Reportagem

O comboio promove o comércio

Estanislau Costa |

A requalificação do Caminho de Ferro de Moçâmedes (CFM), com uma extensão aproximada de 900 quilómetros, está a impulsionar as transacções comerciais entre as províncias do Namibe, Huíla e Cuando Cubango.

Mais de um milhão de passageiros foram transportados pelas locomotivas do Caminho de Ferro de Moçâmedes (CFM)
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Huíla

O transporte de passageiros e mercadorias está a registar um crescimento considerável, com os dados mais recentes a referirem que mais de um milhão e 179 mil e 962 passageiros foram transportados desde o ano passado até Junho do corrente.
Já as mercadorias diversas ascendem as 55 mil toneladas. A circulação ferroviária de transportes de passageiros, por enquanto, só se processa no troço Lubango-Menongue. Por isso, é grande a expectativa do início do trajecto da via Lubango-Namibe com passageiros pela razão de a maioria das mercadorias ser desembarcada no Porto Comercial do Namibe.
Às 5h00, com excepção dos domingos, o comboio ruma para a cidade de Menongue, fazendo paragens nas estações da Arimba, Quipungo, Matala, Cuchi e outras localidades para carregar mais passageiros e mercadorias. A máquina, por enquanto, atinge uma velocidade de 70 a 80 quilómetros por hora.
A passagem e paragens em diversas estações erguidas com grande beleza e requinte motivaram o ancião Fernando Cambambwe a afirmar que “o Governo voltou a ligar as comunas, sanzalas e aldeias com a reabilitação da linha do Caminho de Ferro de Moçâmedes. As sanzalas estavam isoladas por se situarem distantes das estradas”. Cambambwe destacou que a falta do comboio fazia com que os produtos do campo como hortaliças e frutas se estragassem por falta de escoamento. O comboio veio ligar-nos porque passa muito próximo das aldeias e o Governo construiu estações com condições para “as pessoas subirem no comboio e transportarem os seus produtos e animais”.
 
Em breve o Namibe
O Presidente do Conselho de Administração do Caminho de Ferro de Moçâmedes, Daniel Quipaxe, garantiu que estão a ser criadas condições para o comboio com passageiros atingir a cidade do Namibe. A máquina funcional da empresa conta com o reforço de 40 jovens formados em operação de locomotivas, mecânica, gestão de estações, electricidade e outras áreas. A Administração do CFM empenha-se na criação de condições para que, a médio prazo, haja mais rendimento.
A reportagem do Jornal de Angola ouviu alguns cidadãos da província de Moçamedes. Todos foram unânimes em dizer   que, a circulação veio dar uma   din]a mica no desenvolvimento da província, como na região  Sul, e não só.  

 

  Uma obra com história

A linha ferroviária Namibe-Lubango-Menongue, com um percurso de 900 quilómetros de distância, esteve paralisada há sensivelmente 20 anos, em consequência da guerra de mais de três décadas que assolou o país. Um projecto gigante de construção e reabilitação foi elaborado pelo Executivo.
Milhares de dólares foram empregues. As obras estiveram a cargo de uma construtora chinesa, que envolveu, além de técnicos provenientes da China, dezenas de angolanos. A obra, sem mencionar algumas alterações feitas, incidiu na desminagem e desmatamento de largos quilómetros.
Após essa operação, passou-se à fase de construção propriamente dita, com a implantação de 860 quilómetros de carris, construção de um número superior a 56 estações, subdivididas em três especiais, seis de 1.ª Classe, 11 de 2ª Classe e 36 de 3ª.
Todos os imóveis estão dotados de áreas de serviços administrativos, salas de espera, bilheteiras, restaurantes, agências bancárias e lojas. O percurso histórico da obra indica que os trabalhos começaram no Município da Matala, seguindo para Menongue e, posteriormente, da Matala para o Namibe.
Foram edificados 170 metros de túneis, 150 metros de sistemas de drenagem, 5.100 metros de pontes em cumprimentos acumulados, modernização de todo o sistema ferroviário, que permite ao comboio circular a uma velocidade máxima de 100 quilómetros por hora.
O Caminho de Ferro de Moçâmedes conta com equipamento moderno diverso para o transporte de passageiros e mercadorias.

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