Reportagem

“Operação Relâmpago” deteve centenas de supostos marginais em toda a capital

André Costa

Um total de 282 indivíduos suspeitos de terem cometidos crimes diversos foi detido entre quinta-feira e ontem, em Luanda, pelos efectivos da Polícia Nacional e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), durante a “Operação Relâmpago”.

Órgãos operativos do Ministério do Interior estão a transmitir um maior sentimento de segurança à população de Luanda
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, inspector-chefe Lázaro da Conceição, avançou que as detenções foram feitas durante a “Operação Relâmpago”  por  suspeitas de envolvimento em casos de roubos, furtos, ofensas corporais, homicídio voluntário, intromissão em residência alheia, posse ilegal de armas de fogo e consumo e posse de estupefacientes.
Do grupo de detidos, explicou o responsável da Polícia Nacional, que fazia o balanço provisório da operação, que termina hoje, 62 foram detidos em flagrante delito. Deste número, o SIC deteve 48 indivíduos e a Polícia Nacional 14.
O inspector-chefe Lázaro da Conceição assegurou que as referidas operações vão continuar, uma vez que as mesmas estão a permitir transmitir à população um sentimento de maior tranquilidade. O porta-voz realçou que, na operação, o SIC deteve um total de 161 indivíduos suspeitos de crimes, enquanto a Polícia Nacional pôde deter 121, dos quais quatro já têm antecedentes criminais.
Durante a “Operação Relâmpago”, segundo o inspector-chefe Lázaro da Conceição, foram apreendidos dois carregadores,  15 armas de fogo, quatro munições, 12 viaturas, 51 motorizadas, 38 gramas de libanga, dois quilos de liamba, duas botijas de gás e uma moto-bomba.
Além desses meios, a Polícia apreendeu ainda uma tonelada de medicamentos que eram comercializados no Mercado dos Kwanzas, três caixas de fraldas descartáveis, uma factura pró-forma falsa, máquina de filmar, microscópio, gerador, dois computadores, um aparelho de medição de tensão arterial, catana, aparelho de som, descodificador, televisor e quatro telemóveis.

Detidos estrangeiros
A operação foi realizada nos municípios de Luanda, Viana, Cazenga, Kilamba Kiaxi, Cacuaco, Belas e  Icolo e Bengo, no âmbito das acções que visam prevenir a criminalidade e garantir o sentimento de segurança à população dessas localidades.
No âmbito da “Operação Relâmpago”, a Polícia Nacional realizou também a“operações stop”, durante as quais foram fiscalizadas  856 viaturas e 655 motociclos.
O porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional revelou que, além dos 282 detidos, o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) deteve 113 cidadãos estrangeiros, por situação migratória ilegal.
A  “Operação Relâmpago” integra forças de várias especialidades da Polícia Nacional, além de efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e do SME e trabalham  desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira até hoje nas  localidades  da província consideradas as mais críticas, em termos de ocorrência de crimes.
Os efectivos foram divididos em dois grupos, sendo que um entrou às  primeiras horas da manhã e outro à noite, que, depois da formatura, por volta das 22 horas, foi lançado no terreno em substituição dos agentes do primeiro grupo.

