, a conclusão e entrada em funcionamento dos centros de distribuição de água no Projecto Morar II, junto ao Ginga Isabel, no Distrito Urbano do Kikuxi, e da Somague, nas imediações do Estádio Nacional 11 de Novembro, vai melhorar a distribuição nessas áreas e reforçar o fornecimento destinado às populações do KM-9 e 12-A.

“Nesse momento, as obras paralisaram por falta de verbas. Tão logo a situação esteja re-solvida, o Executivo vai fazer tudo para concluí-las e oferecer mais água aos munícipes”, explicou José António, para acrescentar que as referidas construções são da responsabilidade do Ministério da Energia e Águas.
Devido à escassez de reservatórios de maior capacidade, de centros de distribuição e as deficiências na produção e distribuição, por parte da Empresa Provincial de Águas de Luanda, o município de Viana tem uma cobertura abaixo de 25 por cento.

Apegando-se aos dados da EPAL, o director de Energia e Águas de Viana sublinhou que, para melhorar a distribuição, a cidade capital necessitaria de uma produção diária na ordem de um milhão de metros cúbicos de água. Luanda beneficia apenas de 500 metros cúbicos de água por dia. De acordo com o responsável, a não conclusão dos trabalhos de ligações domiciliárias, o deficiente controlo e cobrança de água, falta de manutenção da rede de distribuição, bem como o garimpo e as acções de vandalização das condutas, e dos fontanários, concorrem para o fraco abastecimento do produto às populações locais.

Assegurou que Viana dispõe apenas de oito centros de distribuição, sendo que dois estão localizados no Distrito Urbano da Estalagem, nos bairros Mulenvos de Cima e Km-9-A, dois no Distrito Urbano de Viana Sede, nas imediações da estação do Caminho-de- Ferro de Luanda (CFL) e no bairro do Luanda Sul.

No Distrito Urbano do Zango há um centro de distribuição, com seis pequenas estações, com capacidade para 76 mil litros dia, que abastece os Zangos I, II, III e IV. A comuna de Calumbo conta com um pequeno centro com capacidade para abastecer 60 mil litros de água dia. João António disse que o Zango beneficiou da construção de um centro, cujas obras estão concluídas para atender os moradores da Centralidade do Zango 8000 e do bairro Venceremos. Avançou que, apesar das restrições verificadas, os bairros Vila Sede, Condomínio Vida Pacífica, Pólo Industrial de Viana, Zango I, II, III, IV, 500 casas, Luanda Sul, Kikuxi, Camadeira, Caop - C, Mulenvos de Cima e parte dos KM-9 e 12-B também contam com uma rede de distribuição.

Em Viana, o Jornal de An-gola apurou que nos bairros Musseque Baia, Canjinji, Boa-Fé, Zangos 0 e 1, Irmãos Coragem, Mulenvos, Baixa de Cassange, Vila Nova, Caop A e B, KM-9, 12-A, 12-B, 12-C, 12-D, 14-A, 14-B, Belo Horizonte, Bita Sapú, Bita Vacaria, Sagrada Esperança, e uma parte do Calumbo Sede, nos bairros Mbanza Calumbo, Cassaca e Kakila, não jorra água nas torneiras.

Ligações ilegais são desactivadas

Os bairros Camadeira, Fofoca, Km-12-A, Caop A, Vila Nova, Luanda Sul e Vila Sede são considerados áreas de maior foco de garimpo, no município de Viana. Só no ano passado, foram desactivadas 50 ligações clandestinas, apreendidas 15 viaturas cisternas e aplicadas várias multas.
“Apreendemos 15 camiões cisternas, dos quais seis pagaram as multas no valor de 100 a 150 mil kwanzas”, disse o director municipal. José António assegura que pelo menos 130 infractores estão cadastrados na base de dados da instituição que dirige. Explica que a nível da administração local do Estado, foi criada uma comissão de combate ao garimpo de água no município, cuja acção incide no patrulhamento às zonas com maior registo de casos.
“Quando apanhamos um in-fractor, apreendemos os meios e enviamos à Polícia, para de seguida aplicarmos a respectiva multa e suspendermos o fornecimento do líquido precioso”, disse, acrescentando que o ga-rimpo é consequência da insuficiência de água distribuída aos bairros.
“A quantidade distribuída não satisfaz os moradores, porque existem pessoas com a ambição desmedida do lucro fácil, que construíram tanques, instalaram electro-bombas e comercializam o produto a preços altos, com o auxílio de camionistas”, acusa.
José António conta que as pessoas detidas chegam a ser ouvidas em Tribunal, mas depois são libertadas sem qualquer tipo de punição.
Segundo o director da Energia e Águas de Viana, isso incentiva as pessoas a continuarem a cometer actos dessa natureza.
“É um trabalho da Polícia e dos tribunais”, apontou.

 

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