Reportagem

ONU disponibiliza 6,4 milhões de dólares para vítimas da seca

As Nações Unidas vão disponibilizar 6,4 milhões de dólares para apoiar comunidades que sofrem com a seca no Sul do país, através do Fundo Central de Resposta a Situações de Emergência (CERF).

Fotografia: DR

Segundo um comunicado da organização, divulgado on-tem, em Luanda, os fundos, a aplicar em projectos nas províncias do Cunene, Huíla, Bié e Namibe vão beneficiar cerca de 565 mil pessoas.
O apoio da ONU, a ser im-plementado por UNICEF, FAO, UNFPA e OMS, vai incidir nas áreas de Nutrição, Água e Saneamento, Agricultura e Segurança Alimentar, Saúde e Protecção.
Segundo o documento, 44% do total do Fundo de Emergência concedido será direccionado à Nutrição, 27,8% à Água e Saneamento e o restante dividido entre os projectos de Saúde, Segurança Alimentar e Agricultura e Protecção.
O impacto da seca no Sul tem levado à deterioração rá-pida dos meios de subsistência da população. Segundo dados do Governo Provincial do Cu-nene, o número de pessoas que precisam de ajuda humanitá-ria na província aumentou, este ano, de cerca de 250 mil, em Janeiro, para cerca de 860 mil em Março, o que representa já 80 por cento do total da po-pulação da província.
A ONU estima que 2,3 milhões de pessoas não estão em condições de satisfazer as suas necessidades nutricionais nas quatro províncias mais afectadas, sendo que cerca de 490 mil são crianças com menos de 5 anos. O Fundo de Emergência (CERF) apoiará também a saúde e protecção de cerca de 37 mil mulheres grávidas.
As Nações Unidas consideram que seriam necessários cerca de 92 milhões de dólares para fazer frente à situação de emergência no sul do país. Os 6,4 milhões disponibilizados representam apenas 6,9% do total das necessidades estimadas. O Fundo de Emergência (CERF) será implementado imediatamente e durante os próximos seis meses pelas Nações Unidas e Gover-no, com o objectivo primor-dial de responder a esta crise e reduzir o número de pessoas em risco de vida.
No Cunene, o Fundo será implementado nos municípios da Cahama, Cuanhama, Cu-roca, Cuvelai, Namacunde e Ombadja. Na Huíla beneficiam os municípios do Lu-bango, Caconda, Caluquembe, Cacula, Chibia, Chicomba, Chipindo, Gambos, Humpata, Jamba, Cuvango, Matala, Quilengues e Quipungo. No Namibe serão apoiadas as comunidades do Namibe, Bibala, Cumucuio, Tômbwa e Virei, enquanto no Bié beneficiam as populações dos municípios do Chinguar,

Catabola e Cuito.
Segundo o documento, a acção humanitária será mo-nitorizada pela Equipa de Gestão de Desastres da ONU em Angola, liderada pelo coordenador residente, Paolo Balladelli, e pelo UNICEF.
Ontem mesmo, Paolo Balladelli partiu em missão oficial para o Sul do país, para encontros com as autoridades provinciais e parceiros. Hoje, o coordenador da ONU estará na província do Cunene e amanhã, na Huíla.
A ONU reconhece que as intervenções a curto prazo não solucionam as perdas causadas pelas secas recorrentes que afectam a região Sul do país. Neste contexto, e com o apoio técnico do PNUD (Programa das Nações Unidas para o De-senvolvimento), o Governo desenvolveu, recentemente, o Quadro de Recuperação Pós-Seca (QRS) 2018-2022. Além das medidas de recuperação de curto prazo, o QRS também propõe medidas sustentáveis de médio e longo prazo para reduzir a vulnerabilidade e o risco associado da população local a futuras secas, inundações e ao crescente impacto das mudanças climáticas.
O Fundo Central de Resposta a Situações de Emergência (CERF) foi criado, em 2005, pelas Nações Unidas com o objectivo de responder, de forma imediata e ágil, a situações de crises humanitárias em todo o mun-do. O CERF é gerido pelo Es-critório das Nações Unidas para a Coordenação de As-suntos Humanitários (OCHA), que é o principal órgão da ONU para fazer frente a crises humanitárias.

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