Conselhos de pai
Bastante interactivo, o comandante Ernesto dos Santos, do distrito urbano da Maianga, conversou com quatro jovens que, por volta da meia-noite, estavam sentados numa pedra defronte a casa. Durante o bate-papo, o chefe da Polícia aconselhou os rapazes a darem maior tempo aos estudos e a evitarem comportamentos desviantes.
O trabalho continuou com os agentes a interpelarem viaturas e a revistarem jovens suspeitos, no intuito de encontrar armas de fogo, estupefacientes e apreender viaturas roubadas, sem documentos, entre outros casos anormais.
O tempo passava. Já eram 5h00 da manhã. Entraram em acção efectivos do SIC, que detiveram dez jovens, por crimes diversos, desde roubos de viaturas, assaltos na via pública, venda de liamba e ofensas corporais. No bairro Huambo, também no distrito urbano da Maianga, foram detidos três jovens que se dedicavam ao crime de roubo de viaturas, que eram depois desmanchadas para serem vendidas as peças em mercados de Luanda, sobretudo no “Mercado dos Correios”, localizado no bairro Golfe, município do Kilamba Kiaxi.
Durante o acto de detenção, chamou a atenção da nossa reportagem o facto de os três suspeitos estarem completamente num à-vontade e a conversarem com as esposas, como se estivessem a despedir-se delas para uma festa.
Sobre o caso, o repórter quis saber o porquê daquela situação e um dos agentes do Serviço de Investigação Criminal disse ao Jornal de Angola que os marginais têm já algumas passagens pela Cadeia de Viana. “São reincidentes e as senhoras têm conhecimento do trabalho que os seus homens fazem.”
Numa das zonas do bairro Prenda, foi detido um ancião, por ter sido encontrado em flagrante a comercializar e a consumir liamba.
Alguns vizinhos confidenciaram ao Jornal de Angola que o idoso já foi várias vezes detido pela mesma prática, mas acaba sempre por ser libertado.
Em relação ao caso do mais velho, um dos agentes da Polícia Nacional explicou que a “libertação do idoso é da responsabilidade do Ministério Público.

  Polícia trava poluição sonora em vários bairros

O Jornal de Angola  acompanhou a operação durante a noite, e viu as detenções dos  cidadãos suspeitos e as apreensões de viaturas e motorizadas, muitas destas por falta de documentação.
Por volta das 21 horas, na avenida 21 de Janeiro, na conhecida rua da Moagem, os agentes detiveram o cidadão Sebastião Joaquim, de 21 anos, que circulava com uma faca escondida no interior de uma mochila, sob argumento de que serviria para sua autodefesa, em caso de assalto.
Sebastião Joaquim explicou que foi vítima de três assaltos, em que perdeu dinheiro e documentos. Sobre os casos, disse que já apresentou queixa à esquadra da Polícia do bairro, mas não tem esclarecimento até hoje.  Ao reagir ao argumento do jovem, o comandante do distrito urbano da Maianga, intendente Ernesto dos Santos, reprovou a atitude de Sebastião, tendo-lhe chamado atenção para o perigo que corre ao circular com uma arma branca.
Por volta das 22h24, CC, iniciais do nome de um cidadão de 36 anos, aproveitou a presença da Polícia Nacional para denunciar a poluição sonora promovida por uma casa nocturna, que toca música ao vivo, de segunda a sexta-feira. “A situação tem-me tirado o sono, desde o ano passado.”
O cidadão disse já ter apresentado reclamação à dona do estabelecimento, às administrações do Prenda e do Rocha Pinto e à Polícia Nacional, mas a situação não se altera.
O comandante Ernesto dos Santos e os seus efectivos entraram no salão de festas, onde dezenas de pessoas consumiam álcool ao som de música ao vivo e tocada muito alta.  Antónia Kissola, a proprietária acabou por dar razão ao vizinho sobre o barulho e baixou a música. Além disso, a senhora prometeu melhorar as condições da casa, para que a vizinhança jamais seja prejudicada.
O tempo corria e o movimento de circulação de pessoas começava a reduzir.  Quase não  havia mais situações que despertavam a atenção dos polícias, até que, num dos becos do bairro Rocha Pinto, encontraram a cidadã Kiesa Oliveira, 37 anos, sentada à porta de casa, tendo esta dito que esperava pelos efectivos policiais para agradecer pelo trabalho que realizavam.
A cidadã, ao denunciar que, nos últimos tempos, os meliantes têm realizado assaltos em cantinas dos malianos, principalmente, situação que obriga os comerciantes a encerrarem mais cedo os estabelecimentos, lamentou o facto de os patrulhamentos auto e de giro tardarem a chegar quando solicitados pela população.

Tempo

Multimédia