Reportagem

Novos minerais esperam exploração

Arão Martins |

Um trabalho de prospecção realizado pelas autoridades da área determina a existência de diamantes, ouro e prata, no município do Cuvango (315 quilómetros a leste da cidade do Lubango), província da Huíla.

Trabalho de prospecção determina a existência de diamantes com qualidade
Fotografia: Edições Novembro

Os trabalhos determinam a existência de diamantes com qualidade na localidade do Cuando, como disse o administrador municipal do Cuvango, Miguel Luís e que vai entrar dentro do programa de diversificação económica.
O diamante do Cuvango está localizado na localidade de Tchitunto (30 quilómetros a Norte da sede municipal) e existe um histórico na região, que indica ter havido já trabalhos em exploração, em 1975 deste minério.
Além dos diamantes, prata e ouro, Cuvango, também, tem potencial na exploração da madeira e tem terras aráveis para a produção de cereais de milho, massango, massambala, gergelim, e outros.
 “Aguardamos que os trabalhos de exploração sejam efectivados. No solo do Cuvango pode-se encontrar vários minerais. Existe ainda potencial na criação de gado”, disse com uma certa satisfação.
 Acrescentou: “O Cuvango, ao produzir milho e noutra zona batata, é ponto assente do êxito da diversificação económica. Não vamos somente nos concentrar no Petróleo, mas também noutras áreas”.

Potencial do município
O município do Cuvango tem sido o destino de muitos empresários interessados em implantar projectos agrícolas.
Miguel Luís reconheceu que os projectos em curso no município vão proporcionar um contributo valioso na balança económica da região, província da Huíla e do país.
No município existem vários projectos que representam uma mais-valia, com uma posição e balança económica positiva, porque têm por objectivo sustentar várias famílias.
A agricultura é a base e a indústria é o factor decisivo. Miguel Luís garante que, o pressuposto tem na região resposta positiva.

Mais projectos instalados

No Cuvango, além do projecto Agrikuvango existem outros instalados na Mumba, Galangue, que estão a proporcionar melhor qualidade de vida à população.
Actualmente funcionam oito fazendas. Há projectos no Galangue, como a Fazenda Mumba, Liapeca e da Mesma, que estão a diversificar a produção de alimentos.
Existem outros projectos que vão entrar em funcionamento nos próximos tempos. Com os mesmos, como referiu o administrador, foram criados vários postos de trabalho directos.
“Estamos na era da diversificação da economia e o município do Cuvango está a entrar nesta rota. Além dos projectos agrícolas e de exploração da madeira, estamos a prever outros de aproveitamento do minério de modo a proporcionar melhores condições de vida às populações”, frisou.

Produção do milho
Cerca de 150 mil hectares de terras são cultivados na campanha agrícola 2017/2018, no município do Cuvango. As autoridades estão empenhadas no aumento da produção de bens alimentares na região.
 Em 1975, como disse o administrador, já havia o comboio que transportava de forma permanente, durante um mês, o milho que era produzido no Cuvango. “O comboio fazia três meses para levar milho no Namibe, no projecto de Venâncio Guimarães. As autoridades estão empenhadas a resgatar a mística”, disse.

Disponibilidade de apoio
O Governo Provincial da Huíla continua a prestar atenção aos projectos agrários que careçam de apoios à produção, quer para grandes, médios e pequenos produtores, segundo o representante da Direcção Provincial da Agricultura na Huíla, Celestino Liana.
Para os níveis maiores, existem na Huíla projectos de iniciativas dos investidores privados.  O Governo Provincial tem prestado todo o apoio na  importação dos equipamentos.
“O Governo, por intermédio do Ministério da Agricultura, tem estado a facilitar a compra dos insumos que são utilizados no campo, além da legalização das terras”, disse.

Aposta do empresariado
A produção em grande escala e na dimensão do projecto Agrikuvango ainda é um desafio e tem estado a merecer dos grandes debates, bem como privilegiar os apoios aqueles empresários que primam pela elevação do nível de produção. “Tem-se prestado apoio no sentido de terem acesso aos financiamentos bancários, como acontece com o Banco de Desenvolvimento Angola (BDA) e outros bancos”, citou.
 
Inventariação de áreas aráveis
 A Direcção Provincial da Agricultura na Huíla continua a desenvolver o projecto de inventariação de áreas potencialmente produtivas.
Celestino Liana disse que a nível da Huíla, e por orientação dos órgãos competentes, existe o trabalho de catalogação das áreas aráveis existentes nos 14 municípios que compõem a província da Huíla. É um valor acrescentado na produção agrária.
“A inventariação já começou e no município do Cuvango  identificou-se uma área arável superior a 50 mil hectares”, garantiu.

Facilitar a produção

Um conjunto de medidas que visam facilitar a produção de alimentos em grande escala está gizado pelo Executivo, no intuito de dinamizar o processo de diversificar a economia e combater a fome e a pobreza.
É importante que cada projecto tenha a sua sustentabilidade. “Como se sabe, a questão dos combustíveis, os preços são altos, mas isso, não retira a motivação e disposição de se trabalhar”, reconheceu.
Há uma necessidade de continuar a dialogar com o sector para identificar as áreas que realmente ainda merecem mais atenção.
Existe um programa do Governo para criação dos grandes ramais de energia eléctrica ligados à rede nacional, para os pontos de produção.

Escassez de combustível
Os gastos avultados de combustível utilizado no processo de implantação do projecto agro-industrial, denominado “Agrikuvango”, na localidade da Mema, município do Cuvango, exige recurso a financiamento bancário, com vista a cumprir com o prazo do lançamento da primeira semente de milho, aprazado para o mês de Fevereiro de 2018. Com a criação do projecto em curso, desde 2014, Rui Kapose, disse que, na implantação do projecto, estão em funcionamento vários equipamentos, que consomem diariamente, cerca de 12 mil litros de gasóleo.
O projecto Agrikuvango tem por objectivo, a produção, processamento e comercialização de bens alimentares de consumo primário, como arroz, trigo, milho, ginguba e derivados de produção sustentável, como fuba de milho, rações e biocombustível, que são utilizados de forma integrada e sustentável.

Tempo

Multimédia