Reportagem

Novos projectos a favor da população em curso na Huíla e Cunene

Arão Martins

A qualidade de vida de boa parte das famílias que vivem nas áreas abrangidas pelos projectos da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA), na província da Huíla e Cunene, está a melhorar significativamente.

A produção agrícola aumentou com a entrega de materiais para o cultivo do campo aos camponeses
Fotografia: Edições Novembro

Mais de quatro mil famílias das províncias da Huíla e Cunene viram, nos últimos tempos, melhorada a sua qualidade de vida, com a implementação, de forma efectiva, de acções viradas ao processo de desenvolvimento económico e produtivo das comunidades, efectivados pela Direcção da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), antena Huíla e Cunene.
O Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), antena Huíla e Cunene, disse Simione Justino Tchikulo, director que a organização está a desenvolver sete novos projectos, que têm como pendor a criação de melhores condições de vida das comunidades e contribuir de forma positiva, no programa de combate à fome e à pobreza.
Os setes projectos em curso, disse Justino Tchikulo, estão a ser implementados nos municípios de Cacula, Caluquembe, Humpata e Gambos, na província da Huíla e nos municípios da Cahama e Ombandja, na província do Cunene.
O responsável descreveu o projecto “Direito a Terra para Mulheres”, que começou em Janeiro de 2017, com término previsto para Dezembro de 2018. A acção, acrescentou, está a ser implementado nos municípios da Humpata e Gambos e os seus sectores de trabalho são a componente género e reforço de capacidade produtiva das comunidades, que tem como doador a EMAUS, da Suécia e a Solidariedade Prática, do mesmo país. Beneficiam do projecto, 600 famílias, num total de três mil pessoas.
Simione Justino Tchiculo disse que o projecto Okulisanga tem como sectores de trabalho, a segurança alimentar, cidadania, participação cívica, lóbi e a advocacia.   O projecto “Okulisanga” iniciou em Dezembro de 2017 e termina em Novembro de 2019 e está a ser implementado nos municípios de Ombandja e Cahama, província do Cunene, e tem ainda extensão a província de Benguela, com um orçamento de cerca de 22.880 dólares, num financiamento da União Europeia.
A ADRA, antena Huíla e Cunene, referiu, são beneficiários 1500 camponeses, incluindo 30 técnicos da Estações de Desenvolvimento Agrário (EDA), quadros dos serviços de veterinária e cerca de 50 quadros das Administrações Municipais, por serem os parceiros institucionais ao nível destes municípios.
“Ekoliso” é outro projecto em curso pela ADRA, que tem como foco de intervenção, apoio aos autores não estatais e autoridades locais em desenvolvimento.
Fazem parte deste projecto, a componente ligada ao reforço de capacidades organizativas e produtivas das associações e cooperativas de camponeses. Simione Justino afirmou que o projecto Ekoliso, implementado no município de Caluquembe, começou em Março de 2015 e tem como previsão de terminar a 28 de Fevereiro de 2019.
“É um projecto financiado pela União Europeia, para esse período de quatro anos e tem também uma extensão a província do Huambo, concretamente no município da Caála, Huambo. O projecto é coordenado e gerido a partir da antena Huíla, mas tem esta extensão. A ADRA tem intervenção na província do Huambo, através da antena Huambo. Para as duas províncias, Huíla e Huambo, tem para quatro anos, um orçamento de 900 mil euros", disse Simione Justino.
Em curso está ainda o projecto de reforço de capacidade organizativa e produtiva das mulheres no município de Ombadja, no Cunene, que é financiado pelo PNUD e tem como sector de intervenção, a Segurança Alimentar e Nutricional, bem como Reforço de Capacidade Organizativa dessas mulheres agregadas em associações de cooperativas de camponeses. Orçado em 60 mil dólares, o projecto tem a previsão de terminar ainda este  mês de Outubro e tem como beneficiários directos 375 famílias.   Em fase de implementação está ainda o projecto “Kumosi II”, que vem na sequência do mesmo projecto na sua fase I, que foi implementado no município da Cacula, que terminou em 2015.
Em Julho de 2016 arrancou o Kumosi II, cuja fase de extensão vai até Junho de 2019, com um orçamento para esses anos todos, com orçamento avaliado em cerca de 700 mil dólares. “Mas para este período em curso, existe o orçamento de 170 mil”, disse Simione Justino Tchikulo, que informou que o projecto tem como financiador “Pão para o Mundo”, uma organização Protestante da Alemanha e está a ser implementado no município da Cacula e são beneficiários 485 camponeses.
A ADRA tem ainda em curso o Projecto de Resiliência às Mudanças Climáticas, que está a ser implementado no município dos Gambos, província da Huíla, que iniciou em Janeiro de 2015, com previsão de terminar, no dia 31 do mês de Outubro, do ano em curso. O mesmo projecto é financiado pelo Conselho Norueguês das Igrejas.
O responsável da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), antena Huíla e Cunene, afirmou Simione Tchikulo, que o projecto tem uma previsão de apoiar 600 famílias e está orçado em 300 mil dólares americanos. “É um projecto que não teve um orçamento bem estabelecido desde o princípio, porque de 6 a 6 meses, nós negociamos, mas segundo as estimativas feitas, orçou cerca de 300 mil dólares”, disse, acrescentando que esse é o conjunto de projectos que estão a ser implementado nas províncias de abrangência, a favor do bem-estar da população.

