Reportagem

Olhos postos no progresso

Francisco Curinhingana e Osvaldo Ferraz | Malanje

A sede capital da imponente Palanca Negra Gigangte é uma cidade que nasceu de um vilarejo que na altura se localizava na povoação do Kissole, passando mais tarde para o  seu actual local.

Algumas zonas da capital provincial foram asfaltadas, o que permitiu melhorar o trânsito automóvel e pedonala
Fotografia:

Interpelado pelo Jornal de Angola, o munícipe José de Bessa Gaspar referiu que a  cidade de Malanje, antes vila, começou a ser  construída   em  1800,   quando várias expedições começaram a explorar o sertão de Angola.
Uma das expedições que pela primeira vez veio para Malanje, passando a vala de travessia do rio com o mesmo nome (Malanje), encontrou algumas senhoras a tratarem do bombóm, que é a comida primordial da região. Como só falavam português, explica Bessa Gaspar,  contrariamente as senhoras que só falavam o kimbundu, desentenderam-se. Eles queriam saber como é que se chamava aquela região e elas, não entendendo o português, pensaram que eles estivessem a perguntar-lhes  sobre o nome das pedras  que as cercavam e responderam em kimbundu, naturalmente, dizendo “malanji ngana”. Traduzido para  a língua de Camões significa dizer “São Pedras, senhor”.
Os portugueses captaram essa mensagem como sendo o nome da região "Malanje". Mas, há uma segunda e uma terceira versões:  A segunda versão é que os portugueses ou os colonizadores que estavam a  explorar o sertão, como só estavam a ver mulheres naquele local, perguntaram se por acaso não haviam homens e as mulheres entenderam e responderam, “mala hanji”, quer dizer, também há homens.
A terceira versão é que uma outra expedição, que vinha para a exploração de sertão, ao encontro de produtos comerciais, como a cera, a borracha, o marfim e o café, para além de outros produtos, como estava a encontrar obstáculos de resistência à sua passagem, da  parte dos autóctones,  o indivíduo que encabeçava a expedição, mandatou um emissário  para avisar que aos líderes autóctones  que não ousassem mais barrar-lhes  a passagem.  Mas alguns  desses líderes  locais  respondiam em kimbundu: “eze, etu tu mala hanji ue”, significa dizer, “eles que venham, porque nós também somos homens” e vamos ver onde é que isso vai parar”. Bessa Gaspar explica que há uma coincidência “Mala hanji” , termo que os portugueses entenderam  como  sendo Malanje, o nome da região.

Aculturação


Bessa Gaspar referiu que a presença portuguesa desvirtuou alguns princípios locais, por aquilo que se foi conservando e que se vai tentando restaurar, “ainda vamos  a tempo de tapar a lacuna que nós tínhamos de aculturação, começando pela passagem do testemunho e pela indagação das raízes da nossa cultura, com destaque para a língua, principalmente”. Bessa Gaspar considera a língua como base da cultura de qualquer povo e segundo sua afirmação, é preciso um maior investimento com destaque para a juventude.

Avanços


O administrador municipal de Malanje, João de Assunção, disse ao Jornal de Angola que a cidade de Malanje registou muitos avanços, na área da educação onde até pouco tempo existia apenas um Instituto Médio, e que, nos últimos anos foram construídas muitas escolas.
Ainda no capítulo da educação, o ensino superior viu erguer vários institutos públicos e privados, quando há mais ou menos de cinco anos havia apenas a Escola Superior Politécnica de Malanje em funcionamento, o que obrigava muitos dos malanjinos a viajarem para as outras províncias para continuar os seus estudos.
No que diz respeito a saúde, o município registou crescimento, pois de acordo com João de Assunção, foram construídos seis centros de saúde de referência e reabilitado e ampliado o Hospital Regional. Em termos de infra-estruturas rodoviárias, algumas zonas importantes na cidade de Malanje foram asfaltadas, fruto de investimentos feitos o que permitiu melhorar a mobilidade urbana.
Do ponto de vista de desenvolvimento do próprio cidadão, o município de Malanje tem hoje mais pessoas formadas em diferentes áreas, devido aos investimentos feitos que contribuem para o crescimento do município.
João de Assunção assegurou que  as políticas que visam melhorar as condições sociais dos munícipes vão continuar a ser desenvolvidas, e que para tal, a Administração Municipal foi orientada pelo governador provincial, para traduzir as políticas em acções concretas, e que as mesmas vão variar em função de cada sector.
A nível do saneamento básico, o administrador municipal admitiu continuarem a investir seriamente na limpeza e o embelezamento da cidade, na manutenção dos jardins, a sensibilização da população para gerir melhor o lixo que produz.

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