Parceiro fiável do Governo
A Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) é um parceiro fiável do Governo nas acções que visam o bem-estar das populações.
Simione Justino Tchiculo assegurou que a ADRA é um parceiro fiável nas acções que visam dar solução aos problemas sociais da população e de combate à fome e à pobreza, no país.
“O Governo reconhece e enfatiza nos seus relatórios o papel da ADRA na solução dos problemas candentes da população”, disse, referindo que, “não temos tido limitações ou apoios institucionais do Governo, seja ao nível nacional e local, onde as administrações municipais aparecerem como privilégio nas acções que são implementadas nos municípios”, disse Simione Justino Tchiculo que acrescentou que os administradores municipais é que abrem as portas. “É por intermédio das administrações municipais que nos aproximamos nas repartições municipais e comunais da agricultura, repartições da EDA e serviços de veterinária.”
 
Papel das cooperativas

O papel das cooperativas como actores importantes no processo de desenvolvimento económico e produtivo nas localidades é enaltecido pelo responsável da ADRA, antena Huíla e Cunene, Simione Justino Tchiculo.
O director da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), antena Huíla e Namibe, afirmou que nas acções, se tem privilegiado também o cooperativismo, crédito e género, que são tidas como actores importantes no processo de desenvolvimento económico local, o que tem influenciado positivamente nas práticas comunitárias de gestão dos créditos, nas cooperativas que têm favorecido o acesso ao crédito às famílias camponesas, quer para homens e mulheres.
Os resultados das cooperativas têm contribuído na melhoria de condição de vida das populações, e por conseguinte, a ADRA tem trabalhado com os membros das comunidades com vista a promover o surgimento de organizações comunitárias, como associações cooperativas agropecuárias.

Combate à pobreza

O acesso dos cidadãos aos recursos voltados para o combate à pobreza, veiculados pelos programas públicos e das Organizações Não Governamentais é o forte da ADRA. Os projectos da ADRA, explicou Simione Justino, são a sequência de outros. Para um projecto ter continuidade é preciso uma avaliação profunda. Para os projectos que são implementados na Huíla e Cunene é feita a avaliação dos resultados e de impacto.
Os doadores para as acções da ADRA têm contratado avaliadores externos que fazem a avaliação do impacto, na base das mudanças sociais e de outra índole que, o projecto cria no seio das comunidades.
“As avaliações é que nos permitem muitas vezes aferir o nível de mudança no seio das comunidades”, destacou, para acrescentar que “é lógico que muitas vezes não é muito notório porque tem haver também como o nível de abrangência desses projectos. Estamos a falar de uma província que tem 14 municípios, como é a Huíla, cuja acção só está ainda em quatro municípios”, disse Simione Justino.

Produção agrícola
A capacidade produtiva das famílias camponesas das províncias da Huíla e Cunene regista aumento considerável com as acções que resultam na intervenção da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA).
 Simione Justino Tchiculo disse que a produção agrícola nota  mudanças, significativas, na medida em que há comunidades que no início do projecto reclamavam enxadas, charruas, machados e em alguns casos até pediam comida, mas com a acção dos projectos isso acabou.
Numa outra avaliação, essas comunidades já pedem  mercado para escoar a produção, para depois solicitarem trabalhos de reabilitação das estradas para escoar a produção.
Depois das várias etapas, os beneficiários  já começam a contactar responsáveis de empresas que actuam em supermercados para uma aproximação  na comercialização dos seus produtos.

Comunidades rurais mais inclusivas
ajudam no combate ao analfabetismo

Os programas inclusivos da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA), virados para o combate ao analfabetismo, implementados em conjunto com o Governo junto das comunidades, permitiram expandir o ganho de aprender a ler e escrever a várias pessoas.
 “Havia membros da comunidades  que quando começámos a trabalhar com eles tinham preocupações de ler. Hoje, essas pessoas, por saberem ler, pedem a obtenção de Bilhete e Identidade”, disse Simione Justino Tchiculo.
 Antes as comunidades tinham  dificuldades de interagir até com a Administração Municipal, mas actualmente, em função dos ganhos conseguidos com o programa virado ao combate ao analfabetismo, já fazem uma interacção positiva com outros actores, porque se desenvolveu o diálogo e a capacidade de colocar os  problemas às autoridades e procurarem encontrar as soluções à curto e médio prazo.
“Sentimos que há essa mudança. Reconhecemos que os projectos da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA) não vêm para resolver todos os problemas, mas sim para mostrar que com acções concretas, desde que haja vontade, financiamento, disponibilidade e trabalho, é possível gerar mudança dentro das comunidades.
No inicio de programas gizados pela Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA) e parceiros, junto das comunidades, havia dificuldades que estão superadas.

A inserção no Orçamento Geral do Estado
é um grande ganho para os projectos da ADRA

A inclusão das acções da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA) no Orçamento Geral do Estado (OGE), é um ganho que vai poder atingir resultados positivos em prol das actuações da organização.
“Apesar de não recebermos apoio financeiro do Governo, valorizamos o apoio institucional que recebemos, sobretudo  na antena Huíla e Cunene, com a participação na articulação, coordenação e muitas vezes  em apoios de outra natureza, que permitem a execução dos trabalhos de forma positiva para dar solução aos problemas sociais no seio das famílias”, disse Simione Justino Tchiculo .
As doações vêm de fora. O acesso ao Orçamento Geral do Estado (OGE) pode aumentar o nível de actuação  de forma inclusiva.
 
 Resiliência
O Executivo angolano tem vindo a implementar programas tendentes a reforçar as capacidades de redução do risco de desastres e construção de resiliência, através do estabelecimento de um quadro comum de recuperação resiliente pré-desastre, na perspectiva de reduzir as consequências sociais e economias de vários fenómenos naturais.

Evitar riscos
Simione Justino Tchiculo disse que a acção tem a participação da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental (ADRA) e visa evitar que os riscos sejam repetidos várias vezes e assegurar uma construção melhor dos projectos implementados pelo Executivo e parceiros.

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